
Um balconista de uma copiadora que perde o irmão militar; uma mãe divorciada que se diverte com as amigas em um pub. Ambos recebem uma estranha ligação: uma voz feminina cuja ameaça suas vidas caso não ajam exatamente como manda. Acusados de serem terroristas, os dois são forçados por essa voz, a se tornarem membros de um grupo que planeja assassinar o presidente dos Estados Unidos. Essa é a trama do novo filme de D. J. Caruso. “Controle Absoluto” (2008). Filme que atinge a temática espionagem, ação policial e suspense.
Sempre tive o interesse por esse tipo de filme, ao qual apresenta um fato intrigante e extremamente inteligente além de uma trama muito bem amarrada e uma história em que “pega” o público desprevenido. Já fazia algum tempo desde a franquia Bourne iniciada em 2002, que eu não via um filme que me despertasse o interesse como surgiu com “Controle Absoluto”. O roteiro foi criado por quatro cabeças: Dan McDermott; Hillary Seitz; Travis Wright e John Glenn, e o responsável pela produção esta Steven Spielberg.
O instigante trailer, trás todos os elementos para se tornar um novo filme cultuado sobre rede de espionagens, agentes federais, FBI, CIA, etc. Muito preciso, ele já deixa claro tanto com a divulgação de pôsteres como no próprio trailer sobre o que encontraremos por trás da história.
Apresento aqui o teaser do filme:
(curiosidade – a voz feminina ao telefone é de Julianne Moore segundo o site imdb)
Com formação em cinema e já ter tido experiência em praticamente todas as áreas, concordo plenamente com Godard, Fellini, Bergman e Kubrick, onde ambos defendem: “um bom roteiro pode se tornar um bom filme, um péssimo roteiro, nem o melhor diretor consegue fazer dele um filme”.
É justamente dentro desse contexto, ao qual prezo e defendo os roteiristas. Deveriam ser melhor beneficiados e ter um reconhecimento mais digno, pois o que move a direção, é o roteiro. Dentro dessa ótica, vem do diretor em saber a melhor posição da câmera, além de guiar o ator em fazer seu papel, mas tudo gira entorno das linhas do script. Prova disso trata-se, do roteirista Guillermo Arriaga, ao qual inovou na linha narrativa sobre a seqüência de filmes com o tema “o sofrimento da perda”,
Amores Brutos (2000),
21 Gramas (2003),
Babel (2006), todos do mesmo diretor Alejandro Iñárritu, porém em
Três Enterros(2005) de Tommy Lee Jones, nota-se a particularidade da narrativa que é de Arriaga, sua “marca”, adota a não cronologia dos fatos e além disso, a estrutura ao qual cria as “seqüências” de narrativa, evoluem a história no mesmo sentido de uma história cronológica porém de uma forma inteligência e única, o de “pegar” o público em todos os momentos.

O que chamo de “pegar” o público, é algo que o elemento chave em que o leva para dentro da história. Ele deixa de pensar nos problemas pessoais e volta sua via para dentro da história. Os elementos que “pegam” o público, são inúmeros, um personagem, um efeito especial, uma trilha sonora, qualquer elemento que trás o indivíduo de volta a história, mas o realmente chama a atenção é o fato da trama, é o problema que envolva uma pergunta ao qual toda a platéia se pergunta: “Como termina a história?”.
Dessa forma, os filmes que envolvem tramas de espionagem, apresentam o tempo todos esses “elementos chave” aos quais sempre deixam a platéia curiosa em saber (mas onde isso vai parar?). Pistas e mais pistas, segredos revelados e novos problemas pela frente, isso tudo, são os elementos pelos quais nos deparamos durante a história, até, lógico, ao desfecho e o clímax que “resolve” o problema. Porém a cada ano que passa, a platéia torna-se mais inteligente, isso pois o id, já pré-cria, um acontecimento que vimos ou relembramos o que virá a acontecer. Em quantos filmes não prevemos o acontecimento, ou o vilão da história, ou até o final do filme. Isso tudo pois, as experiências com diversos filmes, cujo, os elementos da trama são uma mesma estrutura utilizada, tornam-se previsíveis e assim passam a ser desinteressantes. Assim, devido a isso, os filmes em que apresentam uma trama ou narrativa diferenciada e inovadora, acabam por se destacar.

Foi o que aconteceu comigo, quando vi “Controle Absoluto”, não é um filme inovador, muito menos apresenta uma narrativa diferenciada, mas a forma em que é apresentado os fatos e pistas, é que torna o roteiro criado por quatro cabeças, um filme divertido e interessante. D. J. Caruso, em seu filme anterior, já usará a mesma narrativa que Hitchcock criou com Janela Indiscreta. Tanto que esta enfrentando problemas de plágio com
Paranóia (2007), mas de uma forma mais discreta, usou vários elementos de outros filmes em (Controle Absoluto), disfarçado, pode-se notar um HAL-9000 de
2001 Uma odisséia no Espaço (1968); um agente escondido como em
O Novato (2003) e até mesmo uma voz guia como
Matrix (1999). Mas apresenta um elemento novo e único, não deixa muito tempo para a platéia “pensar” nos problemas e soluções em que as pistas, segredos e ações são revelados. Chave responsável pelo editor Jim Page (Paranóia), que usa uma montagem muito rápida classificada como
Mtv Style.
Muito bem elaborado, a edição ágil, apresenta cortes tão precisos durante as ações, que na medida em que o id, associa um elemento de lembrança ao qual “amarra” a um fato que já foi apresentado, adiciona-se um novo elemento revelador, o que deixa-se de lado a associação e passa-se a se interessar por este novo elemento, “esquecendo-se” do que estava-se lembrando, assim passando a idéia para o novo elemento revelador. Fato esse devido ao processo das avalanches de informações que encontramos todos os dias, toda hora e em todo o lugar, principalmente em noticiários televisivos, não é mais apenas a informação passada por um repórter, ao mesmo tempo em que isso acontece, há a previsão do tempo na lateral, a cotação do dólar embaixo, as chamadas de última hora e as principais manchetes do dia, até a matéria que virá a seguir é mostrada através de caracteres. Portanto é algo que há anos já convivemos, e hoje, até mesmo em narrativas cinematográficas encontram-se esses elementos. E justamente essa agilidade na edição e a apresentação dos fatos, é que fazem de “Controle Absoluto” um filme divertido aponto de ser comentado.

Resta a deixa claro, para o recente filme lançado nos EUA do nomeado diretor Ridley Scott. O mestre criador de Alien (1979) e Blade Runner (1982), recria um mundo sob a ótica em rede de espionagens com “Body Of Lies” (2008). Filme estrelado por Leonardo DiCaprio e Russell Crowe. A mente por trás da história é William Monahan, ganhador do Oscar de melhor roteiro por Os Infiltrados (2006) de Scorsese. William já havia trabalhado com Ridley em Cruzada (2005) e é seu terceiro trabalho como roteirista.
Baseado com o mesmo nome da obra de David Ignatius. A trama é sobre um ex-jornalista (DiCaprio) que se torna agente da CIA. Ele é enviado ao Oriente Médio para investigar um perigoso líder da al-Qaeda, a fim de capturá-lo, ele conta com a ajuda de seu chefe (Crowe) cuja missão é espalhar um boato de que o terrorista está recebendo ajuda dos americanos. Lançado pela Warner, o filme tem a estréia aqui no Brasil em 28/11/2008.
Para se divertirem com uma prévia de Body Of Lies, apresento o fantástico trailer (ver abaixo). Com uma edição fenomenal, o trailer adota sequências de ação memoráveis, diálogos instigantes para a trama e uma trilha de arrasar. Tudo o que há de melhor para se esperar de um filme de Sir. Scott. Abraços e Até breve!