O Blog Overdose, a partir deste post, contara com textos do colunista especial Wellington Augusto Martinelli. Residente em Piracicaba/SP, é um amante do Heavy Metal e crítico especializado. Já escreveu em vários sites da rede como: Metal Attack, Novo Metal e Metal Vox. Também foi efetivo colaborador da extinta revista Rock-Hard Valhalla. No Overdose, assinará a coluna "A vida de um Headbanger", onde contará algumas de suas aventuras pessoais e situações inusitadas, que com certeza, também são de muitos que gostam e frequentam este blog.

A vida de um Headbanger (Capítulo I)
Por Wellington Augusto Martinelli
Tudo nessa vida é difícil, mas acredito que para um headbanger parece que as dificuldades dobram, afinal o preconceito, pensamentos errôneos e além de muitas outras situações nos mostram que ser um “metaleiro” não é uma das coisas mais simples desse mundo. Mas como tudo na vida tem seu lado bom, é sobre esses aspectos que vou comentar aqui nesse espaço.
Primórdios
O ano era 1991, eu tinha 12 anos, e já procurava me aprofundar em alguns assuntos. Claro, além das já conhecidas brincadeiras de rua, o futebol era uma grande alegria ( inclui-se o grandioso Palesta Itália). Bom, eis então que um cidadão de nome Rafael aparece com alguns vinis, que em um primeiro momento me chamou a atenção pelas capas. Havia ali, só para citar alguns, álbuns do Iron Maiden, Scorpions, Accept e Judas Priest. Essa pessoa, que me apresentou os discos, na verdade era meu primo. Na época, só ouvia na TV, comentários ruins sobre essas bandas e sobre o som especificamente. Afirmações como: “Coisa do Diabo”, ou “Som de Vagabundo”, eram as mais freqüentes.
Mas como todo jovem gosta de barulho, não fiquei pra trás. Ao ouvir Iron Maiden pela primeira vez, senti como se alguém tivesse injetado uma dose gigantesca de adrenalina em mim, pois as guitarras entraram na minha mente como um raio, e de lá, nunca mais saíram.
O tempo estava passando, via cada vez mais cabelos brancos em minha avó, e mais gravações em K7 chegando a minhas mãos. Senti então que estava na hora de passar para próximo nível: o primeiro show. Mas assim que achamos (eu e meu primo) um famoso flyer que indicava 4 bandas de cidades diferentes que iriam se apresentar num barzinho (entenda-se buteco mesmo), surgiu um outro problema: Como um garoto sairia de casa num sábado a noite pra ir num show de rock com apenas 12 anos? Isso naquela época era inviável.
Mas como o meu anjo da guarda (ou diabinho) estava por perto resolvemos ir até o show, até então tudo caminhava bem. Chegando ao local, começam os problemas. Inicialmente as famosas perguntas pra entrar: “Qual a idade?”, “Veio com quem?” e outra que muitos de nós conhecemos bem. Depois desse impasse sanado, lá estávamos nós em frente à primeira bateria em um show de rock.
A emoção de sentir riffs na sua cara, de perceber tudo rodando a cada vez que balançava a cabeça era uma coisa indescritível, sentimento que perdura até hoje, isso, claro somente para aqueles vão sempre a shows conseguem explicar.Resumindo, nascia ali, naquele momento, um “headbanger”, um “metaleiro”, ou seja lá qual denominação. Somente sei dizer que ficou gravado no peito essa emoção.
Abraços e até a próxima, quando contarei como foi o primeiro show “grande”.