Meu maior colaborador no blog enviou-me, na última semana, o post de um colega blogueiro (Filmes do Chico) sobre alguns dos filmes que viraram habitués das Sessões da Tarde da Globo entre as décadas de 70 e 80. Já disse na primeira postagem deste blog o quanto as Sessões da Tarde deste período foram responsáveis por minha paixão e formação sobre cinema. Foi a época em que a Globo exibiu no horário clássicos supremos da indústria hollywoodiana, que hoje temos sorte se passam na madrugada. (depois destas décadas a Sessão da Tarde só exibiu lixo).
Entre os preferidos do colega Chico estão “Curtindo a vida adoidado”, “Esses homens maravilhosos e suas fantásticas máquinas voadoras”, “Clube dos Cinco” (cult máximo de minha geração), “Febre de Juventude” e “Os Goonies”, com os quais concordo plenamente.
Mas peço licença para também listar meus preferidos da Sessão, que não são poucos. Para vocês terem uma idéia, teve uma hora que tive de estabelecer uma regra restritiva à minha lista, passando a incluir apenas os meus preferidos que constassem na lista dos 500 melhores filmes de todos os tempos do site “65 anos de cinema” (isso foi depois d’eu listar algumas bobagens românticas que emocionaram meu cérebro infantil, como “O Rapaz da Bolha de Plástico” e “Meu filho, meu mundo”, por exemplo).
Para quem aguentar acompanhar, aí segue minha lista de preferidos da Sessão da Tarde, que agrupei por tópicos e subtópicos:
DIRETORES HABITUÉS:
Frank Capra
A obra de Capra, o cineasta da América otimista do Pós-Depressão, foi muito bem representada na Sessão da Tarde do período 70-80. Meu preferido era:
“A Felicidade não se compra”: Pra mim não era Natal sem este Frank Capra. Na véspera, um anjo impede um banqueiro do bem de se suicidar e o faz saber como seria a vida em sua cidade se ele nunca tivesse existido.
Alfred Hitchcock
Aprendi a admirar o mestre do suspense assistindo a seus maiores sucessos no horário:
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“Um Corpo que cai”: Ex-policial contratado por um amigo para seguir a esposa, que acredita ser atormentada por lembranças de uma outra vida, se apaixona pela investigada e a assiste se matar, mas encontra sua sósia algum tempo depois e passa a desconfiar que são a mesma pessoa.
“Janela indiscreta”: Repórter fotográfico acidentado tenta aplacar o tédio observando seus vizinhos através da lente de sua máquina e acha que pode ter testemunhado um assassinato.
Stanley Donen
Os melhores musicais de Stanley Donen (“Cantando na Chuva”, “Charada”, “Um dia em Nova York”, “Cinderela em Paris”) passaram pela Sessão da Tarde, mas meu favorito era este:
“Sete noivas para sete irmãos”: Os sete irmãos Pontpee são forçados a se civilizarem quando o mais velho, Adam, chega à fazenda onde eles vivem todos juntos (e porcamente) trazendo Jane Powell como esposa. Ao conhecerem as moças solteiras da cidade, durante um evento beneficente, eles decidem que também querem “roubar” esposas para eles. É um raro exemplo de musical que não pesa nos números musicais. E as coreografias de dança, acrobáticas e vigorosas, são um show à parte.
EDIFICANTES
“Ao mestre, com carinho”: Este clássico de James Clavell foi o precursor de todos os filmes edificantes de temática educacional que surgiram depois. Sidnei Poitier vive um engenheiro negro desempregado que decide passar um tempo lecionando até arranjar emprego em sua área. Descobre que terá que ir além do método tradicional de ensino para educar a turma rebelde formada por jovens de um bairro operário de Londres. A canção-título “To Sir, with love”, interpretada pela então cantora escocesa Lulu (uma das alunas no filme) virou hino.
“Ensina-me a viver”: Um jovem depressivo obcecado pela morte e uma mulher de 79 anos apaixonada pela vida se conhecem em um funeral e tornam-se amigos. Aos poucos, Maude (Ruth Gordon) vai ensinando Harold (Bud Cort) a curtir cada momento da vida e que tem direito à sua liberdade, que é tolhida pela mãe dominadora. De forte teor psicológico e com mensagens positivas, o filme foi adaptado de uma peça, remontada recentemente e que está em cartaz no Brasil com Glória Menezes no papel de Maude.
“Meu filho, meu mundo”: Mostra a luta inacreditável de um casal que tenta resgatar o filho autista para o convívio familiar entrando no mund
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o dele.
"ÁGUA-COM-AÇÚCAR"
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Castelos de Gelo”: A história da patinadora artística que fica cega após um acidente, mas tenta superar os obstáculos para continuar nos ringues, com o apoio do narmorado de infância, comoveu-me muitas vezes.
“O Rapaz na Bolha de Plástico”: Antes de virar ídolo com “Os Embalos de Sábado à Noite”, John Travolta interpretou rapaz com uma rara deficiência imunológica que era obrigado a viver dentro de uma bolha de plástico para não se contaminar e só saía à rua dentro de uma espécie de incubadora. Sua paixão pela vizinha, de quem observa os passos à distância, o faz querer conhecer o mundo.
“Férias de Amor”: Kim Novak e William Holden encantaram todos os telespectadores românticos nos papéis, respectivamente, de uma adolescente de família e de um desempregado que chega de surpresa a uma pequena cidade americana e acaba sendo o centro das atenções em um evento local. Paixões, ciúmes e sensualidade desfilam no filme, que se passa no espaço de um dia. A cena em que Kim Novak dança totalmente vestida, batendo as mãos acima do rosto e olhando languidamente para Holden, está entre as mais sensuais do cinema.
“Virtude Selvagem”: História do amadurecimento de Jody, um garoto que vive com os pais (Gregory Peck e Jane Wyman) numa área selvagem, na região dos pântanos da Flórida (EUA), quando é forçado a lidar com as perdas.
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“Nasce uma estrela”: Janet Gaynor vive o diabo tentando realizar seu sonho de tornar-se uma estrela de cinema e, quando consegue, também tem que lidar com o alcoolismo do marido (Fredric March), que acaba se suicidando, levando-a ao desespero.
“Melodia imortal”: Verti muitas lágrimas assistindo à história do pianista Eddie Duchin, que consegue sucesso na carreira em Nova York e se casa com uma herdeira por quem se apaixona, mas ela morre no parto e a partir de então ele não consegue se relacionar com o filho. A relação deles só vai se reestruturar quando o garoto já está com dez anos e com a ajuda de sua babá, mas ele também acaba vítima de uma doença rara.
“Suplício de uma saudade”: Willima Holden em mais um papel romântico vive aqui um jornalista que se apaixona por uma médica asiática (Jennifer Jones com maquiagem oriental nada convincente), que conhece durante uma missão em Hong Kong. Adaptado de livro baseado em história real, fez muitas românticas como eu chorarem rios em frente à TV.
RITA
“Gilda”: Sim! Este famoso clássico, que contém a cena em que Rita Hayworth liquefaz a audiência masculina simulando um
streep tease em que tira apenas uma luva (
veja abaixo), teve várias reprises na Sessão da Tarde daquela época (aliás, Rita Hayworth também foi uma
habitué do horário, principalmente com os musicais que protagonizou ao lado de Gene Kelly ou Fred Astaire). Como Gilda, ela é a mulher do gangster que emprega Glenn Ford, com quem já teve um tórrido e mal resolvido
affair. Claro que eles continuam se atraindo e se repelindo na mesma proporção.
COMÉDIA

“
You Can't Run Away From It”: Desculpem se não me recordo do título que esta refilmagem de "Aconteceu Naquela Noite" (originalmente em P&B, com Claudete Colbert e Clarck Gable) recebeu no Brasil. June Allyson interpreta uma herdeira milionária em fuga para se casar, que no caminho esbarra num jornalista (Jack Lemmon) que aceita ajudá-la a encontrar o noivo em troca de escrever uma matéria sobre sua fuga. Durante a viagem, eles se irritam mutuamente e (claro!) se apaixonam .
“
Quanto mais quente melhor”: : Nesta comédia de um de meus cineastas preferidos, Billy Wilder, os impagáveis Tony Curtiss e Jack Lemmon se empregam em uma orquestra feminina travestidos de mulher para fugirem à perseguição de um gangster a quem viram assassinar alguém. Ficam “amigas” da vocalista interpretada por Marilyn Monroe, em um dos papéis que a estigmatizaram como “loira-burra-boazinha-e-gostosa”.
WESTERN
“Rastros de Ódio”: Um dos mais reverenciados (com mérito) diretores de faroestes, John Ford também teve muitas de suas obras exibidas nas Sessões da Tarde do período. Este filme, que mostra a busca empreendida por anos por dois parentes da única sobrevivente de uma família massacrada por uma tribo comanche, é o meu preferido. John Wayne está em sua melhor forma como um ex-soldado confederado e tio da criança raptada.