"Como saber"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Há um tempo que estou para colocar nesta página o “Poema Enjoadinho”, de Vinícius de Moraes, que motivou o nome deste blog. Não canso de lê-lo e relê-lo, e sempre foi assim, mesmo quando não era mãe.

Meu trecho preferido é quando ele diz assim:

“Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!”

 

Esta parte exprime poeticamente, como só Vinícius sabia fazer, o que é a contradição de ter um filho, de ser mãe ou pai. É lindo, é mágico, é cansativo, traz aborrecimentos, mas é inexplicavelmente belo...

Abaixo, o poema completo e um vídeo, no qual Dina Sfat, com sua Isabel, Regina Duarte, com o primogênito André, e Elis Regina, com João Marcelo, declamam o poema e cantam uma letra adaptada.

 

 

POEMA ENJOADINHO

 

Vinícius de Morais

 

Filhos...Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como o queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filho? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

 

 

As minhas Luluzinhas

terça-feira, 28 de outubro de 2008

 A Lu Lazarini, minha ex-companheira de trabalho e grande amiga, voltou de Londres dia desses. Fui visitá-la no horário do almoço, entre uma pauta e outra, a correção de uma ou outra matéria e o comportamento histérico de alguns repórteres. Conversamos muito sobre a vida em Londres, a vida no Brasil, as novidades, os amores, filhos...

Em determinado momento, ela me disse que voltar era muito estranho, que parecia estar vivendo em um mundo paralelo. Semana passada estava lá, hoje está falando comigo, no Brasil... Depois que saí da casa dela, percebi que eu também estava em um mundo paralelo. Enquanto havia milhões de coisa para fazer naquela sexta-feira, minha mente viajava.
 
Lembrei de uma tarde em que eu e a Lu passamos na Casa da Cultura, pesquisando arquivos para fazer o especial Tribuna sobre o aniversário de 190 anos de Araraquara. Foi muito divertido e enriquecedor, bom para a alma, para o espírito e para o intelecto. Ela é super inteligente e é daquelas pessoas que nos levam a tirar o melhor do mundo.
 
Ela disse que trouxe uma camiseta de Londres para a “Luluzinha”, forma carinhosa que a Lu Lazarini tem de chamar minha Luiza. Estou ansiosa para colocar a camiseta na pequena para lembrar sempre da Lu. Depois, tenho certeza que guardarei o presente, quando não servir mais para a Luiza. A camisetinha ficará lá, pequenina, lembrando-me das minhas Luluzinhas, do tempo em que éramos felizes e de quando eu queria congelar o dia e aproveitar bons momentos para sempre, com as duas...

A palavra mais doce do mundo

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

 

Minha mãe, que se chama Netinha, sempre me dizia que a palavra mais doce do mundo é “mamãe”. Falava isso porque filho vive chamando a mãe quando está em enrascada e acredito que meu pai, que se chama Marcos, também ache que a palavra mais doce é papai. Mas, depois que tive a Luiza, descobri que a palavra mais doce e gostosa de falar é “filho”, no meu caso, “filha”.
Sabe aquela sensação que a gente tem ao comer bombom, que ativa a serotonina, o neurotransmissor da felicidade. É igualzinho... Quando a gente fala “filho”, no meu caso, “filha”, a felicidade vai para o cérebro e uma bronca vira apenas uma chamada de atenção, colocando tudo a perder.
Por isso, quando vou dar bronca, chamo pelo nome, mas quando brincamos e conversarmos, em nossos momentos juntas, não me canso de chamá-la de filha... É a personificação da minha realização como ser humano. É a palavra mais doce do mundo!

Alimentação infantil e o sofrimento das mães

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

 

 O mundo é mesmo muito estranho, enquanto a maioria das pessoas que ficar magérrima, parecendo as modelos de revistas e as atrizes da tevê e do cinema, as mães querem os filhos gordinhos e rechonchudos. Minha neura com o peso da Luiza é tanta (não só com o peso, o desenvolvimento em si, é claro) que até já me rendeu o apelido de “anorexa ao contrário”. Segundo o Richard, meu amigo, eu sou a única mãe que cuja filha está gorda e a vê magra.

 

A alimentação infantil é dramática, em alguns momentos. A pior coisa é colocar comida no prato e o filho não comer, vê-lo ficar doente com freqüência por má alimentação e olhá-lo cada dia mais magrinho perto de outras crianças... No entanto, é bom lembrar que dos 2 aos 8 anos as crianças ficam seletivas, escolhem o que querem e os malabarismos para manter uma alimentação saudável aumentam.

 

Em homenagem ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado no último dia 16, publico algumas dicas da nutricionista Sandra Cury Pinfildi Manfri, do curso de Nutrição da Faculdade Immes-Fafica, e algumas dicas minhas, de coisas que aprendi com o nascimento da Luiza.

 

Dicas da nutricionista:

 

- Hora do almoço é hora de arroz, feijão, verdura, carne e legumes. Para sobremesa, faça salada de frutas, gelatina;

 

As frutas têm milhares de benefícios- A criança come o que o pai e a mãe come. Portanto, dê exemplo;

 

- Fritura não é saudável. Mude a maneira de preparar os alimentos;

 

- Não permita que as crianças comam em frente à televisão;

 

- Sempre que possível, faça as refeições em família. Dê o exemplo de como se alimentar corretamente;

 

- Dê preferência a carnes magras, a frangos sem pele e a peixes pelo menos uma vez por semana. Evite embutidos (lingüiça, salsicha, etc.) porque contêm muito sal e conservantes.

 

- Permita, de vez em quando, que a criança participe da preparação de algum alimento. Isso facilita a aceitação;

 

- Deixe o refrigerante para o final de semana, pois prejudicam a formação dos ovos e tem muito açúcar;

 

- Se uma refeição for rejeitada, não a substitua por guloseimas, iogurtes ou leite. Quando mais tarde a criança estiver com fome, dê o alimento que foi sugerido;

 

- Tente fornecer alimentos variados e coloridos, pois essa é uma maneira prática de suprir os mais diversos nutrientes;

 

- Leites, queijos, iogurtes e coalhadas são muito importantes, ajudam a formar massa óssea na infância e na adolescência e previne osteoporose no futuro;

 

- Estipule horários para as refeições. Lanches podem ser usados, sim, mas prefira os lanches naturais e com menos gordura.

 

Dicas da Cris:

 

- Boa alimentação começa na gestação. É um momento importante para comer de tudo, para se reeducar, afinal, tem estímulo maior que fazer seu filho crescer dentro de você?

 

- Alimente seu bebê exclusivamente no peito até os seis meses. Não, ele não precisa de água nem de chazinho.

 

- O leite materno está na temperatura ideal, não custa nada, ajuda a combater diversas doenças, faz com que o bebê se desenvolva melhor (física, motora e psicologicamente) e não causa intoxicação alimentar.

 

- Durante o aleitamento, evite refrigerantes, açúcar, chocolate e feijão. Causam gases e ajudam, sim, a provocar cólicas no bebê.

 

Luiza tomando leitinho da mamãe- Depois do seis meses, não tenha pressa na introdução de novos alimentos, comece com os suquinhos e frutas. Para se acostumar com o gosto, o alimento deve ser oferecido entre seis e dez vezes à criança.

 

- O almoço e o jantar, ou seja, a comida salgada, só deve ser introduzida depois do 7º mês e aos poucos, quando o bebê já conhecer o gosto das frutas. Tudo aliado ao aleitamento materno.

 

- Peixe e mel não devem ser oferecidos a crianças menores de um ano. Peixe pode causar graves intoxicações alimentares e mel contém a bactéria que provoca o butolismo.

 

- Ofereça as primeiras papinhas com apenas um legume: ou batata, ou cenoura, ou chuchu, ou beterraba, na forma de purê. Isso ajuda o bebê a identificar o sabor de cada coisa. Aos poucos, acrescente outros vegetais e carnes.

 

- A papinha salgada deve sempre conter quatro tipos de alimentos: tubérculos (batata, ou mandioca, mandioquinha, inhame), vegetais (couve, alface, tomate, brócolis, entre outros), grãos (arroz, fubá) e carnes (frango, fígado, carne vermelha).

 

- Reserve um local adequado para a alimentação do bebê (um cadeirão, por exemplo), sempre perto da mesa e, aos poucos, vá fazendo com que ele acompanhe os hábitos dos pais: beba no copo, coma sozinho,

 

- Brincar com a própria comida é saudável. Embora faça sujeira, não reprima a criança.

 

- Adie o quanto puder o acesso à açúcar e refrigerante. Nada de chocolate, nada de salgadinho e sucos, só de frutas doces.

 

- Matricule seu filho em uma escolinha assim que possível ou que se sentir segura. Em grupo, as crianças aceitam melhor outros alimentos.

 

 

As mães levam a culpa de tudo...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Recebi hoje um desses e-mails engraçados que rolam pela internet e resolvi compartilhar... O cartaz é ótimo e coloca, mais uma vez, a mãe no centro do universo como responsável pelos problemas dos filhos.... Também culpava minha mãe, mas hoje, acho uma grande injustiça nos culparem só por sermos "enérgicas" de vez em quando e querermos o melhor para nossos pimpolhos.