A glamurização da música eletrônica

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

 

Em tempo de glamurização da música eletrônica, resolvi publicar um texto extraído do blog do DJ Camilo Rocha, do RRaul. O texto é bem legal e serve de alerta para o caminho que a música eletrônica está tomando. Comentem à vontade.

 

Música eletrônica é pra quem pode!

 

Nada melhor para simbolizar essa Era do Dinheiro do que a cena a seguir, presenciada no cercado VIP de um clubão vistoso de Jurerê Internacional, em Florianópolis: rapaz bem-nascidíssimo, a família é uma das grandes fortunas de Santa Catarina, chacoalha um champanhe de R$ 5 mil. Enquanto espirra o valioso líquido pra cima, grita, com um sorrisão debochado na cara: "A crise não me afeta, a crise não me afeta".

Esse é só um exemplo, extremo sim, mas não incomum, de um novo conjunto de valores e práticas cada vez mais associados à música eletrônica. Na nova Era do Dinheiro, ninguém liga para underground, qualquer gota de subversão e idealismo foi eliminada e o bacana é ser PVT, exclusivo, "para poucos", selecionado, festas "só com gente bonita".

Sabemos que ostentação anda de mãos dadas com música eletrônica desde o auge dos super-clubes e de festas jet-setters em Ibiza lá nos anos 90. Mas sempre foi, Brasil incluso, umas das várias facetas de um universo que sempre carregou no peito a estampa da diversidade e da junção de tribos. Mas hoje parece que, na maioria dos lugares no Brasil, esta faceta que veste Prada foi a única que sobrou!

Parece óbvio que esse culto ao materialismo tem muito a ver com o momento que o Brasil viveu nos últimos três anos, de aumento da classe média (passou de 50% da população) e milhões de pessoas finalmente podendo comprar carro zero, computador, roupa na Oscar Freire e TV de Plasma. Justo, justíssimo! Que todos um dia possam fazê-lo neste país.

O problema é quando tudo isso passa a ser a coisa mais importante da vida, quando a vontade de adquirir se torna idolatria por objetos de luxo e grifes. Tem um comercial aí que fala de uma promoção onde o prêmio é uma TV de plasma. E o anúncio não mostra um cara beijando e acariciando uma TV de plasma?

Pois é, mas a grande realidade é que a crise está aí sim e, apesar de o Brasil ainda não ter sido pego em cheio (mas tudo indica que vai), pode ser que daqui a alguns meses, ela esteja afetando muito mais gente. Inclusive aqueles que hoje se acham (e andam) blindados.

Trazendo o "problema" para o universo da noite, mais especificamente o da música eletrônica: se hoje, o cercadinho VIP e o champanhe na mão valem mais do que o calor da pista de dança e as novidades que saem incessantes do case do DJ, tem alguma coisa muito podre no reino da Daslulândia. Em tempos de aquecimento global e crise, rasgar dinheiro deixou de ser coisa de louco. É que os cafonas também adoram!

* por Camilo Rocha - Blog Bate-Estaca

Deadact.com: a verdade sobre os lives

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Justice e a clássica foto do sequenciador de batidas desligado. Live? Onde?

 

Mais uma idéia que eu perdi. Juro pra vocês que eu tinha a intenção de fazer um blog com os vídeos dos famosos 'lives encenados' que aterrisam pelo Brasil.

A proposta do www.deadact.com é sensacional. Mostrar para os deslumbrados da música eletrônica que tem gente que toca sem fone de ouvido e os sintetizadores desligados. Nada escapa do site: Universo Paralelo, festivais pela Europa, festas nos EUA, enfim, todos os locais onde DJs e produtores se utilizam de ferramentas tecnológicas (principalmente o Ableton) para se apresentarem 'ao vivo'.

Eu já cansei de ver gringo e brasileiro 'tocando' com o Nord Lead desligado. Sempre levantei a bandeira de que, se não sabe se apresentar ao vivo, faça um DJ set. Grave suas produções em um CD e se apresente. Não precisa ficar fingindo que tá criando base, bass line, distorção, entre outras coisas, na hora.

 

Dentre os campeões do 'play no notebook e balance as mãozinhas' está nosso querido Eskimo (confira o vídeo aqui). O cara enche o bolso de dinheiro pra fazer uma coreografia à moda das micaretas nas festas que toca. Lamentável.

 

O cardápio é cheio. Temos também Headroom e Protoculture no Universo Paralelo (clique aqui para ver o vídeo). Notebook aberto e vamos à encenação.

 

Sobrou até para o todo-poderoso Peter Hook, do New Order, que nem sequer usou um fone de ouvido em uma apresentação sua de DJ set. Isso mesmo: DJ SET !!! Veja o vídeo aqui.

 

O interessante do Deadact é que os produtores mandam um 'direito de resposta' para o dono do site, explicando o porquê de tocar com um notebook aberto e fazer coreografias. Dali, que toca psytrance, é a campeã nos direitos de respostas e já tem lugar cativo no site.



Aliás, adivinhem qual País possui mais vídeos no Deadact? Minha nossa é o Brasil... Por que será? (tentei ser irônico).

 

Cheers

Profissão: DJ

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

 

Demorei um pouco pra colocar esse post no blog porque eu queria me informar melhor sobre o projeto de lei aprovado pelo Senado Federal, em 23 de janeiro.

Bom, vamos aos fatos.

O projeto de número 740 aprovado pelo senador Romeu Tuma, que regulamenta a profissão DJ no Brasil, deve ser publicado em março no Diário Oficial.

O projeto é similar ao da lei 6.533, de 1978. Portanto, foi proposto que se adicionasse os DJs e produtores no texto de lei, que foram incluídos na categoria de artistas e técnicos em espetáculos de diversão.

Agora vem a parte polêmica:

Os DJs, para ter sua situação regulamentada, tem que se inscrever previamente no Ministério do Trabalho e do Emprego, com diploma de curso profissionalizante e atestado de capacitação profissional, fornecido pelo sindicato representativo da categoria.

Em São Paulo, já existe o Sindicato dos DJs e Profissionais de Cabine de Som (Sindecs).  Tentei entrar no site, mas está fora do ar. Resta agora saber qual sindicato irá regulamentar a categoria.

A velha reserva de mercado também está presente: em eventos realizados com DJs estrangeiros, 70% dos profissionais tem que ser nascidos no Brasil.

Com a regulamentação, os DJs passam a usufruir das Leis Trabalhistas, tais como:

* DJ vai ter direito a aposentadoria (se existe algum DJ aposentado, me avise!)
* Licença maternidade? (mulheres DJs no comando)
* Cobrar organizadores de eventos caloteiros na Justiça do Trabalho - antes só era possível na Justiça Comum (acabou a festa do 'deixa pra amanhã...)
* Auxílio-doença, aposentadoria por invalidez (na maioria dos casos deve ser por problemas de audição)

Os problemas da nova Lei:

* Atestado de capacitação profissional: pedir isso pra um cara que já é DJ há uns 20 anos ou mais é sacanagem. Alguma coisa terá que ser feita pra reconhecer o trabalho do cara. (o que vai ter de ESCOLA DE DJ aparecendo no Brasil não vai brincadeira).

* Pagar sindicato: toda vez que vem o desconto na minha folha de pagamento do começo do ano eu choro. Imagine pros DJs.

* Curso profissionalizante: volta a velha questão das ESCOLAS DE DJ que irão pipocar no Brasil afora. Imaginem o Renato Cohen ou Mau-Mau tendo que sentar no banco da escola pra tirar seu diploma. Seria a mesma coisa se o Pelé tivesse que ter aula com algum 'boleiro' pra pegar seu diploma de jogador.


Existem muitas incógnitas ainda no Projeto de Lei aprovado pelo Senado. Ele começa a valer mesmo em março, quando será publico no Diário Oficial da União. Até lá, preparem seus bolsos. Não ficará barato ser DJ no Brasil.

Críticas e sugestões? É só clicar no campo Comentários e já abrimos o nosso debate.


Cheers