Mise-En-Scène Mise-En-Scène

Espionagem, Ação Policial e Suspense

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

...CORRA !...: mensagem associada à ação que ocorre no filme. Poster de divulgação antes do lançamento de "Eagle Eye"

 Um balconista de uma copiadora que perde o irmão militar; uma mãe divorciada que se diverte com as amigas em um pub. Ambos recebem uma estranha ligação: uma voz feminina cuja ameaça suas vidas caso não ajam exatamente como manda. Acusados de serem terroristas, os dois são forçados por essa voz, a se tornarem membros de um grupo que planeja assassinar o presidente dos Estados Unidos. Essa é a trama do novo filme de D. J. Caruso. “Controle Absoluto” (2008). Filme que atinge a temática espionagem, ação policial e suspense.

 
Sempre tive o interesse por esse tipo de filme, ao qual apresenta um fato intrigante e extremamente inteligente além de uma trama muito bem amarrada e uma história em que “pega” o público desprevenido. Já fazia algum tempo desde a franquia Bourne iniciada em 2002, que eu não via um filme que me despertasse o interesse como surgiu com “Controle Absoluto”. O roteiro foi criado por quatro cabeças: Dan McDermott; Hillary Seitz; Travis Wright e John Glenn, e o responsável pela produção esta Steven Spielberg.
 
O instigante trailer, trás todos os elementos para se tornar um novo filme cultuado sobre rede de espionagens, agentes federais, FBI, CIA, etc. Muito preciso, ele já deixa claro tanto com a divulgação de pôsteres como no próprio trailer sobre o que encontraremos por trás da história.
 
Apresento aqui o teaser do filme:
 

 

(curiosidade – a voz feminina ao telefone é de Julianne Moore segundo o site imdb)
 
 
Com formação em cinema e já ter tido experiência em praticamente todas as áreas, concordo plenamente com Godard, Fellini, Bergman e Kubrick, onde ambos defendem: “um bom roteiro pode se tornar um bom filme, um péssimo roteiro, nem o melhor diretor consegue fazer dele um filme”.
 
É justamente dentro desse contexto, ao qual prezo e defendo os roteiristas. Deveriam ser melhor beneficiados e ter um reconhecimento mais digno, pois o que move a direção, é o roteiro. Dentro dessa ótica, vem do diretor em saber a melhor posição da câmera, além de guiar o ator em fazer seu papel, mas tudo gira entorno das linhas do script. Prova disso trata-se, do roteirista Guillermo Arriaga, ao qual inovou na linha narrativa sobre a seqüência de filmes com o tema “o sofrimento da perda”, Amores Brutos (2000), 21 Gramas (2003), Babel (2006), todos do mesmo diretor Alejandro Iñárritu, porém em Três Enterros(2005) de Tommy Lee Jones, nota-se a particularidade da narrativa que é de Arriaga, sua “marca”, adota a não cronologia dos fatos e além disso, a estrutura ao qual cria as “seqüências” de narrativa, evoluem a história no mesmo sentido de uma história cronológica porém de uma forma inteligência e única, o de “pegar” o público em todos os momentos. Shia LaBeouf e Michelle Monaghan em  cena de "Eagle Eye": conversam com a voz misteriosa de Julianne Moore

 

O que chamo de “pegar” o público, é algo que o elemento chave em que o leva para dentro da história. Ele deixa de pensar nos problemas pessoais e volta sua via para dentro da história. Os elementos que “pegam” o público, são inúmeros, um personagem, um efeito especial, uma trilha sonora, qualquer elemento que trás o indivíduo de volta a história, mas o realmente chama a atenção é o fato da trama, é o problema que envolva uma pergunta ao qual toda a platéia se pergunta: “Como termina a história?”.
 
Dessa forma, os filmes que envolvem tramas de espionagem, apresentam o tempo todos esses “elementos chave” aos quais sempre deixam a platéia curiosa em saber (mas onde isso vai parar?). Pistas e mais pistas, segredos revelados e novos problemas pela frente, isso tudo, são os elementos pelos quais nos deparamos durante a história, até, lógico, ao desfecho e o clímax que “resolve” o problema. Porém a cada ano que passa, a platéia torna-se mais inteligente, isso pois o id, já pré-cria, um acontecimento que vimos ou relembramos o que virá a acontecer. Em quantos filmes não prevemos o acontecimento, ou o vilão da história, ou até o final do filme. Isso tudo pois, as experiências com diversos filmes, cujo, os elementos da trama são uma mesma estrutura utilizada, tornam-se previsíveis e assim passam a ser desinteressantes. Assim, devido a isso, os filmes em que apresentam uma trama ou narrativa diferenciada e inovadora, acabam por se destacar.
 
"Controle Absoluto": poster original (Eagle Eye)Foi o que aconteceu comigo, quando vi “Controle Absoluto”, não é um filme inovador, muito menos apresenta uma narrativa diferenciada, mas a forma em que é apresentado os fatos e pistas, é que torna o roteiro criado por quatro cabeças, um filme divertido e interessante. D. J. Caruso, em seu filme anterior, já usará a mesma narrativa que Hitchcock criou com Janela Indiscreta. Tanto que esta enfrentando problemas de plágio com Paranóia (2007), mas de uma forma mais discreta, usou vários elementos de outros filmes em (Controle Absoluto), disfarçado, pode-se notar um HAL-9000 de 2001 Uma odisséia no Espaço (1968); um agente escondido como em O Novato (2003) e até mesmo uma voz guia como Matrix (1999). Mas apresenta um elemento novo e único, não deixa muito tempo para a platéia “pensar” nos problemas e soluções em que as pistas, segredos e ações são revelados. Chave responsável pelo editor Jim Page (Paranóia), que usa uma montagem muito rápida classificada como Mtv Style.
 
Muito bem elaborado, a edição ágil, apresenta cortes tão precisos durante as ações, que na medida em que o id, associa um elemento de lembrança ao qual “amarra” a um fato que já foi apresentado, adiciona-se um novo elemento revelador, o que deixa-se de lado a associação e passa-se a se interessar por este novo elemento, “esquecendo-se” do que estava-se lembrando, assim passando a idéia para o novo elemento revelador. Fato esse devido ao processo das avalanches de informações que encontramos todos os dias, toda hora e em todo o lugar, principalmente em noticiários televisivos, não é mais apenas a informação passada por um repórter, ao mesmo tempo em que isso acontece, há a previsão do tempo na lateral, a cotação do dólar embaixo, as chamadas de última hora e as principais manchetes do dia, até a matéria que virá a seguir é mostrada através de caracteres. Portanto é algo que há anos já convivemos, e hoje, até mesmo em narrativas cinematográficas encontram-se esses elementos. E justamente essa agilidade na edição e a apresentação dos fatos, é que fazem de “Controle Absoluto” um filme divertido aponto de ser comentado."Body Of Lies": poster original
 
Resta a deixa claro, para o recente filme lançado nos EUA do nomeado diretor Ridley Scott. O mestre criador de Alien (1979) e Blade Runner (1982), recria um mundo sob a ótica em rede de espionagens com “Body Of Lies” (2008). Filme estrelado por Leonardo DiCaprio e Russell Crowe. A mente por trás da história é William Monahan, ganhador do Oscar de melhor roteiro por Os Infiltrados (2006) de Scorsese. William já havia trabalhado com Ridley em Cruzada (2005) e é seu terceiro trabalho como roteirista.
 
Baseado com o mesmo nome da obra de David Ignatius. A trama é sobre um ex-jornalista (DiCaprio) que se torna agente da CIA. Ele é enviado ao Oriente Médio para investigar um perigoso líder da al-Qaeda, a fim de capturá-lo, ele conta com a ajuda de seu chefe (Crowe) cuja missão é espalhar um boato de que o terrorista está recebendo ajuda dos americanos. Lançado pela Warner, o filme tem a estréia aqui no Brasil em 28/11/2008.
 
Para se divertirem com uma prévia de Body Of Lies, apresento o fantástico trailer (ver abaixo). Com uma edição fenomenal, o trailer adota sequências de ação memoráveis, diálogos instigantes para a trama e uma trilha de arrasar. Tudo o que há de melhor para se esperar de um filme de Sir. Scott. Abraços e Até breve!  
 
 

Fiquem de Olho

terça-feira, 14 de outubro de 2008

 

A respeito da evolução humana, sempre tive uma pergunta em mente: “e se a humanidade evoluísse exatamente ao contrário do que é, onde as pessoas nascem idosas e com o passar dos anos elas se tornam mais jovens até serem crianças”.
"The Curious Case of Benjamin Button"
 
Boa parte desta imaginação se encontra no enredo do novo filme de David Fincher (The Curious Case of Benjamin Button). O filme conta a história de um homem de 50 anos que começa a rejuvenescer inexplicavelmente, mas quando se apaixona por uma mulher de 30 anos, acaba encontrando um problema: como ter um relacionamento na medida em que se torna mais jovem e sua amada mais velha?.
 
O filme será lançado pela Warner Bros com produção da Paramount Pictures, e conta com Brad Pitt no papel principal, a estréia está prevista para 19/12/2008 nos cinemas americanos.
 

"Benjamin Button": interpretado pelo envelhecido Brad PittAs mentes por trás do filme apresentam Eric Roth no comando do roteiro, ganhador do Oscar de melhor roteiro com Forrest Gump em 1994 e obteve mais duas indicações com O Informante (1999) e Munique (1994). Os produtores Kathleen Kennedy e Fank Marshal, ambos tiveram indicação com A Cor Púrpura (1985), O Sexto Sentido (1999) e Seabiscuit (2003). Mas é através da maestria do diretor que (The Curious Case of Benjamin Button) pode se tornar um dos favoritos a concorrer o Oscar de 2009.

Prefiro não revelar muitos detalhes sobre a produção para não acabar estragando alguma surpresa, mas já digo: “esse filme tem e muito á ser comentado”. Sobre a maravilhosa fantasia, os efeitos incríveis realizados e os planos inovadores de Fincher, isso deixo por conta da imaginação de vocês com o trailer abaixo:

 

 

David Fincher tem uma particularidade em seu conjunto de obras, uma mente em que tem o dom para maestrar a orquestra sempre com inovações e originalidades. Apesar de não desenvolver o roteiro de seus filmes, sempre adiciona a criatividade como um elemento chave como plano final, podendo já criar seu registro na história do cinema de acordo com seu conjunto de obras. Assim como Lubitsch apresentava sua marca em seus filmes, hoje poderíamos dizer que Hollywood também tem “The Fincher Toutch” (expressão em que se adotou ao longo da história do cinema, devido à genialidade nas técnicas inovadores em que diretores utilizavam em seus filmes. No caso, a expressão foi direcionada para caracterizar a maestria do diretor alemão Ernst Lubitch, onde criava sofisticação, sutileza e elegância em seus planos. Principalmente quando criava a “ação” dos personagens apenas pela sombra dos mesmos. Técnica que correspondia ao mistério, ouvia-se o diálogo, a sonoplastia, porém viam-se apenas as sombras. Elemento que posteriormente pode-se ser notado nos filmes de Hitchcock)
Inicialmente, Fincher começou a carreira como diretor de videoclipes, passou a fazer comerciais para televisão até ter a oportunidade de dirigir “Alien 3” (1992). Apesar de ter muito problema com a produção por não ter o “corte” final do filme, criou a fabulosa seqüência de perseguição em steadicam (suporte de balanceamento de peso que impede a trepidação da câmera) sob o ponto de vista do Alien enquanto percorria os túneis do presídio onde se encontrava a tenente Ripley (Sigourney Weaver). "David Fincher": nas filmagens de (The Courious Case Of Benjamin Button)
 
Após alguns projetos paralelos, três anos depois, apresentou “Se7en” (1995). O filme que lançou sua carreira de reconhecimento como um excelente diretor. Através de um roteiro muito bem amarrado, fisgou toda a platéia com um desfecho único e memorável, além de apresentar uma edição espetacular que compôs uma das melhores aberturas já criada no cinema. Logo após, lança “Vidas em Jogo” (1997), novamente com um roteiro inovador sob a ótica de revira-voltas, o filme surpreende do começo ao fim, uma pena não ter tanto reconhecimento pois tecnicamente o filme é impecável. Foi no ano de 1999 em que o mestre entra novamente para história, com a classificação de “um soco na mente”, Fincher inovou em cada detalhe da seqüência do filme. Falo de “Clube da Luta”, com uma excelente edição, fotografia, atuação, produção, roteiro e direção, o fabuloso filme sob a ótica do consumismo e a liberdade de expressão levou o público a classificar em tão pouco tempo como um cult-movie. Após algum tempo, novamente voltado à publicidade e música, dirige “Quarto do Pânico” (2002). Apesar de criticas levemente severas, o filme adota as mais brilhantes seqüências de movimentação de câmera sem cortes. Foi possível, através de excelentes efeitos de pós-produção, movimentar a câmera em locais nunca visto antes, como nos vãos de uma grade ou na alça de uma xícara. Após o fracasso de bilheteria, o diretor ficou cinco anos longe das produções de longas, realizando mais videoclipes e comerciais, foi tempo suficiente para produzir e lançar no ano de 2007, mais uma de suas brilhantes obras. “Zodíaco”, filme sobre o serial killer de mesmo nome, o longa apresenta uma brilhante fotografia e um excelente roteiro com um aprofundamento inigualável nos personagens. A cena a qual destaco, é um plano seqüência em plongè (plano com ponto de vista exatamente de cima para baixo), do táxi que percorre as ruas em São Francisco. A câmera fixa a figura do táxi como parte do quadro, ou seja, quando o táxi faz a curva, vemos a rua se movendo não o carro movendo-se na rua.
 
Todos esses “detalhes” de produção cabem apenas a mente de um mestre na direção, o que de tudo indica que seu novo filme pode ser o primeiro de sua carreira a ganhar um Oscar.
 David Fincher já anunciou sua nova produção: “Rendezvous with Rama, uma ficção científica baseada na obra de Arthur C. Clarke (Encontro com Rama). Filme sobre um grupo de astronautas que é escalados para investigar uma estranha nave que se encontra vagando pelo sistema solar.
Cheio de mistério e filosofia, os astronautas tem a missão de descobrir a origem e o mistério por trás da gigantesca nave. Não é mais um filme de ficção científica que mistura ação e aventura, mas sim da retratação de uma discussão entre ciência pura e filosofia. Ponto especifico este, que gira entorno do Deus Hindu Rama. Por enquanto, o único confirmado é Morgan Freeman, que interpreta o líder do grupo. A pré-produção já havia se iniciado em 2007 porém a história é tão complexa que houve um atraso na preparação do roteiro. Roteiro este que esta sendo desenvolvido por quatro pessoas, três estreantes e Bruce C. McKenna, responsável pelo roteiro de alguns episódios do premiado seriado Band of Brothers. A estréia prevista para o lançamento do filme é para 2011.
 
 

Sonho, montagem e "the Shining"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

 A favor da película, sempre fui um freqüentador fervoroso do cinema. Cinema este que se acopla a câmara escura ou a sala de projeção ou ainda como costumo dizer, o local do inconsciente dos sonhos. Isso, pois as cadeiras da sala de cinema, associo a colchões e camas, os encostos das poltronas, como travesseiros relaxantes, e o apagar das luzes, como os primeiros sinais de vigília do sono. Os olhos representam à tela que com o ligar do projetor, “por trás da retina”, gira-se a fechadura que abre a porta de nossos sonhos. Sonhos estes que podem ser dramáticos, aventureiros, psicóticos, românticos, cômicos e muitas vezes herméticos. Sala Cinematográfica: representando o sonho

Os sonhos são como os filmes, tanto que, se fosse possível sabermos qual o sonho em que iríamos ter no dia de hoje, poderíamos simplesmente ser seletivo: “Hoje meu sonho está péssimo, então não vou sonhar; hoje está engraçado então vou convidá-la a sonhar comigo; hoje está incompreensível, então terei dificuldades para entender”. A semelhança é evidente, porém por dois específicos detalhes, o teórico e cineasta Robert Desnos não conseguiu ter o seu sonho, que seria em ver um filme que representasse exatamente o sonho do diretor que acabara de sonhar ao acordar. Primeiro devido a dificuldade de lembrarmos exatamente o que se passou no sonho, segundo a dificuldade de representar exatamente o que sonhamos, como, quando, onde e o que se sonhou.

 

"The Seashell and The Clergyman": filme surrealista de Germaine Dulac de 1928No início das primeiras experiências com o cinematógrafo viriam a exibir as diversas “junções” de imagens, até os primeiros cineastas materializarem uma narrativa de linha estrutural para se contar uma história cinematográfica. Estrutura essa, vindas de textos teatrais e concretizadas através de idéias e inovações dos primeiros cineasta, nomes como Dulac, Porter e Griffith contribuíram com a experimentação do cinema, realizando distintos projetos e obras, porém ambos utilizaram uma estrutura de organização particular para compor suas obras. Um inovou nas cenas aleatórias, o outro nos planos inusitados e o último no contar uma história, mas ambos sabiam algo em comum: a montagem interfere e muito em um filme. Para isso, o diretor russo Pudovkin já disse: “a montagem significa de fato, a direção deliberada e compulsória dos pensamentos e associações do espectador”.
 
Alfred Hitchcock já demonstrou em uma entrevista, o poder da montagem sobre o público, gravou seu rosto com uma expressão amena, adquirindo um leve sorriso. "Alfred Hitchcock": segurando a claquete de Psycho em 1960
Primeiramente, após a cena, adicionou um plano de uma mãe que acaricia o filho, cujo retribui o carinho à mãe. Nessa hora afirmou que a figura do sorriso o torna simpático e ao mesmo tempo, um homem sensível. Assim possivelmente aceitável para o público. Em seguida, selecionou a mesma cena do sorriso, porém acopla um plano de uma jovem tomando sol. A figura já o põe em uma outra posição, a de um pervertido, e dessa forma dificilmente aceitável pela audiência, fixa-o como um “safado”. Portanto a montagem interfere e muito no que se quer revelar para o público.
 

O mesmo acontece com os trailers dos filmes. Sempre fui um apreciador de trailers, não somente pelo fato de também ser editor dos meus filmes e das reportagens em vídeo do jornal Tribuna Impressa, mas por ter uma responsabilidade de criar uma prévia dos acontecimentos que cercam a história, de modo em que mostre grandes cenas, sem ao menos se quer revelar informações que comprometam a resolução da trama. Mas ao mesmo tempo, que seja um trailer criativo e inovador, para de fato, levar o filme a ser aguardado por todos. Uma tarefa nada fácil para um longa-metragem de duas horas, que nos aproximados dois minutos, seja o filme mais esperado do ano. 

Para isso, no ano de 1980, a Warner Bros lançou um trailer alternativo nos cinemas, que acabou levando a platéia em um delírio estonteante de aguardar com frio nas espinhas um dos filmes que se tornou um marco na história dos filmes de horror.
 

"The Shining": poster originalFalo de “The Shining”, o único filme do gênero criado por um de meus diretores favoritos, Stanley Kubrick. O trailer do filme, baseado na obra de Stephen King (O Iluminado), apresenta apenas uma tomada, a qual seria uma das “visões” do personagem Danny (Danny Lloyd), filho do casal Jack e Wendy Torrance interpretados por Jack Nicholson e Shelley Duvall. A seqüência inicia com uma das trilhas composta por Wendy Carlos e Rachel Elkind, o que do melhor, a composição fabricada em tom grave e adicionais efeitos em agudo, criam a atmosfera amedrontadora das portas do elevador em que se jorra sangue.  (ver o trailer abaixo).

A história é sobre um escritor que aceita o cargo de zelador para cuidar, junto de sua família, do Hotel Overlook, durante a passagem de inverno. O local já havia sido cenário de um assassinato sobrenatural, no qual implicou em forças ocultas a induziram o zelador a assassinar a família, o que compete a acontecer o mesmo com o novo zelador.

O filme teve cinco indicações, incluindo o de melhor filme e diretor, venceu o Saturn Award em 1981 com o prêmio de melhor ator coadjuvante para Scatman Crothers, que fez o papel do também iluminado Dick Hallorann.Nada mais justo ser nomeada e premiada por uma excelente obra, que no início foi muito criticada, mas ao longo do tempo tornou-se um cult dos filmes de horror.

 
 
 
 
Veja o trailer lançado pela Warner em 1980:
 

 

 

 

"Stanley kubrick": filmando Laranja Mecânica em 1971

Criada pelo mestre perfeccionista que rodava entorno de 10, às vezes 20 repetições por tomada, chegando a ter cerca de 400 mil metros de negativo, muito mais do que o normal que gira entorno de 220 mil metros. Sir. Kubrick tem o mesmo método de trabalhar que Charles Chaplin, perfeccionista ao estremo, que chegava a fazer entorno de 45 repetições nas tomadas de cena.

Para curiosos, apesar de ser perfeccionista, Kubrick também era humano, em algumas cenas, pode-se ver nitidamente “erros” incorrigíveis como: na seqüência de abertura, um plano das montanhas, antes de chegar ao carro da família, foi feito através de um helicóptero, vemos nitidamente as hélices no topo superior do quadro da tela. Outro a ser destacado, a seqüência da famosa frase de Jack: “Here´s Johnny!” (especificamente essa frase, foi sugerida pelo próprio Jack Nicholson momentos antes de ser rodada, ele se referia ao locutor Johnny Carson, quando este abria seu programa exibido pela TV americana nos anos 70 e 80); quando Jack perfura a porta com o machado, num maravilhoso plano em que a câmera acompanha o movimento do machado. Jack arrebenta as parte de cima, porém quando houve um trator chegando, vemos a cena do trator, e ao retomar o plano, as parte inferiores da porta já estão destruídas.
 

Esses “erros” de continuidade, que às vezes são perceptíveis, são devido a planos que não foram utilizados, por exemplo, provavelmente Kubrick rodou a cena numa seqüência mais longa, a qual Jack prolongaria a tentativa de assassinato, no entanto a longa seqüência talvez interferisse muito na estrutura de narrativa, devido a isso, encurtou a seqüência, utilizando as melhores tomadas, assim a porta, que já havia sido destruída, consta na cena utilizada.

 
"Josef von Sternberg" (diretor Austríaco)  editando um filme nos anos 40A criação de um filme ou de um trailer se compõe através de uma junção das seqüências, cenas e tomadas selecionadas a dedo. A trilha sonora é o acabamento final para a composição correta da imagem. Compromete em ambientar o clima e familiarizar o público no que de fato se quer revelar. Deparando-me com pérolas encontradas pela web, encontrei algo curioso e ao mesmo tempo muito divertido, selecionei então, o trailer que compõe o que eu havia dito. O quanto uma montagem interfere na seqüência, que junto de uma trilha alternativa pode provocar uma mudança estrutural de narrativa cinematográfica. Não descobri o autor desta pérola, mas coloco aqui, o trailer de “The Shining”, numa versão em que o filme passa longe do gênero de horror, mas sim, para o de um filme do gênero comédia romântica.
 
 
 
 
 
 Veja abaixo a versão do trailer de “The Shining”, como comédia romântica:
 

 

 

 

 

Fiquem de Olho

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

 

A Warner Bros com a produção da Dark Castle, lançará “ROCKNROLLA”, o novo filme de Guy Ritchie (Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch – Porcos e Diamantes), no dia 31/10/08 no Brasil. O Orçamento ficou entorno de US$ 20 milhões, uma quantia relativamente baixa numa produção sob o comando de Joel Silver (Trilogia Matrix, Speed racer). A história segue a mesma linha de narrativa do excelente Snatch, e inicia  com a apresentação de diversos personagens que se entrelaçam sob uma mesma situação: criminosos do submundo londrino que entram em ação quando surge um negócio da máfia russa envolvendo milhões de dólares.
 
 
"Rock N Rolla": poster oficialA trama gira entorno de Gerard Butler (300), seu personagem é One Two, um gangster das ruas que visa o interesse nos dois lados da moeda; Tom Wilkinson (Conduta de Risco), é Lenny Cole, o líder de uma gangue, que perde seu lugar devido a criminosos estrangeiros; Thandie Newton (Á Procura da Felicidade ) é Stella, uma negociante ilegal que desperta o interesse de Butler. A atriz em uma entrevista a MTV, segundo o site Cinema em cena, disse: "o novo filme é o primeiro de três longas planejados por Ritchie", porém não confirmou que todo o elenco participará das continuações.
 
O marido de Madonna, enquanto a esposa monta as bagagens de sua turnê de shows pelo Brasil, faz a pré-produção de Sherlock Holmes, filme com estréia prevista para 2010. No elenco tem Robert Downey Jr interpretando o famoso detetive e Jude Law como seu ajudante Dr. Watson. A sinopse da trama ainda não foi divulgada mas a história esta sendo baseada no HQ de Lionel Wingran e das obras do criador do personagem Arthur Conan Doyle.
 
 
 Enquanto o primeiro da trilogia de Ritchie não estréia por aqui, a Warner lançou a seguência de abertura de Rock N Rolla, traduzido como RocknRolla - A Grande Roubada no Brasil. Junto de uma trilha sonora de arrebentar, a incrível sequência usa uma animação em estilo HQ, apresentando os personagens através de uma linda edição em estilo typography. Para quem se interessar, envio aqui a abertura do filme:  rocknrolla (necessário quicktime).
 
 
O trailer já está disponível e conta com a fantástica música Rock and Roll Queen, do The Subways. A música que faz parte da maravilhosa trilha do filme e, detalhe, o álbum estava sendo tão esperado, que antes mesmo da estréia mundial, os produtores já disponibilizaram para venda. O original soundtrack, encontra-se a venda no site da amazon.com e custa apenas US$ 11,99.
 
Para quem ainda não viu o trailer, assista abaixo:
 
 

 

 

 

 

Cine Menu

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

 

Como primeiro post, venho a fazer uma homenagem a quem me introduziu na área cinematográfica, fato este, já descrito em meu perfil. Como tema cinematográfico central, seleciono a gastronomia no cinema, um menu de filmes que apresentam os mais diversos pratos, cenas ou seqüências que ilustram a mais bela sétima arte: para meu pai, o tão fanático por gastronomia e chef nas horas vagas, Dr. Bonini.
 

Quem nunca sonhou em degustar aquele específico vinho citado em um diálogo, ou experimentar aquele determinado prato cujo personagem principal preparou, ou rejeitar aquela mesa onde se encontram os mais estranhos pratos revelados no celulóide? Pois então meus caros, relato aqui alguns pratos e situações específicas que minha memória visual marcou:

 

 

"Pulp Fiction": poster original A favor de meus desejos de degustação: Em um dia ensolarado, dois capangas estão a caminho de uma “visita” a um trapaceiro. Ambos citam um dos diálogos mais memoráveis do cinema dos anos 90. Vincent relata a Jules os lugares e hambúrgueres que experimentou durante sua passagem pela Europa. Sempre tive vontade de degustar o “... Royale with Cheese...”, com acompanhamento do milkshake que Mia Wallace escolheu no Jack Rabbit Slins de “..five bucks..” Falo do renomado e inigualável “Pulp Fiction” (1994), obra prima de Tarantino, no segundo longa de sua carreira. Adepto de uma narrativa não linear, e de inúmeras situações que poderia citar, levo em conta a hilária seqüência final, quando os mesmos Jules e Vincent (interpretados por Samuel L Jackson e John Travolta), discutem sobre o colesterol do bacon e dos ovos que ambos têm para o café da manhã na lanchonete da linda abertura do filme.
 
 
 
 
 
 
 
 
"Arachnophobia": capa original do dvd A favor de uma perda insatisfatória: Era noite, um local úmido e pouco arejado. O personagem Dr. Ross, esta em seu porão, perto de sua “pequena” adega de dois armários com cerca de dois metros de altura. O clínico geral teve a infelicidade de se pendurar em um dos armários de sua adega, a fim de amortecer sua queda, porém o armário veio abaixo. Ele ficou preso com metade do corpo imóvel, no entanto, o motivo da queda, era a tentativa de eliminar nada menos que uma enorme aranha, a qual aterrorizava a cidade do interior dos EUA. Sem saída, Dr. Ross, optou por atirar o que estivesse em seu alcance, no caso, as melhores garrafas de sua fantástica coleção de vinhos, memorável cena de Aracnofobia, (filme de 1990 com a estréia do produtor Frank Marshall na direção), quando Dr. Ross (Jeff Daniels), resmungava o nome e o ano de fabricação de seus vinhos enquanto os lançava no aracnídeo. Após atirar duas garrafas, pega um de seus mais preferidos e diz: “...Não, o Chateau não..”, o deixando de lado e resgatando qualquer outro vinho para ser atirado.
 
 
 
 
 
 
"Indiana Jones: Temple Of Doom": poster original A favor de uma recusa à um banquete estrangeiro: Sob a ótica de um banquete indiano, o recém chegado grupo de exploradores de arqueologia são convidados para jantar com o jovem Marajá do palácio de Pankot. No delicioso e farto menu, a entrada era suculenta “cobra surpresa”, dentro dela, continha maravilhosos “filhotinhos rastejantes vivos”, para acompanhar uma fabulosa bandeja de besouros cozidos. Não satisfeitos com o cardápio a bela jovem e o ajudante do Dr. Jones, são recebidos com um ilustre aroma, memorável cena de Indiana Jones e o Templo da Perdição (filme de 1984 sob a direção de Spielberg), uma fantástica sopa de olhos. Para finalizar o banquete, são abençoados com uma das sobremesas mais estranhas impressas no cinema, um fresco e delicioso cérebro de macaco, uma verdadeira perdição.
 
 
 
 
 
 
 
 
"Alien": poster original A favor de uma indigestão sob o uso do humor: A tripulação da nave Nostromo, se reúne na cabine do refeitório, fazem uma mistura de apanhados alimentícios, macarronada, pão com creme de amendoim, lanche natural, comida chinesa e as mais diversas bebidas. Assim como todo jantar, sempre vêm os engraçadinhos com sátiras e piadas, porém o sr. Kane, que degustava um belo macarrão, junto de uma gargalhada, engasga com a comida, iniciando uma série de espasmos físicos, em meio a tosses e falta de ar, mesmo com o auxilio dos sete tripulantes, o personagem de John Hurt, acaba repentinamente, fisgando toda a platéia com um susto ao se tornar mamãe, deu a luz a um belo e lindo bebê alien, ao qual se tornará o oitavo passageiro. Relato a cena em que marcou a produção de filmes de ficção científica “Alien” (1979). Sob o comando de Ridley Scott, o filme fez um marco na história do cinema, abocanhando 11 prêmios dentre o Oscar de efeitos visuais e direção de arte. Algo que sempre me fascinou até hoje sempre que revejo. 
 
 
 
 
 
 
 
"O Tempero da Vida": poster original no Brasil Porém, em meio a alguns relatos descritos, dentre os meus filmes favoritos no aspecto gastronômico, encontram-se: “O Tempero da Vida” (2003), filme de Tassos Boulmetis, que conta o crescimento do jovem Fanis, no mundo culinário grego, sob a maestria dos ensinamentos de seu avô. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"La Grande Bouffe": poster original“A Comilança” (1973), a obra prima de Marco Ferreri que retrata um grupo de pessoas liderado por Mastroianni, que cansados da vida, se trancam em uma mansão para passar o fim de semana atuando sob os dois prazeres que visam na vida, a comida e o sexo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Existe um terceiro, porém como é o um dos filmes favoritos de meu pai, “A Festa de Babette” (1987), filme vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, aproveito e faço aqui um levantamento para junto de todos os convidados, a participarem do blog, postarem seus relatos de memoráveis cenas, seqüências, pratos e filmes pessoais, tudo o que os marcaram sob a ótica da gastronomia dentro da sétima arte impressa em celulóide.
 
 
Bon´apétite!