
Para quem não conhece, o Universo Paralelo é o principal festival de música eletrônica alternativa e ocorre, anualmente, na Bahia, sempre no final do ano. O amigo e fã da boa música, Gabriel Rosa, foi até o festival e relata agora para o Backstage o que de melhor e pior aconteceu no Universo Paralelo. As fotos são do Murilo Ganesh e retrata um pouco do que rolou na Bahia. Confira abaixo:
DIA 26: Mal havia passado o natal e lá estávamos na estrada em direção à paradisíaca reserva ecológica de Pratigí, sul da Bahia, para passarmos o finalzinho de ano no já bem conceituado Universo Paralello #9. Não convém contar a história de vida desse festival aqui, mas vale a pena comentar sobre o conceito: Sete dias de festival com o que há de mais atual no cenário da música eletrônica, banhados por um mar de cair o queixo, paisagem exuberante e muita gente disposta a dançar, a se conhecer e deixar para trás um ano que se finda comemorando ao seu modo, mas todos juntos, a passagem de ano.
O Reveillon representa um novo início, o futuro, o desejo de mudanças e agradecimentos por algo que terminou. Talvez por isso milhares de pessoas resolvam percorrer longas distâncias para celebrar essa data.
DIA 27: Neste ano o tal do “perrengue” foi um pouco maior na entrada do festival. Não sei exatamente o porquê, mas sei que esperamos em torno de umas sete ou nove horas para conseguirmos trocar convites por pulseiras, passar pela revista e esperar pelo pau-de-arara. Tudo com muito calor, sem instruções maiores, no maior clima de tensão e fadiga física.

DIA 28: Já instalados agora era hora de (re)conhecer o festival. Decoração ok, estrutura ok. Só faltava o som, que este ano foi inaugurado simultaneamente, à tarde, na pista GOA (pista dedicada ao conceito dos primórdios do psytrance) e no Chillout/Palco Paralello.
A pista alternativa foi inaugurada no mesmo dia, porém às oito da noite.
Todas as pistas no primeiro dia trouxeram, em sua maioria, sets ou lives nacionais.
O Main floor ficou para o próximo dia.
DIA 29: Sem atrasos e já com muitas pessoas guardando espaço nas sombras (eu era um deles) o som da pista principal foi inaugurado pelo DJ brasuca Max Grillo. A boa surpresa desse dia ficou por conta do live do Cosmo Tech (BR) já à noite.

DIA 30: Burn in noise (BR), Tron (MX) e E-jekt (IL), fizeram a alegria da molecada que gosta de um full-on com mais pegada.
Na pista Alternativa Eli Iwasa (BR) foi a grande expectativa (sucesso total). A decepção ficou por conta do DJ português Pena (sem trocadilhos, hein!). Tim Healey que estava marcado para este dia, mas não compareceu, tocou somente no outro dia (perdi!!). Mas pista alternativa é pista alternativa, não é!? Nossas expectativas podem ser viradas de cabeça para baixo, independente do DJ que estiver se apresentando. Aliás, uma grande tendência percebida durante o festival foi o “troca-troca” de pistas dos DJ’s: DJ de dark tocando no Chillout, DJ de Low BPM tocando na pista GOA e vice-versa. É a grande farra da música, rótulos só servem para as gravadoras classificarem seus produtos e vende-los.
DIA 31: Reveillon!! A pista principal fez um break a partir das 11:30 da manhã voltando somente às 18 horas. As outras pistas pararam mais à tarde, voltando somente depois da virada, forçando todos os participantes do festival a irem para a pista principal durante a virada. Neste dia teve Erotic Dream (BR), Perfect Stranger (IL), System 7 (UK) – Perdi todos num sono de beleza desnecessário. Explosões de fogos, abraços, emoções a mil por hora.

DIA 1º: meia-noite em ponto começa o live do Tristan seguido de Headroom, Shove, Absolum, Aphid Moon, 28 (Twenty Eight), Dickster e os pratas da casa com o Logica, impecável! Na pista alternativa a festa ficou por conta de Khainz, Justice Unlimited, Tom Real (UK), Edoardo e Hamelin (mais que recomendado, o mexicano foi o brilho da noite).
Após a virada, tarde de progressivos: Tetrameth, Martin, Vaishyias, Sun Control Species (esse ano rolou!!) e Day Din fizeram o delírio dos prog-lovers.
DIA 02: Sem muitas surpresas durante o dia, na pista Alternativa: Felguk, Miles Dyson Ung & Bastos.
DIA 03: Este dia foi um segundo reveillon. Galera estava à milhão, como se fosse o primeiro dia de festival. Shadow FX puxou a multidão para a pista, seguido de Earsugar, Cromossome e Allaby. Em seguida, um show a parte com The First Stone e Ekanta que fizeram os gringos coçarem a cabeça com a sinergia do público + DJ’s. Teve ainda Braincell, Penta, Mubali: show de peso!
A pista GOA encerrou sua programação as 10 horas da manhã deste dia. Já na pista alternativa sets nacionais fechando o dia com o live Corejoy do brasuca Cláudio Brio.

DIA 04: Último dia de festival. Os caminhos e a pista principal já não tinham o mesmo movimento de antes, pois a grande maioria estava voltando para suas casas e seus trabalhos. Restaram os que podiam prolongar suas férias e grande parte dos gringos, que mereciam um capítulo a parte, pois estiveram maciçamente este ano no festival. Era impossível não conversar ou esbarrar por entre as barracas com alguns deles.
Para fechar com chave de ouro, lives do consagrado Liquid Soul (fez a pista toda se remexer de verdade), Andrômeda e Flow Job.
Encerrando a programação do Main floor: Swarup, “os reis do pedaço”, e Hilight Tribe, um projeto com cinco músicos (três deles se apresentaram) e com bastante percussão que chega a lembrar a sonoridade tribal.
DIA 05: Encerrada a programação do festival, fim do camping.

Ainda não achei nada que superasse a celebração de passagem de ano do Universo Paralello. Sem demagogias, lá você realmente se desconecta do mundo, ouve, sente e vê música (assim dessa forma sinestésica mesmo)! É uma experiência holística: no meio daquela multidão você se torna alguém e parte de um todo. Lá você não é uma marca de roupa, um relógio, um boné, um tênis... Lá você é cultura, diversão, sorrisos!
Aí, fica aquele gostinho de “quero mais ano que vem”.
E agora, onde você quer passar seus reveillons??? Preciso mesmo perguntar!?
* Por Gabriel Rosa aka Dexterpus