A Luiza foi muito cedinho à escola e, logo aos oito meses de vida, levou a primeira mordida. Lembro do dia: fui buscá-la e a berçarista a trouxe com a coxa gorducha mordida, com marcas de dentinho. Muito chateada, ela me pediu desculpas e disse que não conseguiu evitar. Não me zanguei e pensei: 'um dia morde, no outro morderá', pois criança é assim mesmo. O tempo passou e, no dia em que outra berçarista me disse que minha filha havia mordido e batido em crianças, foi duro. Eu e o pai dela adotamos a não violência como forma de educá-la e não costumamos bater lá em casa. Para corrigir maus comportamentos, castigo e disciplina são as (difíceis) técnicas. No entanto, ela havia batido em alguém, comportamento que se repetiu por alguns dias. Como mãe de primeira viagem, conversei muito com a educadora de minha filha, com outras mães, com o pediatra, além de ler vários livros sobre o assunto - tenho uma enciclopédia da criança que ganhei da Fê, do blog 'Paulo Coelho Não é Literatura', quando a Luiza nasceu. O livro me ajuda muito. Portanto, segue a lista de coisas que aprendi quando passei por essa difícil fase:
1 - O mau comportamento da criança como morder ou bater é decorrência de uma fase, que passará em breve. Temos que ter paciência.
2 - A criança pode estar repetindo comportamentos que vê em casa. Se ela apanha, baterá; se leva mordida de irmãos mais velhos, morderá; ou, em casos piores, pode estar sofrendo violência por parte de pessoas que ficam com ela. Neste caso, é preciso investigar e cortar o mau.
3 - Mesmo que em sua casa não haja nenhuma incitação à violência, você controle tudo o que ela vê na tevê e nos livros, ela poderá aprender a bater ou a morder na escolinha, no parque, em qualquer outro lugar, pois o mundo está cheio de violência. Temos, sim, que ter paciência para educar e mostar qual o melhor caminho.
4 - Na maioria das vezes, quando a criança se torna agressiva, é preciso fazer uma investigação do que a está incomodando. Foi o que fiz e descobri que a Luiza estava apanhando de uma outra criança que frequentava minha casa. Com essa resposta, consegui mudar o que a incomodava e ela parou de bater e morder. É claro que, às vezes, escapa, mas hoje, voltou a ser o doce de menina que conhecemos.
5 - Se seu filho for vítima de violência por parte de outra criança, não critique, não aponte, não proiba o convívio. Converse com o pai e a mãe, mas com cautela, pois realmente dói mais no pai e na mãe da criança que bate do que nos pais da que apanha.