Censura no Orkut?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Recentemente, dois casos levantaram uma suspeita de censura na internet. A que causou maior espanto foi a exclusão da comunidade da rave XXXperience do Orkut. Com mais de 13 mil membros, a comunidade saiu do ar da noite para o dia no site de relacionamentos.

A Google nega, mas a exclusão da comunidade da Marcha da Maconha reafirma a tese de que as comunidades estão sendo monitoradas. Coincidência, ou não, a comunidade da XXXperience já apareceu em vários programas de televisão, quando as emissoras bombardeavam o horário nobre da TV com matérias sobre drogas em raves.

A Google afirmou, através da sua assessoria de imprensa, que não comenta casos de retiradas de páginas do ar, e que só procede assim baseado em denúncias de outros usuários, as quais são levadas em consideração via uma equipe técnica.

Vários amigos meus também tiveram páginas deletadas pela Google. O motivo? Ninguém sabe.

Há quem acredite em uma 'teoria da conspiração'. As raves não anunciam nos grandes meios de comunicação. Meios estes que têm força política. Eu quero acreditar que não exista isso.

Onde está a liberdade de expressão? Pelo que eu saiba o princípio básico da internet - e também do Orkut - é ser um canal 'democrático' para as pessoas poderem expressar suas opiniões, com diferentes pontos de vistas.

Cuidado internauta. Você pode estar sendo vigiado.

A volta do vinil ?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Muitos davam como certa a morte da 'bolacha'. Após a explosão dos CDJs da Pioneer, vários DJs começaram a migrar para os CDs e, mais tarde, para os Mp3. O Final Scratch prometia ser o prego no caixão do vinil. Mas, nem tudo está perdido.

Uma das principais lojas virtuais dos Estados Unidos, a Amazon, anunciou que irá
colocar uma seção em seu site destinada à venda de vinil. Segundo a empresa, cerca de 250 mil títulos estarão disponíveis. A idéia surgiu após a Amazon notar que a venda dos discos cresceram 80% nos últimos anos.

A nova tendência já deixou o campo da música eletrônica e atingiu também artistas consagrados do pop/rock mundial. Recentemente, o U2 e o Coldplay lançaram alguns singles em vinil.

Ambientalistas defendem a extinção dos discos, pois acreditam que o meio-ambiente é prejudicado na fabricação e transporte do vinil. O preço também é um dos empecilhos para a volta da popularização das 'bolachas'. Para quem é DJ e toca com vinil, o preço de um disco importado chega a arrepiar os cabelos [maldita taxa de importação].

Eu tenho vários discos em casa. Desde os famosos 'piratinhas' até os singles comprados na extinta DJ Shopping, na Av. Paulista, em São Paulo. Não vendo, não troco e, quem sabe, posso até emprestar.

Seria uma boa algumas gravadoras ressuscitarem o vinil. Seria uma ótima idéia também se o Governo Federal faturasse menos na taxação. Atualmente, a Receita taxa em até 60% [no preço de origem - dólar ou euro] o vinil importado.

Só quem compra ou comprou vinil em alguma loja sabe da emoção de poder 'ver' a música. Os dowloads pela internet acabam de certo modo tirando a graça da música. Sei lá, acho que realmente tô ficando velhinho.

 

Skol Beats: que saudade de Interlagos...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A edição de 2008 do Skol Beats está marcada para este final de semana, sábado, 27 de setembro. Para quem não nunca ouviu falar do festival de música eletrônica e pensa que o nome é só uma marca de cerveja, saiba que 40 mil pessoas já disputaram um lugar entre as várias tendas e palco principal no passado.

Eu acompanho o festival desde 2001 e, sinceramente, me desanimei há dois anos atrás.

Em 2006, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, tive meu último reencontro com o festival. Além de ser quase 'pisoteado' na apresentação do Prodigy, tive meu celular afanado e, por pouco, quase fico sem meus documentos. Nunca vi tanta gente caindo de pára-quedas como naquela festa. De acordo com a organização, na época, aproximadamente 55 mil pessoas estiveram presentes no evento. Inventaram até um 'trio elétrico' pra percorrer o passarela do samba. Nada contra o ritmo oficial do Brasil, mas misturar isso em uma festa de música eletrônica é estranho. Nunca vou me esquecer do DJ Marlboro e a Deise Tigrona mandando um funk e dezenas de latinhas de refrigerantes voando em direção à sua cabeça. O pior era o povo correndo atrás do trio se achando em uma micareta.

Prefiro lembrar da edição de 2002, a última realizada no Autódromo de Interlagos. Na minha humilde opinião, a melhor de todas. O pacote era completo: Outdoor Stage [destinado às apresentações ao vivo], Tenda Movement [drum and bass], Tenda The End [techno], Tenda Gatecracher [trance - não confundam com psy], e a Bugged Out! [house]. Tempo bom que não volta mais.

No Outdoor Stage, o que ficou marcado em minha persona [na época com 27 aninhos] foram as apresentações do Kosheen, Groove Armada, Renato Cohen e Mau Mau. O último, aliás, em uma apresentação memorável. Uma aula de techno. Layo & Bushwacka, que vinha em seguida, perdeu a graça.

Mas o melhor de tudo mesmo foi poder conferir de perto grandes nomes da cena house na tenda Bugged Out. A seqüência foi de 'quebrar as pernas': François K., Todd Terry e Erick Morillo. 'Mestre Todd' fez uma apresentação memorável. Ele mesmo disse, ao final do set, que foi um dos melhores locais que ele já havia tocado em toda a sua carreira.

Na edição de 2008, apenas o palco principal, Tenda Skol Beats e Tenda Terra preencherão o espaço do Anhembi - tudo junto e misturado. A dupla do Justice promete ser uma das grandes atrações internacionais, ao lado também de Armin Van Buuren, Steve Angelo e Pendulum. Nada que chegue aos pés daquela edição de 2002.

Repito: bons tempos que não voltam mais.



p.s.: achei um vídeo interessante no Youtube com os melhores momentos da edição de 2002. Confira abaixo:

 

 

Procura-se DJs de psytrance...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O ciclo da música eletrônica, no Brasil, é feito de fases. Já tivemos o techno, o drum and bass, o psytrance... Agora, chegou a vez do famoso 'low/prog'.

É de se espantar o número de DJs de psytrance migrando para os bpms mais baixos. Moda? Oportunismo? Necessidade? Até hoje não cheguei a uma conclusão exata.

Deve-se levar em conta também a questão cultural musical brasileira. Na música eletrônica, o País não conta com um determinado estilo predominante, aquele que há anos se constrói nas bases dos clubs e festas. O Brasil sempre é movido por tendências e modismos.

A mais nova tendência é o minimal techno e o progressive house. DJs de psytrance, com renome nacional, aderiram à nova onda. Festas tradicionais de psytrance destinam boa parte de seu line-up ao 'low/prog'. Alguns DJs chegam até a manter sets nos dois estilos [psytrance e minimal]. Aí vem a pergunta: "Onde está a identidade musical?"

Muitos falam em evolução. Será mesmo? Há cinco anos atrás, não existiam muitos DJs de psytrance na região. Passado algum tempo, o boom foi enorme. Sempre uso uma frase de um colega meu do Sul: "Se você chacoalhar uma árvore na rua, é capaz de cair uns 10 DJs de psy..."  Essa mesma turminha, hoje em dia, está tocando minimal e progressive house.

Imaginem o Carl Cox, Renato Cohen, Murphy, Carlo Dall´anese, Mora, entre outros DJs de techno e house, tocando psytrance. O mundo iria desabar. Os fãs de techno e house são bem mais 'fechados' e não admitem uma mudança drástica destas nas carreiras de seus DJs favoritos.

Por ser a 'porta de entrada' das pessoas na música eletrônica, o psytrance acaba se prejudicando por não formar um público cativo. É claro que existem as pessoas fiéis ao estilo, mas, infelizmente, são a minoria.

A cena psytrance, há tempos, não é mais a mesma. O público está decaindo cada vez mais. Será que chegou a vez dos DJs?