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"A Troca": Angelina Jolie enfrenta os ônus de ser bela

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Como todos os filmes de Clint Eastwood, “A Troca”, que rendeu a Angelina Jolie uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz este ano, conta grande ótima história. Não tão entranhada como “Sobre meninos e lobos” nem tão dramática quanto “Menina de Ouro”, mas obrigatória, na medida em que localiza no contexto social dos anos 20 as forças contra as quais uma mãe sozinha teve que lutar para que as autoridades descobrissem o destino de seu filho, desaparecido de dentro de sua casa.

 

No papel dessa “mãe coragem”, Angelina Jolie questiona policiais corruptos e conquista a opinião pública, mas um fenômeno estranho me impede de entrar completamente no espírito da personagem.
 
Percebi só ao final do filme que o tempo todo não era a mãe que eu acompanhava durante todo o filme, mas à atriz Angelina Jolie interpretando esta mãe. Quando ela grita com a criança que lhe deram no lugar de seu filho verdadeiro ou insulta o psiquiatra que a mantém encerrada em um manicômio não consigo deixar de pensar “como ela está bem no papel”. Diferente do que pensei, por exemplo, quando assistia à freira de Meryl Streep em “A Dúvida” (falo sobre este filme numa próxima postagem): “Que mulher odiosa”.
 
A questão é que em “A Troca”, apesar do bom desempenho de Jolie, não conseguia me desvencilhar do fato de que o tempo todo era ela ali, ao passo que em qualquer filme de Meryl Streep simplesmente esqueçamos de que se trata de uma atriz interpretando uma personagem. Streep nos faz realmente acreditar que é outra pessoa, capturando-nos nesta viagem que deve ser “assitir a um bom filme”.
 
Tentei refletir o que, afinal, me impedia de embarcar nas personagens de Jolie, apesar de seu bom desempenho, e a única explicação que encontro, com a ajuda de meu marido –como qualquer homem, um admirador dela-, é que ela é bela demais e tem personalidade demais para que esqueçamos tão facilmente de quem está ali travestida de outra personagem. Principalmente para a platéia masculina, é difícil esquecer a quem pertencem aqueles olhos claros "agateados" e a boca voluptuosa. 
 
Acaba que estas qualidades acabam sendo um ônus para a atriz - injusto, já que a dificuldade é mais de quem a assiste e não da atriz, que, percebe-se, doou-se para o papel, mas ainda um ônus.
 
De minha parte, nada que não possa ser revisto, mas ao menos fornece uma explicação para o fato dela ter perdido o Oscar para Kate Winslet, fantástica no papel de uma alemã analfabeta que seduz um jovem. Mas combinemos então que Kate Winslet, como Meryl Streep, também tem personalidade, mas isso não impede que embarquemos em seus personagens.

Oscarinélides

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Resolvi de última hora comentar cada prêmio de meu interesse no Oscar 2009 ,em tempo real. Fica o registro: 

 

- UAU! Mostrando como ganhou a vida antes de ser descoberto pelo cinema (foi ator de musicais no teatro), Hugh Jackman parodia os indicados ao Melhor Filme. Tudo bem, ele pode tudo! Não é meninas?

 

- A academia adora Penelope Cruz. Eu também, mas acho que desta vez  Viola Davis merecia mais o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (as outras concorrentes eram Amy Adams e Viola Davis, por "Dúvida", e Marisa Tomei, por "O Lutador"). Linda homenagem feita por Eva Marie Saint, Whoopi Goldberg, Goldie Hawn, Anjelica Huston e Tilda Swinton às indicadas;

 

 

- O primeiro prêmio da noite para "Milk - A Voz da Igualdade" foi para Dustin Lance Blanck pelo Melhor Roteiro Adaptado;

 

- O primeiro prêmio da noite para "Quem quer ser um milionário" foi para Simon Beaufoy, pelo roteiro original. Merecido! Uma bela obra de engenharia narrativa.

 

- "Wall-E" recebeu o Oscar por Melhor Longa de Animação, mas é tão bom que merecia ter concorrido na categoria principal;

 

- Primeiro Oscar da noite para "O Curioso Caso de Benjamin Button" foi pela Melhor Direção de Arte. Ao menos nesta festa o filme de David Fincher não sairá sem nada, como no Globo de Ouro;

 

- Provavelmente o único Oscar da noite para "A Duquesa": figurino;

 

- Segundo Oscar da noite de "O Curioso caso de Benjamin Button" foi para a maquiagem. Será que o filme ficará só com os prêmios das categorias técnicas?

 

- Robert Pattinson, de "Crepúsculo", adotou um visual vampiresco, com direito a costeletas e cabelos em pé, para apresentar o clipe com os romances do ano em hollywood ao lado de Amanda Seyfried, de "Mamma mia"

 

- Ben Stiler jura que é engraçado. Acho que não alcanço o humor americano. Ele e a gracinha Natalie Portman apresentaram o Oscar de Melhor Fotografia, que foi para "Quem quer ser um milionário" (2º da noite);

 

- OK. É oficial. Hugh Jackman segura qualquer mico. E eu nem sou tão fã de musicais, mas vê-lo dançar dentro de uma smoking cantando trechos de clássicos musicais... hummm... que Beyoncé que nada! Só deu ele!!!

 

- Christopher Walker, Alan Arkin, Kevin Kline, Cuba Gooding Jr. e Joe Grey fizeram outra emocionante homenagem aos indicados ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Phillip Seymour Hoffman, por "Dúvida"; Josh Brolin, por "Milk"; Robert Downey Jr., de "Trovão Tropical"; Michael Shannon, de "Foi apenas um sonho"; e Heath Ledger, do injustiçado "Batman - O Cavaleiro das Trevas" - TOMARA QUE SEJA ELE!!!!!).

YESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!! O prêmio mais merecido da noite: Heath Ledger como melhor ator coadjuvante. Sua família recebeu a estatueta por ele. Que perda!!!

 

- Terceiro prêmio para "O curioso caso de Benjamin Button" (mais um técnico): Melhores Efeitos Visuais;

 

- Pelo menos mais um Oscar para o injustiçadíssimo "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (grande ausência na disputa da categoria principal, de Melhor Filme): Melhores efeitos de som;

 

- Terceiro Oscar para "Quem quer ser um milionário" foi para Melhor mixagem de som;

 

- Quarto Oscar para "Quem quer ser um milionário" foi pela Melhor montagem;

 

- Que prazer rever Jerry Lewis, aos 82 anos, ainda carismático e conservando os traços de garoto crescido que vi tantas vezes em filmes da Sessão da Tarde! Ele foi homenageado com o prêmio Jon Henderson por sua benemerência junto a crianças portadoras de deficiências. Merecia também uma homenagem por sua carreira artística, pouco reconhecida nos EUA, mas consagrada no resto do mundo.

 

- "Quem quer ser um milionário" leva o quinto Oscar pela Melhor Trilha Sonora. É a noite dele!

 

- Sexto Oscar para "...Milionário": Melhor canção. Estranho! A de Peter Gabriel, para "Wall-E", era melhor. Cheira a revanchismo por Gabriel ter se recusado a apresentar uma versão reduzida de sua música na cerimônia;

 

- Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira vai para "Departures" (Partidas), do Japão; primeiro prêmio para este país em quase 30 anos de cerimônia;

 

- O Oscar de Melhor Diretor, como previsto, foi para Danny Boyle, sétimo para Quem quer ser um milionário". Confesso que não gosto muito de sua filmografia, mas ADOREI este filme em particular. Espero que seja um prenúncio de que a produção também levará o prêmio principal, de Melhor Filme;

 

- Nova homenagem, desta vez às indicadas ao Oscar de Melhor Atriz feita por Sophia Loren, Shirley McLaine, Nicole Kidman, Marion Cotillard e Halle Berry (Anne Hathaway, por "O Casamento de Rachel"; Melissa Leo, por "Rio Congelado", Meryl Streep, por "Dúvida"; Angelina Jolie, em "A Troca"; e Kate Winslet, em "O Leitor" - minha preferida!!!).

MERECIDO!!!!!!!!!!!!!!!! Após seis indicações, Kate Winslet finalmente recebe o Oscar de Melhor Atriz!

Adorei ela ter pedido para os pais assobiarem para saber onde eles estavam sentados, pedido atendido prontamente. Também amei o modelo de seu vestido Yves Saint Laurent, embora a cor fosse meio "morta";

 

- Adrien Brody, Michael Douglas, Anthony Hopkins, Robert De Niro e Ben Kingsley homenagearam os candidatos a Melhor Ator: Frank Langella, por "Frost/Nixon"; Sean Penn, de "Milk..." (minha torcida vai para ele); Richard Jenkins, por "O visitante"; Brad Pitt, por "O curioso caso de Benjamin Button"; e Mickey Rourke, de "Lutador".

DEMAISSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!! Como no Globo de Ouro, Sean Penn é aplaudido de pé ao ser anunciado como o ganhador do Oscar de Melhor Ator. GRANDE!!!;

 

- Como previsto, o prêmio principal de Melhor Filme foi, merecidamente, para "Quem quer ser um milionário". Pela primeira vez em muitos anos termino o Oscar satisfeita com a maioria dos resultados. Quem quiser saber porque minha torcida foi para o filme de Danny Boyle pode ler minha postagem sobre ele clicando aqui.

 

Valeu!

 

POSTAGENS RELACIONADAS: O curioso caso de Benjamin Button”, “Quem quer ser um milionário”, “Frost/Nixon”, "O Leitor"; "Milk - A Voz da Igualdade"

Tapete vermelho

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Meus looks preferidos no tapete vermelho do Oscar 2009:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amy Adams, de "Dúvida", e Evan Rachel Wood, de "Lutador" (e para quem se lembra, "Across the universe"). A cor da noite foram várias nuances do gelo, do branco ao creme.

 

O nazismo pelos olhos de uma criança

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cena de 'O menino do pijama listrado': ingenuidade e nazismo

 

Chamem de inconsciente coletivo do cinema ou simplesmente oportunismo a atual onda de filmes que busca rever o nazismo de pontos de vistas de protagonistas incautos, inocentes, como “Um homem bom”, por exemplo - que mostra a perspectiva de um cidadão de bem seduzido pelo regime do fuher -, e “O menino do pijama listrado”, que assisti semana passada.
Neste último, a perspectiva é a de um garoto de oito anos de idade, que curte feliz a alienação da infância em um bairro nobre de Berlim. Quando seu pai - um militar do qual ele muito se orgulha - é promovido, a família toda se muda para uma região rural. Ali está instalado nada menos que um dos campos de concentração do nazismo, que será gerenciado pelo pai.
Seu contato com uma realidade até então impensável para sua família perfeita se dará através de uma cerca, à margem da qual ele passa a encontrar, todos os dias, um menino mais ou menos de sua idade que, a exemplo dos demais habitantes daquela estranha “fazenda”, só veste pijamas.
Aos poucos ele descobre que os “fazendeiros” não estão ali por escolha, mas como punição por serem judeus, delito cuja gravidade ele jamais entenderá a extensão.
Como em “A Culpa é do Fidel”, o tempo todo o ponto de vista que prevalece é o da criança. Nós, espectadores, sabemos o que cada pista que o menino pesca da realidade à sua volta significa, mas somos forçados a acompanhar pacientemente suas descobertas, o que acaba sendo instrutivo (qualquer novo ângulo de um mesmo problema é revelador).

O desfecho é dramático, como é de se esperar em qualquer filme que toque, ainda que superficialmente, o tema do holocausto.

Cinema ocidental e cultura indiana: esta paquera é antiga

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Já havia citado em minha postagem sobre o ótimo “Quem quer ser um milionário” que o encontro entre Bollywood (o cinema de entretenimento indiano) e o cinema ocidental, tão festejado pela imprensa por ocasião desta produção, não é tão novidade assim. Para provar, relaciono abaixo quatro filmes que assisti nos quais a “paquera” entre a cultura indiana e o cinema ocidental resultaram em bom entretenimento (em minha opinião, claro...rs).

 

“Driblando o destino”, de 2003, tem produção e atores ingleses, mas o roteiro e a direção são assinados por indianos - ou descendentes de (clique aqui para ler a ficha técnica). Sua maior curiosidade é trazer três atores à época ainda pouco festejados, mas que se tornariam, em poucos anos, verdadeiros “queridinhos da indústria”: Keyra Knightley, ainda na puberdade, aparece aqui de aparelhos nos dentes e ainda em um papel secundário; Pasminder Nagra, que em seguida viria a interpretar a médica Neela Rasgotra do seriado E.R. (“Plantão Médico” no Brasil) ainda era uma ilustre desconhecida e Jonathan Rhys Meyers (de “Ponto Final – Match Point” e “O Som do Coração”) nem sonhava em ser escalado para um papel de protagonista em um filme de Woody Allen.
No filme, a personagem principal é a adolescente Jesminder, filha de uma família indiana radicada em Londres que faz questão de seguir, em seu pequeno e fechado círculo social, os mesmos costumes tradicionais do país natal. Isso tem um custo alto para as filhas, divididas entre a obediência aos pais e a atração exercida pelos costumes mais liberais do país em que cresceram.
Apaixonada por futebol, Jesminder tem no jogador inglês David Bekham seu grande ídolo e quando consegue ser aceita e ter seu talento reconhecido em um time profissional feminino, terá que escolher entre seu sonho e a obediência à família.
 
Jane Austen na Índia
 
No ano seguinte, a mesma diretora de “Driblando o destino”, Gurinder Chadha, assinaria uma adaptação “bollywoodiana” do clássico de Jane Austen “Orgulho e Preconceito”. Sob o título de “A Noiva e o Preconceito”, a co-produção anglo-americana resultou em um misto DIVERTIDÍSSIMO de comédia romântica e musical.
A história, quem curte Jane Austen –ou todas as adaptações cinematográficas já feitas de seus livros- já conhece bem: dois amigos ricos chegam à cidade e viram alvo de uma mãe ávida para casar algumas das suas quatro filhas solteiras. No caso de “A Noiva e o Preconceito”, a cidade é Nova Delhi, capital da Índia, os amigos são dois advogados –um americano e o outro indiano em férias no país natal- e a mãe a matriarca de uma tradicional família indiana.
 
A atriz indiana Aishwarya Raí foi descoberta pelo cinema ocidental neste filme e voltou a protagonizar outra produção anglo-americana com um pé na Índia no ano seguinte. Em “O Sabor da Magia” (título brasileiro para “The Mistress of Spieces”, este sim homônimo ao livro indiano que inspirou o filme), Gurinder Chadha era apenas um dos produtores, e a direção ficou a cargo do desconhecido Paul Mayeda Berges.
Aishwarya interpreta Tilo, dona de uma loja de especiarias em São Francisco (EUA) que possui o dom mágico de transformar seus ingredientes em poções para curar as pessoas. Porém, ela só mantém o dom se mantiver-se fiel às regras sagradas de nunca provar alguma de suas receitas ou se apaixonar, o que –claro- eventualmente acaba ocorrendo.
 
A força das raízes
 
 
Nome de família”, da indiana Mira Nair, é o único drama desta lista. Sensível, mostra a adaptação de um casal indiano aos Estados Unidos, embora sem abrir mão de sua identidade indiana. Em sua segunda parte, o filme enfoca a segunda geração pelos olhos do filho mais velho, Gogol, que passa a buscar sua própria identidade, tendo que lidar com as tradições de sua família e seu direito de nascença americano, em um primeiro momento rejeitando seu próprio nome e as tradições de família. Uma tragédia familiar o fará aceitar e conciliar sua herança cultural com seu histórico de vida.
O que todos esses filmes têm em comum, além de uma pequena amostra dos costumes e cultura indianos, é um modo de filmar bem diferente do modelo hollywoodiano. As histórias são leves, mas nada superficiais e o ritmo mais lento, porém nem um pouco enfadonho. Convidam à contemplação e à reflexão em cada cena.

Para mim, foram ótimo entretenimento.