CD original já foi mais fácil de ser comprado.
Me lembro que para comprar CDs do Pink Floyd tinha que encomendar (fora o Dark Side of the Moon e o The Wall que eram encontrados facilmente nas lojas). Certa vez encomendei um álbum do Jethro Tull, o Aqualung edição de 25 anos. Esperei mais de semana para que chegasse, na época foi caro, mas comparando aos preços de hoje saiu barato; cheguei em casa, coloquei o CD no aparelho de som e enquanto ouvia e curtia cada música, ia apreciando também o projeto gráfico, sentado no sofá e seguindo algumas letras pra já ir decorando. Esses poucos CDs que eu comprava eram profundamente valorizados já que era difícil comprar cada um deles.
Muitos álbuns tinham um cuidado especial com a parte gráfica e era muito gostoso ir curtindo as fotos que os acompanhavam e seguindo toda a ficha técnica de quem fez o disco com direito até a miniposters que eram encartados em alguns.
Com o tempo isso foi acabando. Era fácil encontrar coletâneas sem cuidado algum, muitas vezes com nomes trocados de música e sem qualquer informação adicional no encarte. Na época do vinil também havia muito zelo com o material visual, como o disco Circense de Egberto Gismonti, que trazia uma capa toda trabalhada, recortes e brincadeiras, incluindo a “animação” de um palhaço que depois de montada era possível colocar em cima do vinil e vê-lo movimentar enquanto o disco girava. Foi nessa “bolacha” também que Gismonti lançou a primeira edição do Jornal Caipira, um encarte extra que acompanhava o disco com informações adicionais sobre o mesmo e outros assuntos relacionados à música. O Sgt Peppers dos Beatles também trazia algumas figuras do sargento para recortar (guardo até hoje inteiras, não tive coragem de fazer a brincadeira, preferi deixar tudo original).
Hoje, o preço alto do CD exigido pelas gravadoras e a facilidade em conseguir músicas piratas na internet, podendo até baixar discografias inteiras, fez com que a venda de CDs originais caísse muito. No Brasil 52% das vendas são piratas.
Por um lado, a pirataria contribuiu e muito para a divulgação de músicas que dificilmente você conseguiria comprar originais, como músicas de raiz, álbuns de pesquisas musicais e até músicas estrangeiras. Agora é só dar uma “googlezada” que você encontra facilmente músicas latinas, africanas ou de qualquer outro país.
Porém, por outro lado, acho que tornou tudo muito descartável. É diferente do cuidado que tínhamos quando íamos gravar uma fita K7 para algum amigo. Separava qual música ia abrir o lado A e qual o lado B, tendo o cuidado de ver se as músicas selecionadas para cada lado não iam ultrapassar os 30 minutos. Era sempre um bom presente, e ainda a gente escrevia o nome das músicas na capa da fita para ter um cuidado ainda maior.
Com a idéia de tornar esse capricho de ter uma ficha técnica, nome das músicas e fotos em um pequeno encarte mais acessível e mantendo uma qualidade no som, foi lançado a alguns anos o formato SMD (Semi Metalic Disc), patenteado pela dupla Cristian e Ralph. Uma mídia brasileira que veio para baratear o custo e combater a pirataria. O SMD sai com preço final de cinco reais, um preço “justo”, quase o mesmo do pirata encontrado em camelôs.
O formato barateou o custo em relação ao CD em quase 80%, mudando a mídia (que suporta até 60 minutos de gravação) e a embalagem, que mudou de uma caixa de acrílico para um envelope de papelão onde contém as informações do disco e um encarte reduzido dentro do mesmo. Apesar do preço, o lucro do SMD para os lojistas é de 20% diferentemente do lucro do CD, que gira em torno de 5% para os lojistas.
Esta é uma das maneiras que os músicos estão encontrando para tornar novamente possível a aquisição de um produto original. Esta mídia já pode ser encontrada em alguns pontos, sendo vendida até em máquinas semelhantes às máquinas de refrigerantes.
Hoje os recursos para conseguir um produto final de qualidade - tanto visualmente quanto na qualidade técnica do som - são maiores, mas o que parece é que falta inspiração e sobra ganância. Meu medo maior é que talvez o problema não seja apenas o financeiro mas a falta de interesse de muitos pela qualidade e a maneira como tudo hoje vem se tornando descartável.
E para quem quiser saber um pouco mais sobre o SMD segue o link.
http://www.portalsmd.com.br