Volta e meia alguém me pergunta por que adoro cinema e em cada época da minha vida encontro para mim mesma uma resposta diferente. Muito porque minha relação com o cinema é mais emocional. Não me encaixo numa elite cinéfila que assiste aos filmes com a lente do crítico de arte.
É verdade que, por assistir muita coisa, o nível de exigência sobe. Porque quando você vê muitas vezes as mesmas fórmulas acaba enjoando delas e procurando outras que lhe surpreendam, mais ou menos como um alcoólatra sempre em busca da sensação da primeira dose. A diferença é que, ao contrário deste, a gente acaba encontrando, ainda que em um filme a cada 30 que assistimos, aquela primeira sensação de arrebatamento. E – cara! -... a excitação é tanta que você quer dividir com todo mundo... contar ... explicar o que você viu para além de tal cena, para ter certeza de que todo mundo vai ter acesso àquela “jóia rara” de subtexto.
Fora isso, me realizo plenamente como público e se escrevo a respeito de algum filme, às vezes, é como público que me manifesto. E como tal respondo aqui, novamente, à pergunta primordial, desta vez municiada da memória de todas as vezes em que algum filme me emocionou a ponto de provocar reflexão sobre minha própria vida ou meu modo de pensar.
Quando, adolescente, emocionei-me até as lágrimas ao assistir “
Sociedade dos Poetas Mortos”, achava que era só pela bela história. Foi preciso o distanciamento de décadas para que a adulta que sou entendesse o quanto aquele filme ajudou a adolescente que fui a perseverar nas próprias escolhas. “Encontrar seu próprio caminhar mesmo sendo mais fácil marchar com a maioria do grupo”, era o que estimulava o professor Keating, adoravelmente interpretado por Robin Williams.
É claro que nós escolhemos os filmes que vão nos influenciar, pois não virei uma roqueira
junkie por ter ficado fã de Bete Midler vendo “
A Rosa”. Acredito que as sementes do tipo de pessoa que vamos nos tornando a cada fase da vida estão latentes dentro de todos nós, e as obras de arte só as ajudam a aflorar porque alcançam nosso inconsciente.
Tudo bem, também gostamos de assistir a um musical ou a um “besteirol” de vez em quando pela tal “fuga da realidade”, mas e daí, se podemos refletir sobre o que estamos deixando que o medo faça à nossa vida em sociedade assistindo “
A Vila”, de M. Night Shyamalahn?
E quando uma obra concebida originalmente para “só entreter” ainda consegue, de brinde, fazer a gente pensar... é genial!
Mas pensar sozinhos, sem opiniões que nos instiguem a ver um quadro de outro ângulo... vamos combinar, é chato pacas! Assim, chegamos ao motivo deste blog existir: com ele, quero compartilhar os meus e outros quantos pontos de vistas houverem sobre diferentes obras cinematográficas. Quero dar e receber dicas de filmes, sites e blogs de quem, como eu, é “louco(a) por cinema”.
É claro que, sendo eu jornalista, minhas abordagens serão, inevitavelmente, um pouco impregnadas deste viés informativo. Mas que isso seja antes um fator estimulante do que intimidador para debates que pretendo provocar neste espaço. Aliás, o nome deste blog tem tudo a ver com estes objetivos: CINÉLIDE é uma junção do prefixo cine com o termo lide. Este último tanto pode remeter à forma aportuguesada do lead jornalístico (o primeiro parágrafo de uma matéria, que deve conter as cinco informações essenciais de um fato) como significar “contenda, combate, luta”, segundo definições do dicionário Aurélio (o acento é uma frescura minha).
Conto com a participação de vocês.