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'Quem quer ser um milionário?" merece o Oscar

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ainda faltam dois concorrentes ao Oscar de Melhor Filme para eu assistir (“Milk – A Voz da Igualdade” e “O Leitor”), mas já tenho meu favorito na corrida. E é o mesmo das últimas premiações do Globo de Ouro e do Screen Actors Guild Awards (o prêmio que a Associação dos produtores dos EUA dá aos melhores atores do ano, votados pelos próprios): “Quem quer ser um milionário”. 

 
O encontro da história criada pelos indianos Vikas Swarup (romance) e Simon Beaufoy (roteiro) com a direção do inglês Danny Boyle (de “Cova Rasa”, “A Praia” e “Trainspotting”) resultou em um ótimo e original filme, que mistura, em doses harmônicas, a crueza de “Cidade de Deus” e um romantismo doce, quase ingênuo.
 
Desde a primeira cena sabemos que um jovem está prestes a se tornar um milionário no programa de televisão que dá nome ao filme, mas às vésperas da grande final ele tem que convencer os policiais que o torturam de que não chegou tão longe no jogo de perguntas e respostas trapaceando - afinal, de que outra forma um ex-favelado semi-analfabeto teria chegado mais longe do que grandes estudiosos jamais conseguiram?
 
O recurso que o roteiro utiliza para que conheçamos os fatos que o levaram a acertar cada resposta é genial. Na delegacia de polícia, delegado, torturador e vítima assistem juntos ao teipe das gravações do programa até ali. Para cada resposta que o jovem acerta, ele narra um episódio de sua vida que o fez conhecê-la.
 
Nesses flashbacks, a Índia que se vê na tela não é a turística do Taj Mahal, mas a das favelas miseráveis da antiga Bombaim e da zona do meretrício de Mumbai, por exemplo. Por esse submundo circulavam os irmãos Salim e Jamal, que muito cedo perdem a mãe, em um massacre promovido por fanáticos religiosos na favela em que moravam - mesmo massacre que deixou órfã a menina Latika, que forma com os meninos um trio que gostam de chamar de “Os Três Mosqueteiros”.
 
Aos poucos, vamos descobrindo que não foi a ganância que levou Jamal ao jogo, mas um motivo muito mais humano e romântico (ai, ai...).
 
Paquera antiga
 
“Quem quer ser um milionário” está sendo festejado pela imprensa como “o” encontro de Bollywood (o cinema de entretenimento indiano) com Hollywood, mas a comunidade cinéfila sabe que esta paquera entre o cinema ocidental e a cultura indiana não é nova, como o provam os filmes “Driblando o destino”, “A Noiva e o Preconceito”, “O Sabor da Magia” e “Nome de Família”, entre outros (falo sobre isso em uma próxima postagem, com direito a comentários sobre as melhores produções em que assisti a cultura indiana confraternizar com o cinema ocidental).
 

A maior diferença entre “Quem quer ser um milionário?” e os filmes citados acima é o mergulho total que este faz no cotidiano indiano no que ele tem de mais realista - todo rodado nas partes mais pobres de cidades indianas, o filme tem grande parte dos diálogos falados no idioma local.

 

 Assista a trailer abaixo 

 

POSTAGENS RELACIONADAS: O curioso caso de Benjamin Button”, “Frost/Nixon”, "O Leitor"; "Milk - A Voz da Igualdade"

Bingo!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Eu deveria imaginar que seriam meus colaboradores mais assíduos a acertarem a última pegadinha que propus, de identificar o intérprete do "rapaz" aí ao lado:

 

 

 

 

 

 

É isso aí Marcinha e Eduardo, trata-se da talentosíssima Katherine Hepburn. E o Du lembrou-se mais do que eu, do título original ("Sylvia Scarlet") e do que esta produção da década de 30 recebeu no Brasil ("Vivendo em dúvida").

 

Valeu pela participação de sempre, queridos!

‘Frost/Nixon’ flerta com documentário para salvar ritmo

domingo, 25 de janeiro de 2009

Talvez tenha sido injusto para com os outros quatro concorrentes ao Oscar de Melhor Filme deste ano que eu tenha conseguido assistir primeiro ao lindo “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O resultado foi que o primeiro pensamento que me veio à cabeça após ver outro concorrente, “Frost/Nixon”, foi: “‘...Benjamin Button’ é muito melhor”.

 

Mas a verdade é que não cabe este tipo de comparação (melhor/pior) entre filmes tão diferentes. “...Benjamin ...” é uma fábula romântica, o que pressupõe história fantasiosa, romance –claaaro- e clima onírico garantido por uma linda fotografia, cheia de filtros.
 
Já “Frost/Nixon” é um filme tão comprometido com a realidade que chega a utilizar recursos de documentário –como depoimentos dos personagens falando direto para a câmera, por exemplo – para narrar o que rolou antes, durante e após a histórica série de entrevistas que Richard Nixon concedeu ao então apresentador David Frost, pouco tempo após sua renúncia da presidência dos Estados Unidos e ainda assombrado pelas repercussões do caso Watergate.
 
O clima documental presta-se tanto a contextualizar a disposição de espírito do povo americano à época, representada na indignação que um dos produtores de David Frost “cospe” para a câmera em seu depoimento, quanto a mostrar o quanto a histórica entrevista esteve perto de prestar-se a veículo de redenção para um Nixon ávido por recuperar a simpatia pública – o perdão da Justiça ele já havia conseguido.
 
Os depoimentos tentam ainda valorizar a “grande visão” de Frost –que começou bancando sozinho os arranjos para as entrevistas - ao mesmo tempo que, contraditoriamente, confirma a ironia de ter sido ele, um apresentador nada engajado, mais afeito a badalações que a debates políticos, o responsável por dar ao povo americano o mea culpa que todos esperavam.
 
Os recursos eram mesmo necessários, pois, até o momento em que, por sorte, o próprio Nixon injeta em Frost a gana necessária para este se preparar à altura de um entrevistador capaz de encurralar a “raposa velha” –até então Nixon estava fazendo picadinho de Frost nas gravações-, o filme corre frouxo, como se ainda nem tivesse começado.
 
É na terceira e última parte que o clima esquenta e muito graças à atuação memorável do experiente Frank Langella, irretocável na pele de Nixon (não me admirarei se o Oscar de Melhor Ator for para ele, que domina as cenas). Se há um momento que vale o filme inteiro é aquele em que Nixon decide confessar sua “vergonha” diante das câmeras.
 
Mesmo assim, não é um filme para emocionar ou mesmo capaz de promover catarse –morno demais para tanto- e talvez tenha sido indicado ao Oscar mais pela importância histórica do episódio que reproduz do que por mérito próprio. Pelo menos é meu palpite.

POSTAGENS RELACIONADAS: O curioso caso de Benjamin Button”, “Quem quer ser um milionário”, "O Leitor"; "Milk - A Voz da Igualdade"

Pegadinha cinéfila

sábado, 24 de janeiro de 2009

Esta pegadinha é uma contribuição de outro amigo cinéfilo, José Pedro Antunes.

 

Se você adora, como nós, o velho cinemão hollywoodiano, conhece bem a celebridade aí ao lado.

 

Mas vai ter que provar! De quem se trata? Dê seu chute...

 

Dou a ficha completa numa próxima postagem.

 

Até...

 

 

  

 

Oscar: os indicados

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

 

Não pensei que chegaria o dia em que acharia justa uma indicação a qualquer prêmio de Melhor Ator para Brad Pitt. Justiça seja feita, o moço sempre se esforçou, até se enfeiando para papéis que iam contra a aura de galã que sua aparência teima em colar nele (vide “Snatch, Porcos e Diamantes” e “Os Doze Macacos”).

Mas desta vez achei merecida sua indicação ao Oscar pelo papel principal de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, e o fato de parecer que ele nem se esforçou tanto (sua atuação é plácida, contida, sem as caretas de seu personagem esquizofrênico de ‘”Doze Macacos”, por exemplo) é mais uma prova de que atingiu a medida.
Dos demais concorrentes na mesma categoria que Pitt, só posso opinar sobre Frank Langella, indicado por “Frost/Nixon” –um dos poucos filmes entre os mais indicados que já consegui assistir. Langella é páreo duro não apenas pelo papel de Nixon neste filme, mas por todo o conjunto de uma carreira de respeito, mas que passou até hoje sem muitos mimos e reconhecimentos por parte de Hollywoood (e mamãe academia adora premiar seus filhos pródigos... vai saber!!!). De qualquer forma, é um ótimo ator veterano.
Ainda não vi “O Leitor”, que deu o Globo de Ouro de Melhor Atriz a Kate Winslet e lhe valeu mais esta indicação na categoria de Melhor Atriz, mas sempre torço por ela, que considero talentosíssima – inclusive na escolha dos filmes que faz.
Os indicados a Melhor Filme não são surpresa, já que concorreram em vários prêmios no Globo de Ouro. Como só assisti a dois dos cinco, prefiro reservar minha torcida para quando tiver opinião formada sobre todos.
Só posso adiantar que adorei os dois que assisti: “O Curioso Caso de Benjamin Button” (assunto de minha última postagem) e “Frost/Nixon” (aliás, adoro tudo o que o diretor Ron Howard faz).
Prometo novos comentários assim que me inteirar de mais concorrentes das categorias principais. Reproduzo a lista abaixo:
 
Melhor filme
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire )
 
Melhor atriz
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)
 
Melhor ator
Richard Jenkis (The Vistor)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)
 
Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Marisa Tomei (The Wrestler)
 
Melhor ator coadjuvante
Ribert Downney Jr. (Trovão Tropical)
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Josh Brolin (Milk)
Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho)
 
Melhor diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire ))
Stephen Daldry (O Leitor)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Gus Van Sant (Milk)
 
Melhor roteiro original
Frozen River
Simplesmente Feliz
Na Mira do Chefe
Milk
Wall-E
 
Melhor roteiro adaptado
O Curioso Caso de Benjamin Button
Dúvida
Frost/Nixon
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire )