
“O Cabelo e o Preconceito”
Por Wellington Martinelli
Continuando meu pequeno diário sobre a difícil, mas prazerosa vida de headbanger, vou falar neste capítulo sobre um dos acontecimentos mais comuns na vida de qualquer “ser” que curta Rock/Metal: o preconceito.
Especificamente vou falar sobre o preconceito que paira sobre quem tem os famigerados cabelos longos. Cabelos esses que no passado eram motivo de orgulho e, porque não dizer, eram uma vantagem sobre os outros bangers, afinal, o leitor deve se lembrar e bem das garotas que somente se envolviam com quem possuía uma belíssima madeixa, fato comum até os dias de hoje. As famosas “Marias-Xampu”.
Mas voltando a palavra preconceito, quero demonstrar o verdadeiro sentido da palavra, pois quem de vocês não perdeu uma vaga de emprego, ou foi olhado de maneira diferente e desrespeitosa, somente por ter cabelos compridos? Quem de nós não foi motivo de chacota por nossos familiares engraçadinhos ou pelos colegas de classe na escola, que sempre vinham com a mesma chacota mais antiga que minha avó: “Olha o cabeludo, mulherzinha, mulherzinha!”...
Mas tudo bem, enquanto estava somente nas brincadeiras (idiotas, claro, mas ainda assim apenas brincadeira) vamos levando a vida, mas e quando esse preconceito chega ao ponto de fazer você perder a chance de encontrar um bom emprego ou mesmo ser promovido ou coisa parecida no seu emprego atual? Isso além de nojento é uma afronta à constituição que diz que todo ser humano é igual perante a sociedade, independente de sua cor, raça, credo, ou mesmo, neste caso, do tamanho de cabelo.
Por isso amigos eu pergunto a vocês: “Onde esses intelectuais que comandam e gerenciam grandes e pequenas empresas aprenderam que se pode avaliar uma pessoa pelo tamanho do cabelo, pela tatuagem que ela possui ou mesmo a música que ela ouve”?
Se formos pensar assim, jamais poderá se demonstrar a real capacidade de cada ser humano, pois se classificarmos e julgarmos com antecedência, tiramos o direito das pessoas mostrarem seu potencial, pois sabemos que a maioria delas é muito mais capaz que um “engomadinho” que não tem nem personalidade própria, e que se mostra uma pessoa que segue as tendências, digamos “volátil demais”.
O último tópico que abordo nesta crônica, melhor, apenas vou citar, surgiu em uma conversa com um amigo meu. Já repararam que é moda em “intelectualóides”, isso inclui universitários (estudantes de Humanas, principalmente), músicos, poetas, "pensadores" emfim, possuerem cabelo cumprido e barba mal feita? Por que neles tais artifícios são sinais de inteligência para a sociedade?
É normal ver muitos desses em programas de TV, Revistas ou Jornais, todos sendo lembrados de maneira extremamente positiva. Por que para com os “metaleiros”, cabelo e barba (sem citar tatoos) é sinal de mal cuidado e desprezo social? Não entendo mais nada mesmo. Isso que várias pesquisas apontam que quem gosta de Heavy Metal, possui Q.I mais elevado e..bom, não vêm ao caso comentar neste post. Deixa para um próximo.
Quero finalizar, pedindo que os leitores escrevam contando suas experiências com esse tipo de preconceito, pois conhecendo o problema poderemos combatê-lo. Infelizmente, hoje não tive mais forças para manter meu cabelo, porque trabalho no departamento comercial de uma grande empresa do interior de SP. Aqui e em quase 90% das empresas privadas, infelizmente, o tamanho do cabelo ainda conta....Um grande abraço e até a próxima. Com ou sem cabelo comprido.