Pirataria, SMD e uma leve nostalgia...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

 

 

            CD original já foi mais fácil de ser comprado.

            Me lembro que para comprar CDs do Pink Floyd tinha que encomendar (fora o Dark Side of the Moon e o The Wall que eram encontrados facilmente nas lojas). Certa vez encomendei um álbum do Jethro Tull, o Aqualung edição de 25 anos. Esperei mais de semana para que chegasse, na época foi caro, mas comparando aos preços de hoje saiu barato; cheguei em casa, coloquei o CD no aparelho de som e enquanto ouvia e curtia cada música, ia apreciando também o projeto gráfico, sentado no sofá e seguindo algumas letras pra já ir decorando. Esses poucos CDs que eu comprava eram profundamente valorizados já que era difícil comprar cada um deles.

            Muitos álbuns tinham um cuidado especial com a parte gráfica e era muito gostoso ir curtindo as fotos que os acompanhavam e seguindo toda a ficha técnica de quem fez o disco com direito até a miniposters que eram encartados em alguns.

Com o tempo isso foi acabando. Era fácil encontrar coletâneas sem cuidado algum, muitas vezes com nomes trocados de música e sem qualquer informação adicional no encarte. Na época do vinil também havia muito zelo com o material visual, como o disco Circense de Egberto Gismonti, que trazia uma capa toda trabalhada, recortes e brincadeiras, incluindo a “animação” de um palhaço que depois de montada era possível colocar em cima do vinil e vê-lo movimentar enquanto o disco girava. Foi nessa “bolacha” também que Gismonti lançou a primeira edição do Jornal Caipira, um encarte extra que acompanhava o disco com informações adicionais sobre o mesmo e  outros assuntos relacionados à música. O Sgt Peppers dos Beatles também trazia algumas figuras do sargento para recortar (guardo até hoje inteiras, não tive coragem de fazer a brincadeira, preferi deixar tudo original).

Hoje, o preço alto do CD exigido pelas gravadoras e a facilidade em conseguir músicas piratas na internet, podendo até baixar discografias inteiras, fez com que a venda de CDs originais caísse muito. No Brasil 52% das vendas são piratas.

Por um lado, a pirataria contribuiu e muito para a divulgação de músicas que dificilmente você conseguiria comprar originais, como músicas de raiz, álbuns de pesquisas musicais e até músicas estrangeiras. Agora é só dar uma “googlezada” que você encontra facilmente músicas latinas, africanas ou de qualquer outro país.

Porém, por outro lado, acho que tornou tudo muito descartável. É diferente do cuidado que tínhamos quando íamos gravar uma fita K7 para algum amigo. Separava qual música ia abrir o lado A e qual o lado B, tendo o cuidado de ver se as músicas selecionadas para cada lado não iam ultrapassar os 30 minutos. Era sempre um bom presente, e ainda a gente escrevia o nome das músicas na capa da fita para ter um cuidado ainda maior.

Com a idéia de tornar esse capricho de ter uma ficha técnica, nome das músicas e fotos em um pequeno encarte mais acessível e mantendo uma qualidade no som, foi lançado a alguns anos o formato SMD (Semi Metalic Disc), patenteado pela dupla  Cristian e Ralph. Uma mídia brasileira que veio para baratear o custo e combater a pirataria. O SMD sai com preço final de cinco reais, um preço “justo”, quase o mesmo do pirata encontrado em camelôs.

O formato barateou o custo em relação ao CD em quase 80%, mudando a mídia (que suporta até 60 minutos de gravação) e a embalagem, que mudou de uma caixa de acrílico para um envelope de papelão onde contém as informações do disco e um encarte reduzido dentro do mesmo. Apesar do preço, o lucro do SMD para os lojistas é de 20% diferentemente do lucro do CD, que gira em torno de 5% para os lojistas.

Esta é uma das maneiras que os músicos estão encontrando para tornar novamente possível a aquisição de um produto original. Esta mídia já pode ser encontrada em alguns pontos, sendo vendida até em máquinas semelhantes às máquinas de refrigerantes.

Hoje os recursos para conseguir um produto final de qualidade - tanto visualmente quanto na qualidade técnica do som - são maiores, mas o que parece é que falta inspiração e sobra ganância. Meu medo maior é que talvez o problema não seja apenas o financeiro mas a falta de interesse de muitos pela qualidade e a maneira como tudo hoje vem se tornando descartável.

E para quem quiser saber um pouco mais sobre o SMD segue o link.

http://www.portalsmd.com.br

 

Neil Young volta e (também) fala da crise financeira

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

 

 

 Neil Young

Um marco histórico. Hoje o primeiro presidente negro dos Estados Unidos assume o poder em meio à grande crise financeira. Entre tantas reviravoltas acontecendo nos últimos tempos, Neil Young não poderia deixar de registrar sua opinião. Ele que sempre teve letras políticas por uma cert influência do folk, não deixou passar em branco esse momento e lança uma prévia do seu futuro álbum.

Uma única câmera fixa e uma estética bem caseira de vídeo registra o músico comendo uma maçã conectada a um fone de ouvido. É esse o cenário em que Neil Young dubla sua mais recente música, intitulada “Fork in the road”, que, entre outros acontecimentos da atualidade, retrata a crise financeira; e ao que parece já está anunciada como faixa título de seu novo álbum.

Neil Young esteve recentemente promovendo o documentário “Dejá vu”, sobre a turnê do Crosby, Stills, Nash e Young, grupo do início de sua carreira e que merece destaque. Para quem ainda não conhece, vale (e muito!) a pena procurar álbuns deste quarteto que recebe o mesmo nome do documentário.

Para os fãs que já aguardavam um trabalho novo, podem contar com levadas que trazem referências fortes ao blues e ao rock, algo que ele sempre soube fazer muito bem.

Segue abaixo o link para acessar o site e curtir seu novo som.

 

http://www.neilyoung.com/forkintheroad/forkintheroadvideo.html

 

DE FÃ PARA FÃ!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

 

  

Capa - Zé Ramalho Canta Bob Dylan            Por diversas vezes, quando se fala em Zé Ramalho, o nome Bob Dylan entra no assunto: às vezes comparando o paraibano ao norte-americano, outras vezes usando apenas como referência.

            Zé Ramalho também nunca deixou passar despercebida sua relação musical e admiração que tem por Dylan. Ele já fez versões de Harricane, que se tornou “Frevoador” em um álbum que tinha o mesmo título lançado em 1992. A manjada “Knoking' On Heaven's Door” também já teve uma versão muito boa como “Batendo na porta do céu”.

            Agora, Zé Ramalho concretizou sua ligação com o ídolo no álbum lançado no final de 2008: “Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando”.

            A referência começa pela capa que foi inspirada na cena do clipe de “Subterranean Homesick Blues”, retirado do documentário Don’t Look Back, que registra a turnê de Dylan pela Europa, em 1965. Zé Ramalho já havia usado esse recurso outras vezes para homenagear seus ídolos, como em “Nação nordestina”, lançado em 2000, onde o músico faz referência à clássica capa do álbum dos Beatles, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

            Porém, em ambos os casos, a referência foi usada com sabedoria, deixando de ser uma simples cópia e tão pouco um humor barato, mas sim uma idéia conceitual que casa com o disco e já apresenta de cara suas referências musicais.

            Além da capa, Zé Ramalho demonstra seu respeito por Dylan na faixa inicial “Wigwan - Para Dylan”, que ele compôs em forma de homenagem.

            O disco conta com versões que passam de “Mr. Tamborine Man”, que Zé Ramalho adaptou para “Mr. Pandeiro” (com direito até a citações a Jackson do Pandeiro, músico nordestino) a “Negro Amor” (regravação de uma belíssima versão que Caetano havia feito para “It’s all over now, Baby Blue” e que Gal gravou em 1977 em “Caras e Bocas”).

Em algumas músicas, a tradução quase ao pé da letra chega a incomodar a princípio, como na faixa título “Tá tudo mudando” (versão de “Things Have Changed”, que rendeu Oscar a Bob Dylan como trilha do filme “Garotos Incríveis”), mas, por terem sido feitas por um fã, se escutarmos com mais calma entendemos melhor o recado de Zé Ramalho. A única música que manteve a letra original foi “If not for you”, mas que por outro lado recebeu um balanço de frevo. “Like a rolling stone”, talvez o maior sucesso de Dylan, também não poderia ficar de fora e ganhou forma na voz de Zé Ramalho em “Como uma pedra a rolar”.

Apesar do álbum ser totalmente dedicado às músicas de Dylan, Ramalho mantém sua linha nordestina, que para fortalecer ainda mais, contou com a colaboração de Geraldo Azevedo e Bráulio Tavares.