CINÉLIDE CINÉLIDE

Que delícia de Sessão da Tarde!

sábado, 30 de maio de 2009

Meu maior colaborador no blog enviou-me, na última semana, o post de um colega blogueiro (Filmes do Chico) sobre alguns dos filmes que viraram habitués das Sessões da Tarde da Globo entre as décadas de 70 e 80. Já disse na primeira postagem deste blog o quanto as Sessões da Tarde deste período foram responsáveis por minha paixão e formação sobre cinema. Foi a época em que a Globo exibiu no horário clássicos supremos da indústria hollywoodiana, que hoje temos sorte se passam na madrugada. (depois destas décadas a Sessão da Tarde só exibiu lixo).

Entre os preferidos do colega Chico estão “Curtindo a vida adoidado”, “Esses homens maravilhosos e suas fantásticas máquinas voadoras”, “Clube dos Cinco” (cult máximo de minha geração), “Febre de Juventude” e “Os Goonies”, com os quais concordo plenamente.
Mas peço licença para também listar meus preferidos da Sessão, que não são poucos. Para vocês terem uma idéia, teve uma hora que tive de estabelecer uma regra restritiva à minha lista, passando a incluir apenas os meus preferidos que constassem na lista dos 500 melhores filmes de todos os tempos do site “65 anos de cinema” (isso foi depois d’eu listar algumas bobagens românticas que emocionaram meu cérebro infantil, como “O Rapaz da Bolha de Plástico” e “Meu filho, meu mundo”, por exemplo).
Para quem aguentar acompanhar, aí segue minha lista de preferidos da Sessão da Tarde, que agrupei por tópicos e subtópicos:
 
DIRETORES HABITUÉS:
 
Frank Capra
A obra de Capra, o cineasta da América otimista do Pós-Depressão, foi muito bem representada na Sessão da Tarde do período 70-80. Meu preferido era:
 
A Felicidade não se compra”: Pra mim não era Natal sem este Frank Capra. Na véspera, um anjo impede um banqueiro do bem de se suicidar e o faz saber como seria a vida em sua cidade se ele nunca tivesse existido.
 
Alfred Hitchcock
Aprendi a admirar o mestre do suspense assistindo a seus maiores sucessos no horário:
 
Um Corpo que cai”: Ex-policial contratado por um amigo para seguir a esposa, que acredita ser atormentada por lembranças de uma outra vida, se apaixona pela investigada e a assiste se matar, mas encontra sua sósia algum tempo depois e passa a desconfiar que são a mesma pessoa.
 
Janela indiscreta: Repórter fotográfico acidentado tenta aplacar o tédio observando seus vizinhos através da lente de sua máquina e acha que pode ter testemunhado um assassinato.
 
 
 
Stanley Donen
Os melhores musicais de Stanley Donen (“Cantando na Chuva”, “Charada”, “Um dia em Nova York”, “Cinderela em Paris”) passaram pela Sessão da Tarde, mas meu favorito era este:
 
Sete noivas para sete irmãos”: Os sete irmãos Pontpee são forçados a se civilizarem quando o mais velho, Adam, chega à fazenda onde eles vivem todos juntos (e porcamente) trazendo Jane Powell como esposa. Ao conhecerem as moças solteiras da cidade, durante um evento beneficente, eles decidem que também querem “roubar” esposas para eles. É um raro exemplo de musical que não pesa nos números musicais. E as coreografias de dança, acrobáticas e vigorosas, são um show à parte.
 
 
EDIFICANTES
 
Ao mestre, com carinho”: Este clássico de James Clavell foi o precursor de todos os filmes edificantes de temática educacional que surgiram depois. Sidnei Poitier vive um engenheiro negro desempregado que decide passar um tempo lecionando até arranjar emprego em sua área. Descobre que terá que ir além do método tradicional de ensino para educar a turma rebelde formada por jovens de um bairro operário de Londres. A canção-título “To Sir, with love”, interpretada pela então cantora escocesa Lulu (uma das alunas no filme) virou hino.
 
Ensina-me a viver: Um jovem depressivo obcecado pela morte e uma mulher de 79 anos apaixonada pela vida se conhecem em um funeral e tornam-se amigos. Aos poucos, Maude (Ruth Gordon) vai ensinando Harold (Bud Cort) a curtir cada momento da vida e que tem direito à sua liberdade, que é tolhida pela mãe dominadora. De forte teor psicológico e com mensagens positivas, o filme foi adaptado de uma peça, remontada recentemente e que está em cartaz no Brasil com Glória Menezes no papel de Maude.
 
Meu filho, meu mundo: Mostra a luta inacreditável de um casal que tenta resgatar o filho autista para o convívio familiar entrando no mundo dele.
 
 
 
 
 
 
"ÁGUA-COM-AÇÚCAR"
 
Castelos de Gelo”: A história da patinadora artística que fica cega após um acidente, mas tenta superar os obstáculos para continuar nos ringues, com o apoio do narmorado de infância, comoveu-me muitas vezes.
 
“O Rapaz na Bolha de Plástico”: Antes de virar ídolo com “Os Embalos de Sábado à Noite”, John Travolta interpretou rapaz com uma rara deficiência imunológica que era obrigado a viver dentro de uma bolha de plástico para não se contaminar e só saía à rua dentro de uma espécie de incubadora. Sua paixão pela vizinha, de quem observa os passos à distância, o faz querer conhecer o mundo.
 
Férias de Amor”: Kim Novak e William Holden encantaram todos os telespectadores românticos nos papéis, respectivamente, de uma adolescente de família e de um desempregado que chega de surpresa a uma pequena cidade americana e acaba sendo o centro das atenções em um evento local. Paixões, ciúmes e sensualidade desfilam no filme, que se passa no espaço de um dia. A cena em que Kim Novak dança totalmente vestida, batendo as mãos acima do rosto e olhando languidamente para Holden, está entre as mais sensuais do cinema.
 
Virtude Selvagem: História do amadurecimento de Jody, um garoto que vive com os pais (Gregory Peck e Jane Wyman) numa área selvagem, na região dos pântanos da Flórida (EUA), quando é forçado a lidar com as perdas.
 
 
SESSÃO DAS LÁGRIMAS
 
Nasce uma estrela: Janet Gaynor vive o diabo tentando realizar seu sonho de tornar-se uma estrela de cinema e, quando consegue, também tem que lidar com o alcoolismo do marido (Fredric March), que acaba se suicidando, levando-a ao desespero.
 
Melodia imortal: Verti muitas lágrimas assistindo à história do pianista Eddie Duchin, que consegue sucesso na carreira em Nova York e se casa com uma herdeira por quem se apaixona, mas ela morre no parto e a partir de então ele não consegue se relacionar com o filho. A relação deles só vai se reestruturar quando o garoto já está com dez anos e com a ajuda de sua babá, mas ele também acaba vítima de uma doença rara.
 
Suplício de uma saudade: Willima Holden em mais um papel romântico vive aqui um jornalista que se apaixona por uma médica asiática (Jennifer Jones com maquiagem oriental nada convincente), que conhece durante uma missão em Hong Kong. Adaptado de livro baseado em história real, fez muitas românticas como eu chorarem rios em frente à TV.
 
  
 
RITA
 
Gilda: Sim! Este famoso clássico, que contém a cena em que Rita Hayworth liquefaz a audiência masculina simulando um streep tease em que tira apenas uma luva (veja abaixo), teve várias reprises na Sessão da Tarde daquela época (aliás, Rita Hayworth também foi uma habitué do horário, principalmente com os musicais que protagonizou ao lado de Gene Kelly ou Fred Astaire). Como Gilda, ela é a mulher do gangster que emprega Glenn Ford, com quem já teve um tórrido e mal resolvido affair. Claro que eles continuam se atraindo e se repelindo na mesma proporção.
 
 
 
COMÉDIA
 
You Can't Run Away From It”: Desculpem se não me recordo do título que esta refilmagem de "Aconteceu Naquela Noite" (originalmente em P&B, com Claudete Colbert e Clarck Gable) recebeu no Brasil. June Allyson interpreta uma herdeira milionária em fuga para se casar, que no caminho esbarra num jornalista (Jack Lemmon) que aceita ajudá-la a encontrar o noivo em troca de escrever uma matéria sobre sua fuga. Durante a viagem, eles se irritam mutuamente e (claro!) se apaixonam .
 
 
Quanto mais quente melhor”: : Nesta comédia de um de meus cineastas preferidos, Billy Wilder, os impagáveis Tony Curtiss e Jack Lemmon se empregam em uma orquestra feminina travestidos de mulher para fugirem à perseguição de um gangster a quem viram assassinar alguém. Ficam “amigas” da vocalista interpretada por Marilyn Monroe, em um dos papéis que a estigmatizaram como “loira-burra-boazinha-e-gostosa”.  

 

 

 
WESTERN
 
Rastros de Ódio”: Um dos mais reverenciados (com mérito) diretores de faroestes, John Ford também teve muitas de suas obras exibidas nas Sessões da Tarde do período. Este filme, que mostra a busca empreendida por anos por dois parentes da única sobrevivente de uma família massacrada por uma tribo comanche, é o meu preferido. John Wayne está em sua melhor forma como um ex-soldado confederado e tio da criança raptada.

 

Amor e (muuuita) música no underground novaiorquino

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Michael Cera e Kat Dennings em 'Uma Noite de Amor e Música'

 

Para quem não tem pudores em admitir que curte bons romances, mesmo quando se passam no universo adolescente, aí vai uma dica: “Nick and Norah’s Infinite Playlist”, que no Brasil recebeu o título de “Uma noite de amor e música (odeio as simplificações e banalizações que os títulos brasileiros imprimem aos filmes de outros países).
 
É um filme da nova geração sim, mas tenho certeza de que agradará a todas, principalmente a quem adora música. A trilha sonora é quase um personagem do filme, que se passa nas partes menos glamourosas de Nova York, não comumente mostradas em filmes e seriados.
 
Na cena underground da metrópole, adolescentes saem curtir a noite buscando pistas do local onde acontecerá um show surpresa da banda independente do momento. Durante a busca, Michael Cera (o pai do bebê de “Juno”), único componente heterossexual da banda Jerk Offs, é levado a passar-se por namorado da colegial Norah na frente da ex-namorada glamourosa, Thris, da qual ainda não conseguiu se desligar.
 
Eles se metem em muitas confusões procurando a amiga bêbada de Norah, que se perde do grupo –formado também pelos impagáveis amigos gays de Nick-, e as pistas para o show surpresa. Enquanto isso, a ex-namorada ciumenta tenta a todo custo recuperar a atenção do ex, que quer manter sob seu fascínio (veja trailer abaixo).
 
 
As situações são divertidas e a forma como a dupla de deslocados Nick e Norah vão descobrindo-se interessantes um ao outro foge a todas as fórmulas babacas e piegas dos romances adolescentes. Os diálogos sobre música vão “ganhar” quem acompanha a cena rock underground de qualquer geração.
 
Abaixo reproduzo a capa e as músicas do CD da trilha sonora, que, infelizmente, não saiu no Brasil. Só dá para importar em sites da internet como o Amazon.com ou o Submarino. Vale a pena dar uma ouvida:
 
1.    Speed of Sound - Chris Bell
2.    Lover - Devendra Banhart
3.    Middle Management - Bishop Allen
4.    Ottoman - Vampire Weekend
5.    Riot Radio - The Dead 60s
6.    Fever - Takka Takka
7.    Xavia - The Submarines
8.    After Hours - We Are Scientists
9.    Our Swords - Band Of Horses
10.  Silvery Sleds - Army Navy
11.  Baby You´re My Light - Richard Hawley
12.  Very Loud - Shout Out Louds
13.  How To Say Goodbye - Paul Tiernan
14.  Last Words - The Real Tuesday Weld
15.  Nick & Norah´s Theme - Mark 
       Mothersbaugh
 

 

Às Shirleys, Rosalbas e Mercedes

terça-feira, 19 de maio de 2009

 * Dedico esta postagem à minha colega de

 yoga Adriana Haddad, que me inspirou o tema

 

 

 

A nacionalidade e a década em que foram apresentadas ao público ocidental são o que a inglesa Shirley, a italiana Rosalba e a brasileira Mercedes têm de diferente. No mais, estas icônicas personagens femininas assemelham-se em quase tudo. A primeira no filme “Shirley Valentine” (de 1989, inspirado em peça homônima), a segunda em “Pão e Tulipas” (2000) e a terceira em “Divã” (brasileiro atualmente em cartaz em Araraquara e também egresso do teatro), as três catalisam frustrações e aspirações de um sem número de mulheres maduras que descobrem-se oprimidas pela própria realidade quando chegam a certa idade.

 

Com suas surpreendentes “viradas de mesa”, elas ofereceram deliciosas catarses a milhões de espectadoras cinemas afora. Assisti-las questionar suas vidas de donas-de-casas e traduzir isso em atitudes e mudanças dentro e fora de si mesmas é redentor.
 
Na pele das atrizes Pauline Collins, Licia Maglietta e Lília Cabral, respectivamente, Shirley, Rosalba e Mercedes empreendem lindas viagens interiores em busca de suas próprias identidades, que perderam enquanto assumiam, incondicionalmente, os papéis de mães e esposas. E vocês sabem, quando o mundo começa a confundir nossa identidade com os papéis que assumimos é quase certo que nós também nos confundiremos (é o que comumente chamamos “crise de identidade”).
 
Shirley e Rosalba resolveram as suas viajando mesmo – literal e figurativamente. A primeira aceitou o convite de uma amiga para passar férias na Grécia após constatar que, para os filhos e o marido, representava pouco mais do que um móvel da casa. E a segunda foi aprender a viver sozinha em Veneza (chato, não?) depois de ter sido esquecida pela família em um posto, durante uma viagem de férias.
 
Já para Mercedes a viagem interior começa de uma forma mais óbvia, no divã de um psicanalista, que ela resolve procurar “por curiosidade”, pois está convencida de ter uma vida feliz.
 
Longe de seus papéis de mães e esposas, as três se auto-conhecem novamente e descobrem-se como seres humanos mais complexos do que aqueles a que os papéis que assumiram durante a vida as reduziram. São mães e esposas, sim –com muito orgulho!-, mas também muito mais...
 
O que é melhor nos três filmes é que essas mulheres não perdem tempo jogando a culpa de suas rotinas alienantes em ninguém - nem nos familiares, que mais se beneficiaram disso. Sabem que não há vítimas onde existem escolhas. E foram elas quem escolheram seus papéis e, em algum momento, deixaram-se confundir com eles.
 

Shirley, Rosalba e Mercedes preferiram agir sem ódios nem rancores e mudaram suas vidas porque descobriram que podem escolher sempre. Escolheram ser inteiras.

 

 

 

Veja trailer do brasileiro "Divã":

 

 

'X-Men Origens: Wolverine' é só mais um filme de ação

terça-feira, 12 de maio de 2009

Fã que sou da série “X-Men", estava ansiosa para assistir ao último produto da franquia, “X-Men Origens: Wolverine”, com a história pregressa do herói da série. Assisti, mas o filme não me ganhou como os antecessores, apesar de reunir os principais requisitos de um eficiente filme de ação e ficção científica - um galã lindo, viril e carismático; efeitos especiais de última geração e uma história bem amarrada (apesar de improvável como a maioria das ficções científicas).

 

Para mim, faltou o ingrediente que mais me entusiasmou na trilogia que o antecedeu: uma ou mais questões filosóficas propostas –ou provocadas- por cada trama.

 

 "X-Men – O Filme” nos apresentou pela primeira vez os vários lados de um impasse social. Em um futuro próximo, pessoas cuja carga genética pularam um degrau à frente na escada evolucionária humana são dotadas de algum dom ou poder especial. Chamadas mutantes, elas são temidas pela sua diferença e, por isso mesmo, segregadas, discriminadas, como todas as minorias antes delas na história da humanidade.

 
Os três filmes da série mostram como diferentes mutantes lidam de diferentes formas com o preconceito de que são vítimas. Na escola para superdotados do Professor Xavier, jovens mutantes são estimulados a compreender o medo que causam e a lidar com a discriminação pelo caminho da tolerância. Fora dali, o temível Magneto, mutante com a capacidade de manipular qualquer metal interpretado pelo excelente Ian McKellen (o Gandalf de “O Senhor dos Anéis”), lidera revoltosos na criação de planos para arrasar com a humanidade que os humilha.
 
Entre essas duas vertentes, aparece a figura do herói solitário Logan-Wolverine, mutante indestrutível graças ao seu poder de regeneração e a um esqueleto forjado de um metal não encontrado na natureza terrestre, o adamantium. Um mistério ronda sua história, que ele mesmo é incapaz de lembrar.
 
Enquanto os humanos “normais" votam leis que violam os direitos individuais dos mutantes (qualquer semelhança com a neurose ”pós-11desetembro” que acometeu os EUA não é mera coincidência), nos bastidores as duas facções de "enjeitados" travam uma batalha atrás de outra, às vezes em lados opostos –quando a turma de Xavier defende os humanos da turma de Magneto, que quer o extermínio deles-, outras vezes lado a lado, quando têm que defender toda a Terra de uma ameaça em comum. No meio disso tudo, Wolverine encontra tempo para flertar com a professora com poderes telecinéticos interpretada por Famke Janssen.
 
Cada sequencia com mais imaginação, os três filmes sustentam discussões ricas sobre como lidar com “o diferente que ameaça”. O segundo acrescenta vários pontos de interrogação à história de Wolverine com o aparecimento do vilão Strikker. O terceiro, além de apresentar uma escolha difícil aos mutantes, com a descoberta de uma vacina que faz regredir seus dons, ganha toques de tragédia com a liberação do lado obscuro da personalidade da telecinética de Famke Janssen - a esta altura o grande amor de Wolverine.
 

Nenhuma das questões filosóficas levantadas - como proceder diante do diferente? (atacando para se defender? Tentando a convivência pacífica? Ficando longe?”); “Como se posicionar sendo diferente?” (vingando-se da segregação? tentando compreender o medo? tentando mostrar que não oferece perigo?); “aceitar ou negar a própria diferença?” - tem uma só resposta e nenhuma das respostas possíveis é simples ou fácil. Reside nisso toda a riqueza da série, que desperta a reflexão, nos incita a nos imaginar nos papéis dos personagens, nos faz pensar e encontrar analogias dessas situações em nossa vida real.

 
Lembro-me de uma cena de “X-Men 2” em que um jovem aluno da escola de Xavier decide contar aos pais que tem dons mutantes. “Pode ser consertado?”, “É algo que você pode escolher não ser?”, perguntam os pais após o filho “sair do armário”. Acredito que isso tenha lembrado a muitos gays a ocasião em que revelaram sua opção sexual aos familiares.
 
“X-Men Origens...” (veja trailer abaixo) não propõe muito em que pensar. Sugere fracamente um dilema interior de Wolverine entre ser humano e deixar sua natureza animal aflorar. Nada que encontre similares na realidade ou suscite mais de uma resposta. Em relação aos outros filmes da série, é superficial.
No lugar de uma inteligente e profunda saga de ficção científica, restringe-se a “mais um” filme de ação como as centenas de outros que Hollywood lança todos os meses. Uma pena, já que alguns de nós não quer só “diversão e arte”... quer também pensar enquanto se diverte.
 
 

 

'Feios irresistíveis': James McAvoy

quinta-feira, 7 de maio de 2009

 

Ele é magricela, pálido, tem olhos de “peixe morto” e é mais baixo do que a média masculina dos galãs cinematográficos. Mas assista-o em cenas violentas, emocionalmente intensas ou de diálogos fortes, como a da explosão de ódio com a personagem de Romola Garay, em “Desejo e Reparação”. De repente o tamanho e os traços não têm a menor importância.

 

As que só notam a aparência que me desculpem, mas atitude, postura, presença de cena, para mim, são fundamentais e isto o britânico (nascido na Escócia) James McAvoy tem de sobra. Hollywood já descobriu isto ou não teriam julgado seu 1,70m à altura da deusa Angelina Jolie, com quem ele protagoniza muitas cenas de ação e algumas mui calientes no thrillerProcurado”.
 
Como muitos atores ingleses, McAvoy começou na TV e estreou no cinema em pequenos papéis. Seu primeiro protagonista de destaque foi o de “Desejo e Reparação”, em que faz par com outra “queridinha” da indústria –esta inglesa-, Keyra Knightley.
 
 
 
Ah, a cena do café, quando ambos se encontram por breves momentos após anos sem se verem... Difícil cena em que ele tem que passar ao público que tenta camuflar um espírito alquebrado com uma atitude distante com o objetivo de desobrigar a amada de qualquer promessa que a prenda a ele. McAvoy passa um sentimento com os olhos (confira na foto acima) e uma intenção diferente com a voz e os gestos, enquanto os músculos do rosto sustentam uma máscara distante. A careta de choro que ele deixa calculadamente escapar desta máscara sugere a luta interior do personagem, entre sua dor e a intenção de escondê-la. Apesar de sensível e dolorida, nada na cena é derramado. Ao contrário. No melhor estilo inglês, as emoções são sugeridas, mas nem por isso se subestima sua intensidade.
 
Depois disso, James McAvoy não parou mais de receber papéis de galã, como o Mr. Lefroy, o apaixonado de Jane Austen na biografia ficcional da escritora, que no Brasil recebeu o título de “Amor e Inocência”. Preciso dizer que sua postura no filme nos faz esquecer que ele é mais baixo que a heroína de Anne Hathaway (aliás, fantástica no papel).
 
No misto de comédia romântica e conto de fadas cinematográfico “Penélope” - um romance completamente fora dos padrões da indústria, que só por isso já merece ser visto-, ele faz um viciado em jogatina contratado para dar um golpe na personagem-título (Christina Ricci impagável com nariz DE PORCO!!!!!!!!!). Claro que ele acabará se apaixonando por ela, que acaba lhe ensinando algumas lições sobre coragem e auto-estima.
 
Desafio você a não ver o que eu vejo neste escocesinho após conferir as atuações citadas. Aguardo retornos a respeito.