Uma boneca de verdade

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O desejo de ser mãe nasceu em mim muito cedo. Acredito que por volta dos 10 anos, quando minha irmã caçula, a Tati, nasceu. Lembro-me da minha mãe anunciando a gravidez, da escolha do nome, do parto e do dia que ela chegou em casa. Teve icterícia e, para sair do hospital, meus pais assinaram um termo de responsabilidade sobre o bebê, atestando que, se ela morresse, a culpa era deles.

Ela chegou uma semana antes da minha primeira eucaristia, com icterícia. Ninguém podia pegá-la, só minha mãe, para dar mamar. O meu sonho de que ela fosse na minha primeira eucaristia caiu por terra. Nem minha mãe foi. Não podia deixar o bebê. Lembro das pessoas indo visitá-la, olhavam-na de longe, assim como eu... Quando ela estava com dez dias de vida, longe do perigo de morrer, minha mãe a tirou do berço e me deixou pegar o bebê no colo um pouquinho. Foi um momento mágico, do qual me lembro até hoje. Uma sensação incrível de felicidade. Peguei na mãozinha dela e ela segurou a minha com muita força (os bebês têm esse reflexo quando recém-nascidos), mas interpretei como sendo um sinal de amizade, de carinho, admiração, dedicação, de amor total e de um relacionamento lindo que se seguiria por muitos anos.as minhas duas princesinhas - titia Tati e Luiza

Hoje, 24 de novembro, ela faz 20 anos e ainda me emociono quando lembro que, naquele dia que a peguei pela primeira vez, de noite, ela chorou e eu fui até o berço, roubei a bebê, levei para minha cama (a de cima da beliche) e dormi com ela. Dei um susto danado nos meus pais, mas tudo tinha mudado: deixei minha bebezinha de plástico para me dedicar diariamente à minha bonequinha de verdade. Quando olho para a mulher que ela se tornou, sinto muito orgulho, de mim e dela, de tudo o que compartilhamos e aprendemos uma com a outra. 

Por isso, hoje, dedico esse post a ela, com um poeminha de Vinícius de Moraes, que diz o seguinte: "não posso, Tati, te juro, não posse viver sem ti/ Tu é meu cantinho escuro/ Meu verso por descobrir". Te amo, princesinha...

 

Redondilhas para Tati

 

Sem ti vivo triste e só
(Bastasse o que já sofri... )
Sem ti sou ermo, sou pó
Sou tristeza por aí...
Sem ti... ah, dizer-te a ti!
Mas se me cerra o gogó
Como se tivesse aqui
Um naco de pão-de-ló!
Sem ti sou pena de Jó
Sou ovo de juriti
Sem ti sou carandaí
Tamandaré, Mossoró
Sem ti sou um qüiproquó
Um oh, um charivari
Sem ti, sou de fazer dó
Sou de fazer dó-ré-mi
Meu benzinho de totó
Meu amor de tatuí.
Mas sou forte não reclamo
Sou bravo como Peri
– Não, mulher, já não te amo!
(É brincadeira, hem, Tati... )
Tati, Tatuca, Tatica
Onde ficou minha tática
Perdi toda a velha prática...
Esta vida é uma titica.
Ah, garota, francamente
Nem sei mais o que pensar
És tu que estás tão presente
Ou eu que fui me casar?
Não posso, Tati, te juro
Não posso viver sem ti
Tu és meu cantinho escuro
Meu verso por descobrir
És meu eterno oxalá
Em terra de alibibi
És meu trecho de Zola
Repassado por Delly
És Totonha, Tatiana
Tereza, e nunca Tati
És extrato de lavanda
Rotulado por Coty
Beatriz?... mas quem és tu
Para Dante abandonar?
Sereis um merci bocu
De praga de pai Exu
Para cima de moá?

Não! Tu és como o penedo
E eu... como a onda do mar
És a sombra do arvoredo
E eu... pastor a descansar
Sou o ouvido, és o segredo
És a luta, eu sou a paz
És Beatriz Azevedo
E eu Vinicius de Moraes.

 

 

Como tornar uma criança leitora?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O prêmio Jabuti de melhor escritor de ficção para o araraquarense Ignácio de Loyola Brandão pelo livro "O menino que vendia palavras" levou-me a refletir sobre algo que me intriga diariamente e que quero ensinar à minha filha: o hábito da leitura. Observando ao meu redor tenho cada vez mais certeza de que o exemplo é a base de tudo. Foi então que me lembrei de um artigo da escritora e professora Ana Miranda, que li na revista Caros Amigos há alguns meses sobre como incutir o hábito da leitura nos nossos pequenos brasileiros.

No artigo, Ana relatava as diversas ações de pais, educadores e do poder público para incentivar o hábito da leitura: novas bibliotecas, salas de leitura, sessões de leitura em sala de aula, visita a livrarias e bibliotecas, contratação de contadores, além do esforço sem tamanho de alguns pais, que mesmo sem dinheiro, acham importante comprar livros para os filhos. Para ela, tudo isso estava sendo inócuo e só duas soluções seria possível - uma campanha em massa de incentivo à leitura, que levasse toda a sociedade a contribuir, a exemplo do que vem sendo feito há anos com questões de saúde e alimentação ou o exemplo diário de pais aos filhos para mostrar-lhes que ler é uma atividade mais que prazerosa.

Como sou mãe, encaixo-me no segundo caso e tenho que dar o exemplo. Busco fazer com minha filha o que ela sugere: livre acesso aos livros (lá em casa, no quartinho dela, os livros são tão acessíveis quanto os brinquedos e é muito bonitinho vê-la escolhendo um deles para brincar, pois ainda não sabe ler); comprar livros juntas (levo-a a livraria para escolher, dentro do meu orçamento, o que quer comprar - é tarefa difícil, pois ela quer sempre os mais caros); ter nosso momento diário de leitura (sempre, à noite, lemos juntas, eu, com minhas revistas e ela, lendo (fingindo ler) os próprios livrinhos); ler para ela (a todo o momento); e o mais importante: mostrar que eu gosto de ler (lá em casa, livro não pode rasgar, não pode riscar, fica à mostra e está em todos os cômodos da casa, até na cozinha). Desta forma, espero conseguir formar mais uma leitora, seja de Ana Miranda, de Ignácio de Loyola, ou de ambos.

* Este blog é atualizado semanalmente.

Pacto pela boa alimentação infantil

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ontem (10 de novembro), o Fernando Laranjeira, meu companheiro de trabalho, indicou-me uma matéria muito legal para o blog que, inclusive, saiu no jornal de hoje. A matéria é sobre uma reunião de especialistas que defendem mudanças na alimentação infantil. A meta é simples: mudar a alimentação de bebês, crianças e adolescentes para termos adultos mais saudáveis. No entanto, o caminho para se chegar à meta é que é difícil, por isso, o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, propõe um pacto sobre alimentação infantil. Segundo ele (e eu concordo), é preciso que empresas alimentícias, escolas (e suas horrorosas cantinas cheias de doces e gorduras), designers de embalagens, a tevê e o mercado de trabalho (pois mães e pais que trabalham 10, 12 horas seguidas, não têm tempo de produzir alimentos saudáveis) se unam a nós, pais, neste pacto pela boa alimentação.

Como mãe, tenho aqui que fazer minha parte e tentar conscientizar os pais que o pacto começa por nós. Quem me conhece sabe que sempre fui histérica com a alimentação da Luiza, a ponto de me desdobrar para fazer tudo fresquinho, mesmo trabalhando bastante. E não sou só eu, o pai dela também. Desde que a pequena nasceu, sempre seguimos as orientações de uma vida saudável para ela e que pode ser adotada a todos os bebês:

1 - Leite materno exclusivamente até o sexto mês - me desdobrei para alimentar a Luiza depois que voltei a trabalhar; ainda bem que o meu-editor chefe, o José Eduardo, é um cara compreensivo e me liberou para amamentá-la a hora que fosse preciso. Entrava às 14 horas e, até às 22 horas, saía três vezes para amamentá-la. Mas emagreci para caramba.

2 - Nada de doces até um ano e, depois, controle total sobre este tipo de alimento. Quem me conhece sabe que a Luiza não comeu açúcar até um ano e dois meses. Nunca chupou bala, não tomava suco com açúcar (só fazia com frutas que eram naturalmente doces), nunca tomou mamadeira adoçada, não tomou refrigerante e, nem mesmo na festa de 1 aninho comeu porcarias. Só acabou o jejum de doces quando chegou a Páscoa, a primeira vez que comeu chocolate e passou muito mal. Aliás, ela adora chocolate, mas quando come (somente aos fins de semana), geralmente passa mal, por isso evito dar. Alguns pais e mães que conheço torciam o nariz para esta atitude, me chamando de radical.

3 - Resultado: Hoje, à mesa, a Luiza adora comer de tudo: milho, arroz, feijão, brócoli, cenoura e carne. Aliás, carne é o alimento preferido. Para tudo, peixe, frango e ovos, digo que é carne, e ela come. Só toma sucos e quando dou refrigerante, cospe fora, acha o gosto ruim. Em festinhas, não costuma comer muitos salgadinhos. No entanto, quando se trata de doces, tenho que controlar mesmo.

 

 

Viajar com crianças - Parte 1

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Viajar com crianças não é uma tarefa nada fácil. Quando são pequeninas, estranham os novos locais, dormem mal e ficam mais grudadas nos pais. Quando são maiores, reclamam do tempo que ficam sentadas no carro, no ônibus ou no avião, e quando têm entre dois e três anos (aquela intermediária idade que nos deixa loucas) choram, reclamam, querem parar, comer, mexer e não gostam de ficar nas cadeirinhas. Por isso, para uma viagem tranqüila, seguem algumas dicas:

No carro:A hora do soninho é boa para viajar

1 - O bebê ou a criança deve viajar sempre no assento adequado. Para bebês com menos de oito meses, a cadeira tem que ser o famoso "bebê conforto" e deve ficar de costas para o banco da frente. A medida é necessária pois, como a coluna vertebral não está totalmente formada, se a criança estiver de frente para o banco dianteiro, pode quebrar o pescoço em uma freada brusca. Acima dessa idade, a cadeira pode ser colocada na posição normal. Compre aquela com ajuste de tamanho, que serve por um tempão.

2 - Escolha uma hora que seria a do soninho da criança para ele dormir na maior parte da viagem. Isso acalma a criança e os pais, pois não há choro.

3 - Se a viagem for longa, programar paradas para alimentação, banheiro e descanso.

4 - Para distrair bebês, brinquedos educativos ou aqueles que podem ser pendurados no banco ajudam a acalmar. CDs com as músicas preferidas são ótimas opções para os maiorzinhos. E, no caso de quem tem um poder aquisito maior, comprar um DVD e colocar filmes é bom para todos durante uma longa viagem.

5 - Por fim, não deixe de colocar os cintos de segurança nem de transportar seu filho em assento adequado, mesmo que haja choradeira. É melhor agüentar a chateação quando se trata da segurança de seu filho. E boa viagem!

Vantagens do aleitamento materno

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

 

Amamentar é a coisa mais incrível do mundo e só sabe mesmo quem o faz. Claro que há mães que têm problemas e não podem dar o seio aos filhos, mas o percentual de mulheres que seguem as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e amamentam os filhos exclusivamente no peito até o sexto mês é muito baixo. A maioria dá chá, água e até mesmo leite, coisas totalmente desnecessárias. Em Araraquara, por exemplo, apenas 15% das crianças mamam somente leite materno até seis meses.
No entanto, as vantagens da amamentação são muitas:
 
1 - Para a mãe: menor sangramento, o peso volta mais rapidamente, redução de câncer de mama, de ovários e osteoporose, maior período de amenorréia e espaçamento entre gestações, aumenta o vínculo mãe e filho, maior praticidade e satisfação.
 
 2 - Para o bebê: alimento nutricional completo, funciona como uma vacina, protege de infecções, de processos alérgicos e de doenças crônicas, maior vínculo afetivo, melhor desempenho nos testes de inteligência, previne problemas ortodônticos e fonoarticulatórios, maior período de amamentação com diminuição da morbidade e mortalidade infantil, e menor risco de maus tratos e abandono.
 
3 – Para a família: melhor qualidade de vida, mais prático, econômico, menor gasto com doenças, economia com a compra de fórmulas lácteas, maior investimento na alimentação saudável da família e noites de sono melhor dormidas, pois o bebê geralmente é mais tranqüilo.
 
4 – Para o hospital: menos internações por doenças infecciosas, menos infecções cruzadas e menor índice de infecção hospitalar, diminui o tempo de permanência hospitalar e com alojamento conjunto há maior aproveitamento de espaço e da equipe para orientações e cuidados, melhor qualidade de assistência e melhor prestígio hospitalar.
 
5 - Para a Sociedade e Meio Ambiente: melhor qualidade de vida, menos falta ao trabalho materno, menos doenças infantis, menor mortalidade infantil, economias diversas de importações e menor dano ecológico com melhor qualidade do ar atmosférico.