No dicionário, o significado de madrasta é justamente esse: "denominação que se dá à mulher do pai em relação aos filhos dele". Sabemos que o estigma da madrasta é de pessoa maldosa dado o que os contos de fada fizeram com a figura. Nas fábulas, ela é a pessoa que ocupa o lugar da mãe (sempre morta) e passa a infernizar a vida da filha, principalmente depois que o pai (o único protetor da garota) morre. Daí, resta ao príncipe encantado salvá-la. Bom, sou madrasta da Eleonora, hoje com 10 anos, e da Vitória, que tem 16 anos, filha do primeiro casamento do Renê com a Thaís. Nunca me designei com outro nome quando me apresento e nunca usei o pseudônimo "boadrasta", tão utilizado hoje. Diga apenas que sou madrasta e elas são minhas enteadas. Também não as pressiono. A Eleonora me chama de "tia" desde o primeiro momento que me viu e a Vitória me chama de Cris. Ser madrasta é muito difícil, principalmente porque o nosso estigma é justamente esse: A MULHER DO PAI. Não fazemos parte da família, mas também não estamos fora dela. Para a maioria, a mulher do pai não quer dizer nada, mas para os filhos e, na maioria dos casos, para as ex-mulheres, quer dizer muito. Ser a mulher do pai, para muitos, representa, ciúme, desavença, destruição, entre outros adjetivos pouco agradáveis. Hoje, lendo uma matéria sobre madrastas, me identifiquei com muitas coisas que li e percebi que, muitas das dicas dadas por especialistas, já vivenciei. E a maior delas é: não queira ser a mãe dos filhos dele. Essa é uma coisa que nunca quis, mas era pouco perceptível para quem via a situação de fora, pois como sempre tratei bem as meninas, todos achavam que queria ser mãe delas. Não, não quero ser a mãe da Vitória e da Eleonora. Quero ser apenas o que sou: madrasta delas. Mas nunca me furtei de tratá-las bem, de incluí-las em todos os nossos planos e de dar-lhes tudo o de melhor (nessa, muitas vezes a Luiza fica em desvantagem, pois ganha sempre o melhor presente). Outra coisa que nunca fiz foi falar mal da mãe delas, embora tenha discordado da Thaís (e ela de mim) muitas vezes, mas eu e ela sempre conversamos. Todos que estão lendo podem pensar que nosso relacionamento (digo, dessa família imensa) sempre foi legal, mas não. No passado, tivemos problemas, mas hoje, depois que a Luiza nasceu, sinto que as coisas melhoraram muito. Eu e a Thaís nos respeitamos mais e a Vitória e a Eleonora sentem isso, além do Renê (é claro!), que consegue dormir bem mais tranquilo, e da Luiza, que é apenas um bebê e não entende nada dessas coisas do mundo. Sei que, para ela, ela tem duas meia-irmãs, mas o amor que recebe é inteiro, não pela metade. Por isso, digo para todas que acham que não há luz no fim do túnel: respeito em primeiro lugar e paciência, pois o tempo é o senhor da razão!