Mise-En-Scène Mise-En-Scène

The Wrestler de Aronofsky

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

 

The Wrestler” é apresentado através da canção de Bruce Springsteen. O novo filme de Darren Aronofsky vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza.
 
A história é sobre Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke), um bem sucedido lutador que afastado de sua filha (Evan Rachel Wood) e incapaz de sustentar qualquer relacionamento, vive da adrenalina do show e da adoração de seus fãs. É forçado a se aposentar depois de sofrer um infarto. Enquanto tenta mudar sua postura com relação à vida, ele começa a se reaproximar da filha e inicia um romance com uma stripper (Marisa Tomei). No entanto, nada se compara a alegria de estar nos rings e a paixão por sua arte de volta ao universo das lutas.
 
"Darren Aronofsky": dirigindo em The Wrestler"Foram dois anos de produção logo após o fracasso de bilheteria com “Fonte da Vida (2006)”. Uma pena, pois em minha opinião, foi um dos melhores filmes daquele ano, e a obra mais cobiçada por Aronofsky de toda sua carreira. Produção árdua que durou seis anos até seu lançamento. Momento em que levou o diretor a um lapso decepcionante de carreira. Porém, logo resgatado através da vinda de seu filho com a bela atriz Rachel Weisz e o fabuloso roteiro de Robert D. Siegel intitulado “The Wrestler”.
 
Em pouco tempo, o filme saiu do papel através da brilhante mente de Aronofsky, que já no primeiro longa de sua carreira “Pi (1998)”, ganhou prestígio de melhor diretor no Sundance Film Festival além de mais oito prêmios em festivais pelo mundo. Mente esta que recriou a linguagem de narrativa onírica tanto em “Pi” quanto no ótimo “Réquiem Para um Sonho (2000)”, além de abordar a filosofia da vida com o intelectual “Fonte da Vida”, cinema fantástico que ficou longe do mercado desde “2001 Uma Odisséia no Espaço (1968)” de Kubrick e “Solaris (1972) de Tarkovsky”.
 

Agora com “The Wrestler (2009)”, Darren faz o retorno da carreira de Mickey Rourke, longe das telas desde 2006, momento importante que "The Wrestler": poster originallhe rendeu prestígio no festival de Veneza e um rumor sobre a possível indicação ao Oscar. Lançado pela Fox Searchlight Pictures, o longa terá estréia no mercado americano em 16 de Janeiro de 2009, e ainda não tem previsão de estréia aqui no Brasil.

Empolgado com o prêmio e para um novo rumo de sua carreia, Aronofsky comentou sobre a canção de Springsteen que adicionou nos créditos finais: “Toda vez que eu ouço fico emocionado. Ele realmente conseguiu captar o espírito do filme e do personagem de Mickey Rourke”.
 
Atualmente, o diretor esta em produção com “The Fighter (2009)”, filme sobre a história verídica do boxeador "Irish" Micky Ward, que será interpretado por Mark Wahlberg e com os preparativos para a pré-produção de “Robocop 4 (2010)”, projeto ainda sem título definido, mas que não será uma continuação, e sim a tentativa de reinventar o personagem assim como Batman Begins (2005). Ainda não foi escalado o elenco, porém o roteiro esta sob o comando de David Self de “Estrada Para Perdição (2002)”.
 
Mais informações em breve. Abraços!

 

O bom e mau Eastwood esta de volta!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Gran Torino": poster original

Clint Eastwood conquistou a fama de policial durão com a célebre frase: "Go ahead, make my day", em 1971 com Dirty Harry. Foi também o mesmo ano em que paralelamente, trocava o personagem da magnum 44 pela primeira direção com uma câmera de 35 mm. Desde então, passou a fazer diversos projetos, ganhou experiência cinematográfica com o amigo, o diretor italiano Sergio Leone, em muitos de seus grandes filmes de western. E justamente, no comando de um western, que ganhou o prestígio de ser um excelente diretor, ganhou o prêmio Oscar de melhor diretor e melhor filme com Os Imperdoáveis em 1992.
 
Agora, em 2008, novamente como ator e diretor, Eastwood volta a criar um personagem durão em “Gran Torino (2008)”. Filme que conta a história de um veterano da Guerra da Coréia que põe na linha o vizinho asiático que tenta roubar seu maravilhoso carro, um Gran Torino ano 1972.
 
Distribuído pela Warner, Gran Torino usa a estratégia de lançamento para a corrida pro Oscar. Terá uma exibição limitada nos EUA em 17 de dezembro de 2008, no boom das escolhas para os últimos que serão selecionados para a estatueta. Mesma estratégia usada com Menina de Ouro, ao qual rendeu quatro Oscars, incluindo de melhor filme e direção. Entrará no circuito comercial em 16 de janeiro de 2009.
 
"Clint Eastwood": dirigindo em (A Conquista da Honra)Para a produção, Eastwood reuniu a equipe que sempre trabalhou, principalmente o diretor de fotografia Tom Stern, premiado com o Oscar em A Conquista da Honra, e o editor Joel Cox, vencedor do Oscar em Os Imperdoáveis.
 
No roteiro, Gran Torino apresenta o estreante Nick Schenk, que apesar de ter participado como escritor de apenas alguns seriados e um longa em digital, parece agradar com a narrativa que aborda críticas ao preconceito e a forma da imposição do autoritarismo correto usado por Eastwood no personagem Walt Kowalski.
 
Em uma entrevista ao USA today, Clint fala sobre seu personagem Walt: “Interpreto um racista. É um ótimo momento para fazer alguém assim, porque o que poderia ser feito com um racista nos anos 70?. Mas também é um filme sobre redenção, meu personagem participou da Guerra da Coréia e trata todos os asiáticos com desdém. Porém uma família coreana que muda para a casa ao lado, acaba o ajudando em suas necessidades, porque ele vive sozinho e não mantém relações com ninguém”.
 
Para quem se interessar, veja o trailer de Gran Torino abaixo:
 
 

 

 

O cinema de “Ainda Orangotangos”

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

 

"Ainda Orangotangos": poster original

 

As produções cinematográficas em Porto Alegre crescem a cada ano, sempre com idéias inovadoras e um cinema experimental. Um exemplo é o caso de “Ainda Orangotangos”, o primeiro longa-metragem do gaúcho Gustavo Spolidoro, o filme feito em apenas um único plano, leva 81 minutos com grandes idéias apresentando 14 personagens. O projeto ao qual veio a produção do filme, foi inscrito e selecionado através do Minc a projetos de baixo orçamento. Obteve R$ 1 milhão para a produção e mais R$ 150.000,00 para a divulgação através da Petrobras. O filme foi rodado em digital com a câmera HVX-200, sendo transferido para 35 mm. Foram quatro meses de ensaio, realizando dois takes, sendo o segundo escolhido para a finalização, e contou com 14 horas de trabalho em um dia.
 
A história do filme é uma adaptação de seis contos do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott e retrata a vida cotidiana de pessoas comuns. Em entrevista exclusiva para o site cinema em cena, Spolidoro conta como conseguiu a autorização para o uso da trilha sonora de seu seriado favorito Ultraseven:“Foi tudo muito rápido. Pagamos R$ 1.500,00 pelo direito de uso e pudemos colocar o tema no filme”. Para chegar a isso, contataram a distribuidora no Japão, identificaram quem tinha os direitos de uso e fizeram o pagamento.
 
Ainda Orangotangos já estreou em todo o estado, e enquanto não surge por aqui, coloco o trailer do filme abaixo:

 

 

 

A equipe disponibilizou o making off no youtube, além de apresentar cenas exclusivas do filme, também mostra a interessante forma de captação das imagem além da fantástica criação da trilha sonora realizada em tempo real, junto com as atuações nos locais públicos.
 
 

 

 

A Cegueira de Meireles

terça-feira, 4 de novembro de 2008

"Blindness": poster original

Quando vi o anúncio de que Meireles dirigiria para as telas um dos livros mais famosos de Saramago, me ocorreu um momento muito orgulhoso, no sentido em dizer: “finalmente um grande reconhecimento no mundo será feito com o cinema Brasileiro”.
 
Já havia admirado o cinema de Meireles com Cidade de Deus e o Jardineiro Fiel. Um, uma produção brasileira com técnicas inovadoras, excelente roteiro e belíssimas atuações com não atores; o outro com produção americana, técnicas precisas e respeitável, uma maravilhosa adaptação para roteiro e uma excelente escolha de elenco. Meireles surpreendeu, ganhou reconhecimento e prestígio no mercado internacional, com a notícia de seu novo filme, mais uma vez eu pensava, há muito tempo que não esperava um filme com ansiedade e esperança sob o comando de um brasileiro na direção. Um filme ao qual se baseia um livro reconhecido mundialmente seria a corda para o topo na escalada do Everest para o mercado internacional cinematográfico. Assim a inter-relação do cinema Brasileiro com o mercado Internacional seria perfeito para o futuro do cinema no Brasil. Claro, hoje em dia leva-se um tempo para esperar as estréias na cidade. Temos que nos conter com as indesejáveis esperas de boa vontade dos distribuidores e os pedidos dos próprios administradores dos cinemas da cidade a trazerem nomeadas estréias para nós. Claro, nas sextas, como de costume, lemos as críticas sobre as estréias nas capitais e a aqui niente. Depois de um tempo, claro, chega aos cinemas de Araraquara.
 
Fui à estréia, confesso que não li o livro, não por falta de interesse, mas no decorrer dos momentos ao qual designava meus objetivos de trabalho, Saramago em Ensaio sobre a Cegueira, sempre ficou a me esperar. Não há como não saber sobre a história ou as diversas posições das críticas, mas preso aqui a análise da imagem e roteiro como um filme e não uma comparação com a obra literária. Isso, provavelmente os blogueiros de literatura irão comentar.
 

Foto: Julianne Morre a espera

De cara, sempre imaginei que um filme sobre cegueira. Seria lógico que uma grande parte do filme, não veria nada. Isso é extremamente rico e algo que sempre busquei encontrar no cinema, o sugestivo da sonoplastia, engloba uma pré-visualização através da imaginação, o que remete essa “visualização” uma transgressão a vivencia cultural que trabalha no inconsciente, tornando o não visível, “visível” na mente, e o que não vemos, permanece à frente dos pensamentos.
 
Logo em que saí da sala de projeção, concluí em meus pensamentos: “a cegueira de Meireles, não tampou meus olhos”. Claro, o filme tem seus méritos em diversos pontos, mas a seqüência inicial e a trilha sonora do filme foram para mim, as mais decepcionantes dentre mais de 110 minutos de projeção.
 
Inicialmente, acho que Don McKellar, o roteirista, deveria ter dramatizado mais com o primeiro personagem que recebe a cegueira, fato extremamente importante para a introdução à epidemia. Não sei como é no livro, mas uma cegueira repentina com alguém em que está em plena direção parado no semáforo, o falso desespero na atuação de Yusuke Iseya, não me convence nem mesmo tampando os olhos, nesse ponto é Meireles o guia.
 
As cenas em que mais me impressionaram foram à tomada dos olhos do primeiro cego, no campo de visão da porta de seu apartamento, assim como as pequenas seqüências de saturação de imagem do diretor de fotografia César Charlone , também o responsável pelas imagens de Jardineiro Fiel.
 
Já a edição de Daniel Rezende, o mesmo de Cidade de Deus e Tropa de Elite, também não me gerou satisfação. Isso, pois acho que deve ter encontrado problemas com o casamento da imagem com a trilha de Marco Antônio Guimarães (Lavoura Arcaica), algo inacreditável, pois ambos são excelente, mas as seqüências em que a sonoplastia de um semelhante tic tac de relógio para uma das cenas mais dramáticas do longa, aquela em que Julianne Moore esta a frente das mulheres na troca de sexo por comida, é algo terrível. A única explicação talvez seja para compor o ato de revolta no público, pois a mim incomodaram tudo, as mulheres ao se entregarem, o abuso dos homens, a imagem de Charlone, a trilha de Guimarães e a atuação de Bernal. Seqüência que de fato, a imagem tornou-se escura e não branca como se descreve no filme.
 
O que realmente valorizo, é a abordagem sobre a humanização dos personagens, o resgate emocional ao qual cada um enfrenta.Foto: Danny Glover como o homem do tapa olho Pra mim, Danny Glover era o personagem principal. Mérito da narração, suas observações, desejos e colocações dos pensamentos sobre o ato epidemiológico. Memorável cena quando a esperança atinge o retorno da visão nos personagens. Mas acho que esse mérito cabe a Saramago, na origem da bela história. Fato curioso pra mim, pois fiquei com mais vontade de ler o livro, justamente para questionar a essência abordada no livro e o que de fato foi transposto para a tela.
 
O que me deixou surpreso, foram os comentários de terceiros quando diziam ser um filme de difícil leitura, pois não se entendia o motivo. Á mim, não há necessidade em saber o que provoca a cegueira, porém no filme, me passou um ato semelhante a um estado de julgamento pessoal, mas através de um fato que passa a ser globalizado, no caso, uma cegueira geral. Cada um dos personagens, por mais que seja pequeno, demonstrou um ato de “delito” emocional, ou mesmo um “motivo” para terem a cegueira. Algo em que no decorrer da história, se humanizam através da convivência e a união. Mas é claro, há de haver um “messias” a guiar o grupo de pessoal, ato no qual transgride sua humanização a seus atos de silêncio, o que assim, acarretou em várias mudanças internas. Sendo a última, uma deixa a uma possível cegueira, agora, única e inter-pessoal.