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Arquivos Pessoais de Kurosawa

quarta-feira, 27 de maio de 2009

 
 
Este post dedico aos amantes do clássico Japonês. Falo estritamente do mestre Akira Kurosawa.
 
O diretor, falecido em 1998, realizou importantes filmes para a história do cinema, entre eles clássicos como “Os Sete Samurais (1954)”, “Ran (1985)” e “Sonhos (1990)”.
 
A novidade é que nesta semana, Kurosawa Production, junto da Universidade Ryukoku, criaram um site contendo diversos arquivos digitais do mestre.
 
São inúmeras fotos, anotações pessoais e diversos materiais sobre a vida de Kurosawa.
 
Todo o arquivo reúne cerca de 20.000 itens, incluindo materiais inéditos quando o mestre realizava os clássicos “Rashômon (1950)” e ”Os Sete Samurais (1954)”.
 
O site esta em japonês, e pode-se acessar, clicando (aqui).
 
Resgatei algumas preciosidades do site que você confere logo abaixo:
 
 
 
Livro de anotações pessoais:
 
 
 
 
 
 
 
 
Parte interna do livro:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ilustração de cenário:
 
 
 
 
 

 

 

 

 

Planta de Set: Mise-en-Scène de posição de câmera.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arquivo do filme "Rashômon": fotografia de templo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arquivo do filme: "Os Sete Samurais": still do negativo, making of.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abraço e até Breve!

 

 

 

David Lynch lança: "Interview Project"

terça-feira, 26 de maio de 2009

Foto: David Lynch

David Lynch sempre explorou a mente humana em seus inúmeros trabalhos artísticos, quase todos, com a ótica onírica. Sempre explorando os mais diversos meios de linguagem, desde curtas, longas, pinturas, fotografia, esculturas, seriados e animação; além de explorar outras áreas como livro e até mesmo comercialização de café.
 
Lynch novamente inova e explora a linguagem na web com o projeto intitulado: “Interview Project”, o que remete a uma série de documentários de curta-metragem, cada um com um personagem específico, todos contando suas histórias, alguns os seus sonhos, outros o passado, sempre no mesmo sentido: um monólogo.
 
O projeto foi realizado por uma equipe de diretores, comandadas por seu filho Austin, onde cruzaram cerca de 30 mil km de todo os EUA durante 70 dias, captando as mais diversas histórias de inúmeros personagens, que segundo o diretor: “comuns, e às vezes, bem incomuns”.
 
Lynch lançará na web um total de 121 curtas, com duração de 3 à 5 minutos. Os curtas serão postados a cada três dias durante todo ano, iniciando na próxima semana no dia 1 de junho e encerrando exatamente em junho de ano que vem.
 
Em seu site, davidlynch.com, Lynch faz uma apresentação sobre o projeto: “É um projeto pé na estrada, onde as pessoas foram sendo encontradas e entrevistadas”. Sobre a magia no retratar a vida desses personagens ressalta: “É tão fascinante ver e ouvir essas histórias. É uma chance de conhecer essas pessoas, é algo humano, que você não pode deixar de passar”.
 
Para ter uma prévia do que será “Interview Project”, conheça Jenny; Logan; Anthony e Jim, todos os vídeos tem uma introdução nos videos abaixo:
 
 
Interview Project: Jenny Brown
 
 

 

 

Interview Project: LOGAN

 

 

 

 

Interview Project: ANTHONY

 

 

 

 

 

Interview Project: JIM CARTER

 

 

 

 

 

Você pode acompanhar o projeto direto do site do diretor, clicando (aqui). Sua introdução sobre o projeto e uma linda apresentação com um questionamento das próprias pessoas, você confere logo abaixo:
 
 

 

 

 

 

Um abraço e até breve!

 

 

Michael Haneke é o vencedor da Palma de Ouro

domingo, 24 de maio de 2009

Michael Haneke com o prêmio de vencedor da Palma de Ouro de Cannes

 

O grande vencedor do 62 Festival de Cannes 2009 é o austríaco Michael Haneke, eleito hoje, (domingo) 24/05/09.
 
 Fui acompanhando a reação dos críticos e a posição do público conforme as respectivas estréias dos concorrentes.
 
Destaco o polêmico filme de Lars Von Trier “Antichrist”, que levou ápices de gargalhadas, aplausos e vaias, algo que fez o diretor responder com um tom revoltante aos jornalistas de que não havia motivos para explicar seu filme. Já Ang Lee e Amodóvar, saíram de mãos abanando, apenas um comentário interessante de Almodóvar, quando pronunciou seu árduo modo de dirigir as mulheres, fato em que já fez sexo oral em uma delas para explicar o comportamento do ator.
 
Cena do filme: "The White Ribbon", vencedor de CannesQuando Haneke apresentou seu “Das Weisse Band”, traduzido para o inglês “The White Ribbon” (A fita Branca), rumores já ocorriam de que a atriz Isabelle Huppert, presidente do júri, que já havia trabalho com o diretor, elegia o filme de Haneke como o favorito, jornalistas já anunciavam nas perguntas ao diretor, de ser o escolhido, mas muito esperançoso e um tanto sarcástico, respondia: “querem me matar de susto?”.
 
É, realmente a obra de Haneke impressionou não somente a presidente, mas a todo o júri, incluindo o público.
 
“The White Ribbon”, é um drama de época, filmado propositalmente em preto e branco, o motivo, o diretor queria ambienta a imagem ao que realmente remetia à época. A história se passa no Norte da Alemanha em 1913, onde ocorrem estranhos rituais de punição diretamente as crianças em uma escola rural. O fato é que estes estranhos eventos, desencadeiam o tão chamado Nazismo.
 
O site Youtube divulgou um trecho do filme, que você confere abaixo:
 
 
 

 

 

Ah também uma entrevista exclusiva com o diretor que fala sobre o filme (a legenda é em inglês):
 
 
 
  

 

 

A lista completa dos vencedores do 62 Festival de Cannes você confere abaixo:

 

Palma de Ouro
Das Weisse Band / Alemanha (de Michael Haneke)
 
Grand Prix
Un Prophète / França (de Jacques Audiard)
 
Melhor Direção
Brillante Mendoza / Filipinas (pelo filme Kinatay)
 
Melhor Roteiro
Lou Ye / China (pelo filme Chun Feng Chen Zui De Ye Wan)
 
Melhor Atriz
Charlotte Gainsbourg / França (pelo filme Anticristo)
 
Melhor Ator
Chrstoph Waltz / Áustria (pelo filme Bastardos Inglórios)
 
Prêmio do Júri
Bak-Jwi / Coréia do Sul (de Park Chan-Wook)
 
Menção Especial
Fish Tank / Inglaterra (de Andrea Arnold)
 
Prix Vulcain
Map of the Sounds of Tokyo / Espanha (de Isabel Coixet)
 
Prêmio Especial
Les Herbes Folles / França (de Alain Resnais)
 
Palma de Ouro em Curta-metragem
Arena / Portugal (de João Salaviza)
 
Menção Especial de Curta-metragem
The Six Dollar Fifty Man / Nova Zelândia (de Mark Albiston e Louis Sutherland)
 
 
 
Abraços e até Breve!
 
 

"FALHA DELES: Kubrick e Fincher"

sexta-feira, 22 de maio de 2009

 

Sempre fui perfeccionista, quem me conhece sabe muito bem disso. Mas como todos nós somos humanos, ninguém é perfeito! Dentro desse contexto, crio um post relacionado a imperfeição impressa nos filmes, erros de continuidade, dublê no lugar dos atores e ainda detalhes curiosos.
 
Realmente até os mestres do cinema também erram, nesse caso, abordo especificamente dois diretores que admiro muito: Stanley Kubrick e David Fincher.
 
Poster: Nascido Para MatarKubrick, após lançar O Iluminado (1980), iniciou a produção de um de seus mais obcecados trabalhos, assunto em que retrata a guerra do Vietnã. Foi seu penúltimo filme, e um dos mais polêmicos e dramáticos filmes de guerra já produzidos, falo de “Nascido Para Matar”.
 
O filme que durou exatamente sete anos, desde a elaboração do roteiro até seu lançamento, foi muito elogiado e banido ao mesmo tempo, isso pois Kubrick faz uma crítica direta a posição do exercito dos Estados Unidos na guerra, adotando elementos de um humor negro junto de uma imposição moral do país, impressa através dos personagens.
 
Apesar de ser conhecido por ser perfeccionista e muito detalhista, tanto que rodava entorno de 40 vezes o mesmo take, Kubrick também errava. Segundo o site moviemistakes, o filme apresenta 32 erros, sendo os seis deles, você confere nas fotos abaixo:
 
 
 
 
1. Na primeira cena, o soldado Pyle (Vincent D’onofrio), responde ao sargento Hartman (Lee Ermey), após um close up do sargento, Pyle aparece na mesma posição porém com o boné virado para o lado esquerdo.
 
 
 
 
 
2. Na primeira cena, Pyle dorme com dois travesseiros, após a cena em que os companheiros levantam de suas camas para agredir Pyle, na cena seguinte um dos travesseiros desaparece.

 

 

 

 

 

 

3. No plano conjunto com o Soldado e o Sargento, Pyle acerta os alvos com um Rifle, em seus punhos apresentam uma bandagem, na cena em primeiro plano, a bandagem só aparece no braço esquerdo, o punho direito não esta coberto.

 

 

 

 
 
4. No ato do suicídio de Pyle, ele coloca a arma na diagonal da esquerda para a direita, quando ele atira, o sangue espirra no sentido contrário.
 
 
 
 
 
 
5. Quando o grupo se apresenta no desfile, no plano geral, o grupo se divide em duas filas, quando há a cena do primeiro plano, o grupo se apresenta em quatro filas.
 
 
 
 
 
6. Na cena inicial, o soldado se esconde na beirada do muro, após a cena da divisão do grupo, a mesma cena inicial, o soldado aparece sem o pente de balas.

 

 

 

 

 

 

Poster: Clube da LutaCom o visionário e também perfeccionista David Fincher, a história é a mesma. Após o sucesso de “Seven” 1995, o diretor inova na narrativa cinematográfica. Cria a adaptação do livro de Chuck Palahniuk, na ação psicológica “Clube Da Luta (1999)”.
 
O filme muito elogiado pelo público e crítica, remete a “revolução” do homem perante a sociedade consumista, no qual o homem torna-se produto de si mesmo. Sendo assim “libertando-se” de tudo, mas isso, através de uma outra personalidade.
 
A produção que acabou se classificando como cult, também apresenta erros, segue abaixo seis erros de um total de 21, e ainda uma curiosidade na abertura do dvd:
 
 
 
 
1. Na cena da garagem, Tyler Durden (Brad Pitt), leva um soco inicial, conseqüentemente, cospe sangue, após um plano geral, volta a cena inicial, e ele leva mais dois socos, mas o sangue desapareceu.

 

 

 

 

 

2. Na cena do escritório, o primeiro plano é de Eduard Norton, ao fundo há o termostato preto e uma cadeira próxima a mesa, no contra-plano com o chefe do escritório, o termostato é branco e a distancia da cadeira com a mesa mudou.

 

 

 

 

 

3. Na cena inicial, Norton procura Tyler com a camiseta cinza um pouco seca, após cena da entrada de seguranças, Norton contém suor na camiseta.

 

 

 

 

 

4. Na cena da entrada do prédio, Norton tenta quebrar o vidro para entrar, há dois bancos próximos a porta da entrada, após a cena em que atira nos vidros, há o plano conjunto dele atravessando a porta, e os bancos que estavam perto, desapareceram.

 

 

 

 

 

5. Na cena inicial, há a imagem da câmera de segurança, na cena, há uma câmera, isso deduz que a câmera esta atrás da câmera que aparece no plano, porém na cena seguinte, o plano “ao vivo”, nota-se que há apenas a câmera que estava no plano e não há nenhuma câmera no fundo: a cena confunde a imagem da “câmera”, com a câmera que esta na cena “ao vivo”.

 

 

 

 

 

6. Na cena em que Tyler joga Norton escada abaixo, nota-se que é um dublê, e não o próprio ator.

 

 

 

 

 

7. Curiosidade: na imagem da abertura do DVD, onde apresenta o “aviso” (WARNING), de direitos de imagem, ao invés de ter, literalmente os direitos, há um aviso de Tyler Durden para os espectadores do filme.

 

 

 

 

 

Nos dois filmes apresentados, a maioria dos erros, é devido a continuidade, isso é um elemento chave para não ter “problemas” de seqüência de cena. A continuidade é uma função do continuista, que faz parte de uma equipe cinematográfica. Esse fato é corrente em quase todos os filmes, dificilmente algum filme não apresenta erros, e claro, os juizes, é o próprio público.
 
Abraço e Até Breve!

 

 

 

 

62 Festival de Cannes

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cartaz Oficial: 62 Festival de Cannes

 

Inicia hoje, quarta-feira 13 de maio de 2009, o 62 Festival de Cannes e que tem seu encerramento no dia 24 de maio.
 
De inicio, o Festival é aberto com o belíssimo cartaz apresentando as costas da maravilhosa Monica Vitti, em uma homenagem ao diretor Italiano Michelangelo Antonioni, com a cena do filme “A Aventura” de 1960.
 
Los Abrazos Rotos: posterCuriosamente falando, o único diretor americano que concorre ao Festival é Quentin Tarantino com o filme "Inglourios Basterds", (comentei sobre o filme em post passado). Seria a má qualidade dos filmes americanos esse desaparecimento estrondoso no Festival?
 
Felizes mesmo estão os espanhóis, que através das palavras de Almodóvar: “este ano foi quebrada a maldição”, revelam três filmes na mostra oficial. A frase de Almodóvar retrata a uma antiga reclamação dos cineastas espanhóis por acharem que Cannes subestimava seus filmes. O interessante é que o último cineasta a vencer foi Luis Buñuel em 1961, com o belíssimo “Viridiana”.
 
Nos filmes espanhóis estão: Pedro Almodóvar, que concorre com o seu: “Los Abrazos Rotos” e Isabel Coixet em “Mapa de Los Sonidos de Tokyo” . Fora da competição mas na mostra oficial, o talentoso Alejandro Amenábar apresenta “Agora”.
 
Antichrist: posterPeso forte para a briga é o dinamarquês Lars Von Trier, que venceu o festival em 2000 com (Dançando no Escuro), agora o cineasta apresenta: o enigmático e tenebroso “Antichrist” (comentei sobre o filme em post passado).
 
A sumida neozelandesa Jane Campion, a primeira mulher a receber o prêmio em 1992, pelo filme O Piano, agora volta com tudo e concorre com “Bright Star”.
 
O britânico Ken Loach, que venceu em 2006 com (Ventos da Liberdade), apresenta o esperado “Looking for Eric”, longa-metragem sobre o jogador de futebol francês Eric Cantona.
 
Taking Woodstock: posterNa mostra oficial estão o taiwanês Ang Lee que levará o público ao delírio com “Taking Woodstock”; o italiano Marco Bellocchio que apresenta “Vincere”; o chinês Lou Ye com seu “Spring Fever”; o diretor de Hong Kong Johnnie To que apresenta o cantor francês Johnny Hallyday no colorido “Vengeance” e arrematando o ciclo, o ilusório austríaco Michael Haneke com “Das Weisse Band”.
 
Infelizmente o Brasil não esta na mostra oficial ou concorrente no festival, mas estamos representados por Heitor Dhalia com o filme “À Deriva”, presente na mostra Um Certo Olhar, que faz parte da seleção.
 
A pergunta que fiz acima, sobre a falta do cinema do continente americano na mostra competitiva, pode ser compreendida através das palavras de Thierry Frémaux, delegado geral do festival que disse: “Nós não escolhemos os filmes por nacionalidades, mas a importância de uma cinematografia deve ser avaliada a médio prazo, não apenas pela presença em apenas uma edição”.
 
Pois então meus amigos, “o que o diretor cria, os olhos do espectador vê e então o coração sente”. Quem diria, nunca imaginei ficar tanto tempo sem ir ao cinema!
 
O Festival encerra no dia 24 de maio, onde há a entrega da tão esperada Palma de Ouro, esse ano com o júri presidido pela atriz francesa Isabelle Huppert. É isso, nos vêmos em Breve!.
 
 
Abraço a vocês!