Loki, it´s very nice pra chuchu

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

 

 

 Imagem do documentário           Bem, o comentário feito por quem viu “Loki” talvez tenha sido um pouco diferente do título de uma das músicas de Arnaldo, mas chegou perto. Quem assistiu ao documentário “Loki – Arnaldo Baptista” diz ter saído maravilhado.

            O documentário é a primeira produção do Canal Brasil e teve sua primeira exibição no dia 17 de novembro, na programação da 32ª Mostra de Cinema de São Paulo. O filme retrata, entre relatos de amigos e músicos, a vida e obra de um dos maiores ícones da música e com certeza um dos grandes compositores da música brasileira.

            Arnaldo Baptista foi conhecido por seu trabalho com os Mutantes, uma das bandas de maior importância na Tropicália e com certeza um dos maiores nomes do rock nacional e internacional.

            Arnaldo sempre teve os Mutantes como referência de sua obra. O grupo de rock psicodélico foi formado em 1966, em São Paulo, por Arnaldo Baptista (baixo, teclado, vocais), Rita Lee (vocais) e Sérgio Dias (guitarra, baixo, vocais). A importância da banda deve-se principalmente à sua originalidade, não se limitando em tornar mais uma caricatura dos rocks estrangeiros. Os Mutantes tiveram como característica a forte influência do rock britânico, entretanto, com a musicalidade brasileira. Foi, sem dúvida, uma banda de importância única e que jamais será substituída. Quem tiver a oportunidade de conferir o trabalho solo de Arnaldo notará também sua irreverência e inspiração.

Sua loucura é pouco compreendida, mas é clara em sua obra. Essa é uma das faces deste gênio precoce e músico inspirado que o documentário mostra, à medida que Arnaldo vai pintando um quadro, atividade que adotou e pratica atualmente, recluso em um sítio de Juiz de Fora (MG) onde mora com sua terceira esposa.

            O documentário, que teve o título tirado de seu primeiro álbum solo, Loki?, de 1974, tem sido reivindicado pelos fãs para ser exibido nas telas de cinema (merecido!). Para quem abraçar a idéia, a sugestão feita por eles é de lotar a caixa de e-mails do “fale conosco” do Canal Brasil com pedidos de ver Loki nas telonas.

            Dada a dica, aqui vai o trailer do filme do “rebelde entre os rebeldes”, Arnaldo Baptista. Abraços! Até a próxima!

 

 

Drexler e o Brasil

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

 

Jorge Drexler (já comentado outras vezes em postagens nesse blog) teve a importância de trazer para o Brasil um pouco da música latina. Talvez seu estilo pop tenha facilitado a compreensão para muitos dessa cultura musical. Sempre mesclando de maneira muito eficaz, o músico sempre esteve muito ligado às raízes da música latina e podemos perceber em suas músicas, ritmos como samba argentino, chacareiras, entre outros.

                No vídeo abaixo Drexler conta como a música brasileira também é importante em sua música, fala de algumas influências e sua relação musical com Paulinho Moska. 

 

Down Beat com voz brasileira

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

 

 

 

Ithamara Koorax e João Gilberto          A conceituada revista Down Beat lançou sua lista anual dos melhores cantores de jazz. Na lista de 2008, o Brasil tem destaque com o violonista e cantor João Gilberto na quarta posição, e na categoria feminina a cantora Ithamara Koorax ficou em terceiro lugar. João Gilberto manteve seu quarto lugar de 2007 enquanto a carioca radicada em Los Angeles, Ithamara, subiu uma colocação em relação ao ano passado ficando com o bronze. É a melhor colocação desde 1978 quando Flora Purim teve o primeiro lugar.

           Segue abaixo a lista dos cinco melhores.

 

Cantores 
1. Kurt Elling 
2. Mark Murphy 
3.
Bobby McFerrin 
4. João Gilberto 
5. Mark Murphy 

Cantoras 
1. Diana Krall 
2. Cassandra Wilson 
3. Ithamara Koorax 
4. Dianne Reeves 
5. Roberta Gambarini

 

ESTAÇÃO PRIMEIRA DO SAMBA

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

 

 

Angenor de Oliveira - CartolaO sambista já foi enaltecido por Carlos Drummond de Andrade e suas melodias elogiadas por Heitor Villa-Lobos.
Bom, o texto já poderia terminar por aqui. Acho que depois dos devidos elogios feitos por nomes como esses a Cartola; eu, como simples admirador e fã de seu trabalho não tenho mais nada a dizer.
Carioca nascido no bairro de Catete, em 11 de outubro, a exatos 100 anos, Angenor de Oliveira, recebeu esse apelido quando ainda trabalhava de pedreiro, pois usava um chapéu coco para proteger a cabeça.
Cartola tem uma das obras mais significativas do samba e da MPB. Introduzido no samba por Carlos Cachaça, acabou fundando, em 1928, a Estação Primeira de Mangueira junto com outros cinco sambistas. Ele também criou as cores da escola (verde e rosa) e quando alguém dizia que as cores não combinavam ele respondia: "Ora, o verde representa a esperança, o rosa representa o amor, como o amor pode não combinar com a esperança?"
Cartola só teve seu primeiro álbum gravado aos 65 anos, por iniciativa de Marcus Pereira (que pretendo comentar em uma postagem especial), produtor e pesquisador musical. Esse disco é inteiro com suas composições.
O músico e poeta é referência no samba até hoje e agora que completaria 100 anos recebe, entre tantas homenagens feitas durante o ano, um álbum lançado pela Biscoito Fino intitulado “Viva Cartola! 100 anos”
.Capa do álbum "Viva Cartola! 100 anos"
Entre algumas músicas e interpretações selecionadas para o repertório do álbum estão: Basta de Clamares Inocência (Mart’nália) gravação inédita, feita especialmente pra esse disco; Todo Tempo Que eu Viver (Paulinho da Viola, As Meninas da Mangueira e Cartola), gravada em 77, que aparece no álbum Tom da Mangueira; Tive Sim (Luiz Melodia), presente em Estação Melodia; O Mundo é um Moinho na versão de Tira Poeira e Pedro Miranda (do primeiro álbum do grupo, Tira Poeira); na voz de Elton Medeiros, estão Partiu e Sofreguidão (esta composta com Elton).
Segue abaixo um vídeo de Cartola com seu pai e a música “O mundo é um moinho”. O vídeo é um reencontro de Cartola com seu pai após 40 anos sem se falar. Até a próxima!
 
 
 
 
 
 
 

 

ATÉ PENICO DÁ BOM SOM...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

 

 Certa vez, conversando com Márcio (parceiro na música e nos blogs relacionados a ela), falávamos sobre construção de instrumentos e suas origens. Aliás, esse é um assunto sempre presente e pelo qual me interessei muito. Ainda sonho com um belo violão ou uma bela viola feita por luthier com uma afinação mais precisa.

Porém, a musicalidade de quem tem essa sensibilidade para fazer instrumentos parece ir além. O grande músico Egberto Gismonti (que também pretendo falar mais nesse blog), por exemplo, já fez algumas variações de violão em busca de um timbre mais próprio. Sua inspiração musical não se limitava simplesmente em compor dentro de “sons com timbres já estabelecidos”. Assim como Paulinho Nogueira, (já citado no blog do Márcio) entre outros, que têm a percepção puramente auditiva e estão sempre procurando novos sons e inspiração. Outro que sempre buscou diferentes sons foi Hermeto Pascoal.
               
Esse, na minha opinião, é um verdadeiro mago/gênio da música. Sua percepção da vida, inspiração e comunicação parecem estar totalmente ligadas ao som e à música. Alguém que consegue misturar com maestria o som de um bule de café, por exemplo, para criar o clima desejado, ou um patinho de borracha, ou qualquer outro objeto que encontre na frente só pode ser considerado um grande músico.
               
Sou grande fã do multi-instrumentista que tem verdadeiro prazer no que faz. Nascido no município de Lagoa da Canoa de Arapiraca, em 22 de junho de 1936. Hermeto já começou a se maravilhar com os sons, quando ainda muito menino, na serralheria de seu avô, batendo em pedacinhos de ferro que pendurava em um varalzinho. Aos sete anos começou a tocar sanfona de sete baixos e flautas rudimentares feitas pelo próprio músico. Aos oito, ganhou de seu pai uma sanfona de 32 baixos com a qual já começou a tocar nos bailes da região.
               
Hermeto foi sendo conhecido aos poucos e aos vinte anos foi contratado pela Rádio do Comércio onde acompanhava calouros e comandava uma orquestra. Lá, Hermeto formou, com seu amigo Sivuca, o trio chamado O Mundo em Chamas. Sivuca também é albino e até hoje os dois são confundidos por diversas pessoas.
               
A ligação de Hermeto com a música sempre foi intensa. Na rádio UNIARA, onde trabalhei, em uma das entrevistas que o músico cedeu a um repórter de lá, mesmo por telefone, ele fez questão de tocar e mostrar seu som.
               
Quem já acompanhou algum show seu pôde perceber sua paixão. Por ele, o show não termina nunca e por diversas vezes saiu do palco apenas por não poder ficar mais tempo no local onde foi contratado. Entretanto, Hermeto e sua banda saíam tocando em direção à rua e a platéia ia seguindo, numa cena que parecia muito com as crianças e os ratos que seguiam o flautista de Hamelin no conto de fadas.
               
Hermeto integrou-se ao Trio Novo, que passou a se chamar Quarteto Novo (Hermeto, Théo de Barros, Heraldo do Monte e Airton Moreira), um dos mais importantes grupos da música instrumental brasileira, responsável também por acompanhar Edu Lobo na música campeã do terceiro festival da Record, “Ponteio”. 

Hermeto Pascoal

As pesquisas musicais de Hermeto sempre revolucionaram e renovaram a música. O músico já colocou até dois porcos no estúdio para a gravação do álbum Slaves Mass. Segundo Hermeto, os dois tiveram microfones separados e os cachês devidamente pagos.

                

 

 

 

 

 

 

O “bruxo dos sons”, como já foi apelidado, também, em 2000, o “Calendário do Som”, onde teve o capricho de compor uma música para cada dia do ano, homenageando assim todas as pessoas do planeta.
               
Hermeto é com certeza um gênio da música e com um carisma e uma simpatia incomparável capaz de conquistar qualquer um.
               
 O título deste texto vem da música “Chá de panela” (Guinga – Aldir Blanc). “... e até penico dá bom som / Se a inspiração é mais, se o músico for bom ...”
               
Segue abaixo uma vivência musical de Hermeto em “Música de Lagoa”. Salve Hermeto!Hermeto Pascoal