Antes de qualquer coisa, gostaria de me desculpar pela ausência. Fiquei em falta com aqueles que acompanham este blog. A correria do dia-a-dia não me deixou tempo para qualquer atualização, mas reforço, foi pura falta de tempo e não de vontade ou esquecimento.
Não foi planejado, mas essa explicação e a época do ano em que estamos se ligam com a postagem de hoje.
Entre algumas pautas que fiz ultimamente, está a de Santa Lúcia. Na verdade a matéria era sobre moradias que se localizam próximas aos trilhos de trem.
Em uma das casas, encontrei uma senhora que ficava apenas observando nosso trabalho, quieta, da porta de sua casa. A imagem me chamou a atenção, tirei uma foto, me aproximei e ela me convidou para entrar. Perguntou se eu poderia tirar uma foto sua ao lado de seu oratório que ela havia montado para as comemorações de fim de ano. Ao entrar, havia um rádio tocando músicas de Folia de Reis, ela se aproximou das imagens dos santos e se posicionou como tal. Fiquei fascinado ouvindo suas histórias e a paixão que ela tinha por essa cultura.
A festa foi trazida pelos portugueses para o Brasil e à medida que as cidades foram crescendo essa cultura foi se perdendo.
Em Portugal, a festa era feita para celebrar a passagem dos reis magos e tinha um caráter mais festivo. Aqui no Brasil ela passou a ter um apelo mais religioso. Segundo a lenda, Gaspar, Baltazar e Melchior foram do Oriente à Judéia para adorar Jesus Cristo, o qual havia nascido; entretanto, por volta do ano 1600 d.C. que passaram a fazer parte da comemoração do Natal.
A festa tem início no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, e prossegue até dia 2 de fevereiro. Nesse período os grupos de folia de reis caminham de casa em casa cantando ao som de violão, sanfona, cavaquinho, pandeiro, reco-reco, pistão, chocalho, triângulo, tantãs e outros instrumentos, exaltando o Deus Menino em busca de oferendas, para realizarem, dia 20 de janeiro, a festa de São Sebastião.
No caminho, eles encenam peças teatrais em um grupo que geralmente é formado por doze pessoas. Vestindo roupas bem coloridas e carregando um estandarte de madeira com imagens e motivos religiosos, eles vão seguindo o mestre e o contra-mestre. Entre os personagens há também um palhaço, que de acordo com a história é responsável por confundir os soldados de Herodes e proteger o menino Jesus. Essas danças e costumes variam de estado para estado no Brasil, onde são mais comuns no interior de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.
Alguns trechos comuns das cantorias se seguem como os de baixo:
“Sôr dono da casa / Alegra o seu coração / Arreceba santo Reis / Com todos os seus folião.
Concluímo este canto / Fazeno o siná da cruz / Pade, Fio, Esprito Santo / Para sempre, amém Jesus.
Santos Reis vai despedindo / Deixando muita saudade. / Vai deixando muita benção / Pro povo desta cidade.”
Com o tempo, muito material dessa festa de folia foi gravado, em sua maioria, por gente simples do meio rural. Porém, como a maioria dos estúdios que eles utilizavam era pequenos, não cabiam todos, ficando assim apenas os dois principais puxadores responsáveis na gravação e que futuramente dariam origem a uma outra cultura rural, as “duplas caipiras”. Duplas essas parecidas com a que se ouvia no CD da senhora de Santa Lúcia.
“Anda meio esquecido mas é dia da festa de Santos Reis”.
Para todos deixo aqui meus votos de boas festas e um 2009 cheio de alegrias e realizações, com muita folia. E da minha parte, também estarei atualizando este blog com mais freqüência. Forte abraço!